O Museu degli Innocenti de Florença

Bem perto da Catedral Santa Maria del Fiore de Firenze, na praça renascentista de Santissima Annunziata, está o Museo degli Innocenti, que surgiu em 1419  com a designação de hospital: Spedale degli Innocenti.  Foi o primeiro orfanato europeu e a primeira obra arquitetônica do Renascimento, realizada por Brunelleschi.  Visitei o local  com o grupo dos Tuscany Bloggers, junto à Eugenio Giani, Presidente do Conselho Regional da Toscana e  Maria Grazia Giuffrida, Presidente da instituição.

 

Eugenio Giani, Presidente do Conselho da Toscana e  Maria Grazia Giuffrida, Presidente da Instituição

O Ospedale degli Innocenti foi construído por Brunelleschi no século XV e está localizado na Piazza della Santissima Annunziata com a Loggia del Brunelleschi (1419), repleta de pórticos, arcos e colunas. A construção é considerada a obra mais antiga da arquitetura renascentista

 

História do Ospedale degli Innocenti 

A criação do instituto deu-se graças à doação de 1000 fiorinos por parte de Francesco Datini,  um rico comerciante que havia ficado órfão quando criança que patrocinou a construção de um grande hospital para abrigar crianças órfãs e abandonadas. Uma das corporações mais potentes da época, a Arte da Seda, ajudou a concretizar e gerenciar a construção da instituição confiando o projeto a Filippo Brunelleschi, o melhor arquiteto da época, autor da cúpula da  Catedral Santa Maria del Fiore. O Hospital foi projetado e construído entre 1419 e 1444, permanecendo sob a direção de Brunelleschi até 1427.

 

O Museo degli Innocenti está localizado no complexo monumental que inclui o prédio projetado por Filippo Brunelleschi, o primeiro exemplo da arquitetura renascentista

Desde sua criação a instituição presta  assistência  à crianças  órfãs e filhos ilegítimos. Na época do Renascimento  muitos bebês foram abandonados e deixados no hospital.  Os registros da instituição guardam informações sobre a primeira criança acolhida: Agata Esmeralda,  a primeira criança “inocente”, que foi deixada no local, no dia 5 de fevereiro de 1445.

O instituto  surgiu há 6 séculos para acolher crianças abandonadas. Fica na piazza Santissima Annunziata, uma das primeiras praças renascentistas do mundo

Sob os pórticos da fachada da instituição havia um local por onde chegavam os alimentos e onde os bebês eram colocados. Era através dessa especie de  “janela de ferro”, que as mães  apoiavam seus filhos antes de tocar a campainha para informar a chegada da criança. Em 1660 foi introduzida a  porta giratória.

Ainda é possível ver o local onde ficava a  porta giratória, sob os pórticos do instituto. Ali a mãe colocava o bebê, que era recuperado na parte interna, sem que a mãe fosse identificada. Essa era considerada uma maneira eficaz de garantir o anonimato às mães que deixavam ali seus filhos.

As crianças abandonadas eram cuidadas por enfermeiras e depois confiadas às famílias do interior da Toscana que eram remuneradas para criá-las até a  idade de 5 ou 6 anos.  Depois elas voltavam ao  instituto para serem educadas e orientadas para uma profissão. Entre 1600 e 1700 foi dada a possibilidade de amamentar dentro do instituto.  Desde o início de sua criação o instituto não apenas cuidava e alimentar, mas também educava e preparava as crianças para integrá-las à sociedade. Passaram pela instituição cerca de 500 mil crianças. As últimas crianças que foram deixadas no instituto em 30 de junho de 1875, com os nomes Laudata Chiusuri e Ultimo Lasciati.

Essas esculturas representam Maria e José e falta o  Menino Jesus. Toda criança que chegava ao orfanato era colocada entre os dois. Era uma forma de representar que eram acolhidas e que dali em diante poderiam ter uma família

Muitas das crianças que chegavam  registradas como filhos ilegítimos possuíam uma família, mas foram confiadas à assistência pública devido às dificuldades econômicas.

As crianças eram abandonadas anonimamente e não era informado o sobrenome, eram identificadas apenas com o primeiro nome. Um fato curioso é que quando as crianças adquiriam a maioridade e deixavam o instituto recebiam os sobrenomes  Innocenti, degli Innocenti, Nocenti ou Nocentini. O sobrenome Innocenti é o segundo mais difuso na Toscana.

