Quem já esteve na Toscana certamente sabe que o biscoito mais conhecido da região é o biscoito de Prato. E recentemente, à convite do histórico
Biscottificio Mattei, fundado em 1858, voltei à cidade de Prato para conferir de perto a produção dos
tradicionais biscoitos e visitar locais maravilhosos, onde se respira arte e beleza.

Prato é a segunda cidade mais populosa da Toscana, com quase 200 mil habitantes. É uma cidade graciosa e repleta de beleza: seu coração artístico, ligado à antiguidade e ao Renascimento, muitas vezes é subestimado
O Biscottificio Mattei fica no coração da cidade, a poucos passos do Duomo. E essa escolha confirma a identidade da empresa, que tem suas raízes no território e preserva sua memória produtiva.

A fachada do Biscottificio Antonio Mattei
Assim que chegamos ao Biscottificio Mattei fomos recebidos por Elisabetta Pandolfini, que junto aos irmãos Francesco, Marcella e Letizia, administra a empresa, que pertence à sua família desde 1904.

Biscoitos Mattei: história de quase 200 anos de excelência artesanal, uma verdadeira instituição em Prato
História da empresa – Antonio Mattei abriu sua padaria e fábrica de biscoitos na Via Ricasoli, há quase 2 séculos, onde funciona até hoje, sob o comando da família Pandolfini, que com paixão e dedicação, reproduz as tradicionais receitas do fundador, incluindo a dos biscoitos de amêndoa de Prato, conhecidos no mundo como cantucci ou cantuccini, feitos com apenas cinco ingredientes: farinha, açúcar, ovos, amêndoas e pinhões.
Em nossa visita pudemos acompanhar de perto todos os processos de produção dos biscoitos (inebriados por um aroma irresistível durante todo o percurso!).

Quando a excelência artesanal encontra a visão inovadora: os biscoitos Mattei são conhecidos por sua tradição e qualidade
No local são produzidos 600 kg de biscoitos por dia e são utilizados 1200 ovos diariamente, todos quebrados à mão! Apesar do volume de produção e do uso de tecnologia avançada, a empresa preserva sua qualidade artesanal em muitos processos, inclusive cada embalagem é amarrada manualmente.

Os biscoitos Mattei são embalados em sua famosa embalagem azul, que inclusive foi registrada como “blu Mattei”, sendo a segunda empresa na Itália a obter uma cor para chamar de sua!
A empresa já recebeu vários prêmios e reconhecimentos e em 2015 foi, Um exemplo virtuoso de como a excelência do artesanato italiano pode se renovar, mantendo-se profundamente enraizada em seu território, sua história e seus valores.
É possível realizar a visita aos sábados, de janeiro a junho, com obrigatoriedade de reserva antecipada.

Ao final da visita, degustação de alguns dos produtos. A empresa produz pan briochi, cantucci, brutti buoni, filone candito, torta al cioccolato e a torta mantovana, que são preparados diariamente
Depois da visita e degustação de diversos produtos Mattei, seguimos para o
Conservatorio San Niccolò, uma joia de arte, beleza e história pouco conhecido do grande público e que tem tudo para deixar os visitantes encantados!

Na Sala del Capitolo, com decorações nos arcos do século XIV e com paredes pintadas por Girolamo Ristori no século XVI
O Conservatório de San Niccolò é um antigo mosteiro de clausura de freiras dominicanas, fundado em 1328 pelo cardeal Niccolo Albertini, que deixou sua fortuna para a construção de um convento feminino. Realizamos a visita ao local acompanhados da diretora da escola, Mariella Carlotti.
Em 1785, o Grão-Duque da Toscana Pietro Leopoldo resolveu transformar o mosteiro em um conservatório para meninas e confiou às freias o papel de oferecer para elas uma formação.

O Conservatório mantém inalterado o perímetro original dos seus jardins
Neste cenário sugestivo de extraordinária beleza -tanto pelos seus espaços naturais quanto arquitetônicos – funciona uma escola. O Conservatório oferece proposta educativa desde a pré-escola até o ensino médio.

O maravilhoso refeitório, repleto de afrescos realizados no século XV

No Salão das Colunas, projetado por Giuseppe Valentini e decorado por Luigi Catani, com ao centro a obra “L’angelo della cultura che incendia le armi”
Visita ao Duomo – Concluímos nossa visita à cidade na Catedral de Santo Stefano, o Duomo da cidade, com maravilhosas capelas afrescadas, sendo que a mais celebre é a Capela Maior , que conserva um importante ciclo de afrescos do Renascimento, realizado por Filippo Lippi e colaboradores.
A igreja é muito conhecida por conservar uma importante relíquia: o Santo Cinto de Nossa Senhora, também conhecido como Sacra Cintola. A relíquia foi trazida de Jerusalém em 1141 por Michele Dagomari. Confira mais detalhes sobre o Duomo de Prato neste post.

O Cinto Sagrado de Maria é conservado na capela della Sacra Cintola, com afrescos de Agnolo Gaddi e ajudantes no final do século 14

Com a guia Belinda Bitossi na Capela Maior. O ciclo de afrescos foi feito Filippo Lippi e colaboradores, entre 1452 e 1464

Nas paredes da capelas, histórias de Santo Stefano e São Giovanni Battista