Desde que foi instituído, 500 mil crianças já passaram pelo local. Atualmente  abriga dois núcleos: 2 creches para crianças de 0 a 6 anos e outra ala, constituída de apartamentos que funcionam como casas familiares, que no momento acolhem  14 mães e filhos carentes em dificuldade, além de escritórios da Unicef para Estudos Internacionais relacionados à infância.

O pátio do complexo. Obra de Andrea della Robbia sobre a porta no pátio que conduz à igreja

Museu degli Innocenti 

É possível conhecer a história do local e das crianças que já passaram por aqui através do Museu degli Innocenti, um patrimônio artístico, monumental e histórico inaugurado em 2016.  O museu conta a história do hospital e das atividades assistenciais e médicas realizadas ao longo de 6 séculos, através da exibição de obras de arte, documentos fotográficos,  vídeos e objetos.

 

Seção histórica – Existem mais de 38 mil objetos como medalhas, colares e pedaços de tecido. Algumas pessoas deixavam uma sacolinha com sal, pois isso significava que a criança já havia sido batizada

Acredito que o momento mais emocionante do percurso é quando chegamos ao arquivo histórico. Existe uma sala que contém um móvel com 140 gavetas com objetos que eram deixados pelas mães das crianças que eram entregues ao instituto. Os visitantes podem abrir as gavetas, onde consta o nome da criança e a data de nascimento. Todos os objetos foram divididos, como moedas, medalhas, tecidos e cordões: uma parte ficava com a mãe e a outra metade era deixada junto com a criança, muito provavelmente na esperança de poder reencontrá-la.

Uma medalha incompleta. A parte qu falta ficava com a mãe da criança abandonada. Esses objetos eram o único meio de comunicação entre a família e a criança, que era  deixada de forma anônima

 

O museu  preserva milhares de pequenos objetos: medalhas, moedas, clipes de papel, cartões sagrados, botões, pedaços de pano, e alguns deles são exibidos na exposição com o nome do recém-nascido a quem eles pertenciam

No segundo andar fica a seção com obras valiosas do museu de autores como Sandro Botticelli, Domenico Ghirlandaio, Neri di Bicci e Andrea e Luca della Robbia.

Os querubins enfaixados de Andrea della Robbia  (1487), em terracota envidraçada

 

Este representa uma menina. Obra de Andrea della Robbia  (1487)

 

A obra Adoração dos  Magos, de Ghirlandaio

Um dos lindos ambientes do museu é o  Cortile degli Uomini  (Pátio dos Homens), um pátio renascentista

 

Caffè del Verone 

Um espaço maravilhoso do complexo é o Caffè Verone, localizado numa grande varanda com vista para cidade e para as colinas que a circundam. A cafeteria  funciona onde, no século 15, era utilizado para secar as roupas. O  café proporciona aos visitantes uma vista exclusiva de Firenze, com a cúpula de Brunelleschi e a Sinagoga.

 

Grazie Sandra Panerai pela foto!

Grupo de Tuscany bloggers, Gloria, Sandra, Barbara, Erika, Gilli, Ksenia, Yulia, Leonardo e Raoul, com Eugenio Giani e Maria Grazia Giuffrida ( Foto Ksenia)

 

O Caffè Del Verone  é aberto diariamente (exceto às terças) das 10 às 20 horas. É também acessível para quem não possui ingresso para o museu.
Instituto degli Innocenti
Piazza della Santissima Annunziata – Firenze
Horários:
Diariamente (exceto às terças): das 10 às 19 horas – de 1º abril à 31 outubro
Diariamente (exceto às terças): das 11 às 18 horas – de 1º  novembro à 31 de março
Valores:
9 euros – adulto
10 euros- bilhete familia (para 2 adultos e 2 crianças de até 11 anos)


About

A minha paixão pela comunicação e pelo turismo é herança dos meus pais. Adoro viajar para observar e vivenciar as diversidades culturais. Depois que me formei em Jornalismo, passei longa temporada em Londres, um curto período nos Estados Unidos e atualmente vivo em Florença, com meu marido e nossos dois filhos. Desde 2005 sou retail na Ermenegildo Zegna. Busco sempre ver o lado positivo em todas as coisas e prefiro ter por perto aqueles que, como eu, dão mais valor às pessoas do que às coisas materiais.


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