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Prato

Prato, entre o biscoito mais famoso da Toscana e belezas artísticas

Quem já esteve na Toscana certamente  sabe que o biscoito mais conhecido da região  é o biscoito de Prato. E recentemente, à convite do histórico  Biscottificio Mattei, fundado em 1858, voltei à cidade de Prato para conferir de perto a produção dos tradicionais biscoitos e visitar locais maravilhosos,  onde se respira arte e beleza.

Prato é a segunda cidade mais populosa da Toscana, com quase 200 mil habitantes. É uma cidade graciosa e repleta de beleza: seu coração artístico, ligado à antiguidade e ao Renascimento, muitas vezes é subestimado

O Biscottificio Mattei fica no coração da cidade, a poucos passos do Duomo. E essa escolha confirma a identidade  da empresa, que tem suas raízes no território e preserva sua memória produtiva.

A fachada do Biscottificio Antonio Mattei

Assim que chegamos ao Biscottificio Mattei fomos recebidos por Elisabetta Pandolfini, que junto aos irmãos Francesco, Marcella e Letizia, administra a empresa, que pertence à sua família desde 1904.

Biscoitos Mattei: história de quase 200 anos de excelência artesanal, uma  verdadeira instituição  em Prato

História da empresa – Antonio Mattei abriu sua padaria e fábrica  de biscoitos na Via Ricasoli,  há quase 2 séculos, onde funciona até hoje, sob o comando da família Pandolfini, que  com  paixão e dedicação, reproduz as tradicionais receitas do fundador, incluindo a dos biscoitos de amêndoa de Prato, conhecidos no mundo como cantucci ou cantuccini, feitos com apenas cinco ingredientes: farinha, açúcar, ovos, amêndoas e pinhões.

Em nossa visita pudemos acompanhar de  perto todos os processos de produção dos biscoitos (inebriados  por um aroma irresistível durante todo o percurso!).

Biscoito de Prato

Quando a excelência artesanal encontra a visão inovadora: os biscoitos Mattei são conhecidos por sua tradição e qualidade

No local são produzidos 600 kg de biscoitos por dia e são utilizados 1200 ovos ​​diariamente, todos quebrados à mão! Apesar do volume de produção e do uso de tecnologia avançada, a empresa preserva sua qualidade artesanal em muitos processos, inclusive cada embalagem é amarrada manualmente.

Os biscoitos  Mattei são embalados em sua  famosa embalagem azul, que inclusive  foi registrada como  “blu Mattei”, sendo a segunda empresa na Itália a obter uma cor para chamar de sua!

A empresa já recebeu vários prêmios e reconhecimentos e em 2015 foi, Um exemplo virtuoso de como a excelência do artesanato italiano pode se renovar, mantendo-se profundamente enraizada em seu território, sua história e seus valores.
É possível realizar a visita aos sábados,  de janeiro a junho, com obrigatoriedade de reserva antecipada.

Ao final da visita, degustação de alguns dos produtos. A empresa produz pan briochi, cantucci, brutti buoni, filone candito, torta al cioccolato e a torta mantovana, que são preparados diariamente

Depois da visita e degustação de diversos produtos Mattei, seguimos para o Conservatorio San Niccolò, uma joia de arte, beleza e história pouco conhecido do grande público e que tem tudo para deixar os visitantes encantados!
Conservatorio-San-Niccolo

Na Sala del Capitolo, com decorações nos arcos do século XIV e com paredes pintadas por Girolamo Ristori no século XVI

O Conservatório de San Niccolò  é um antigo mosteiro de clausura de freiras dominicanas, fundado em 1328 pelo cardeal Niccolo Albertini, que deixou sua fortuna para a construção de um  convento  feminino.  Realizamos a visita ao local acompanhados da diretora da escola, Mariella Carlotti.
San Niccolo
Em 1785, o Grão-Duque da  Toscana Pietro Leopoldo resolveu transformar o mosteiro em um conservatório para meninas e confiou às freias o papel de oferecer para elas uma formação.

O Conservatório mantém inalterado o perímetro original dos seus jardins

Neste cenário sugestivo de extraordinária beleza -tanto pelos seus espaços naturais quanto arquitetônicos – funciona uma escola.  O Conservatório oferece proposta educativa desde a pré-escola até o ensino médio.
San Niccolo

O maravilhoso refeitório, repleto de afrescos realizados no século XV

No Salão das Colunas, projetado por Giuseppe Valentini e decorado por Luigi Catani, com ao centro a obra “L’angelo della cultura che incendia le armi”

Visita ao Duomo – Concluímos nossa visita à cidade na Catedral de Santo Stefano, o Duomo da cidade, com  maravilhosas capelas afrescadas, sendo que a mais celebre é a Capela Maior , que conserva um importante ciclo de afrescos do Renascimento, realizado por Filippo Lippi e colaboradores.
A igreja é muito conhecida por conservar uma importante relíquia: o Santo  Cinto  de Nossa Senhora, também conhecido como  Sacra Cintola. A relíquia foi trazida de Jerusalém  em 1141 por Michele Dagomari. Confira mais detalhes sobre o Duomo de Prato neste post.

O Cinto Sagrado de Maria é conservado na capela della Sacra Cintola, com afrescos de Agnolo Gaddi e ajudantes no final do século 14

Com a guia Belinda Bitossi na Capela Maior. O ciclo de afrescos foi feito Filippo Lippi e colaboradores, entre 1452 e 1464

Nas paredes da capelas, histórias de Santo Stefano e São Giovanni Battista

Museu de Casa Martelli de Florença

Já pensou poder voltar no tempo e visitar a residência de uma nobre família florentina? A poucos passos do Duomo de Florença esconde-se um fascinante tesouro: o Museu Casa Martelli,  palácio  que foi residência da família Martelli desde o século 17.

Museu Casa Martelli foi durante séculos  o lar da ilustre família florentina

O palácio Martelli  apresenta fachada simples, mas  seu interior guarda uma abundância de obras importantes,  com salas decoradas por lindíssimos afrescos e ambientes adornados com móveis elegantes e preciosas obras de arte, uma capela, um salão de baile para grandes eventos e espaçosas  salas decoradas em estilo grotesco, com efeitos de ilusão de ótica que encantam os visitantes!

Os ambientes são adornados com móveis elegantes, galerias de quadros, tapeçarias,  objetos  e obras de arte preciosas. O museu abriga uma galeria de pinturas e esculturas de ​artistas  como Piero di Cosimo, Luca Giordano, Salvator Rosa e Domenico Beccafumi.

Os espaços, objetos e obras de arte revelam  o estilo de vida de ilustres membros da nobreza florentina. Nos afrescos, Camila Martelli e o marido Cosimo I’ de’ Medici

Graças aos laços estreitos com a família Medici, a partir do século  15 a família Martelli conquistou poder e prestígio em Florença.  Inclusive Camila Martelli  foi a segunda esposa do Grão-duque Cosimo I de’ Medici, depois da morte de sua primeira esposa, Eleonora di Toledo.  Camilla e Cosimo se casaram em 1570 em uma cerimônia privada e a jovem esposa não assumiu o título de Grã-Duquesa e nem gozou  de privilégios dinásticos.

O palácio, localizado na via Zannetti, foi construído pelo arquiteto Bernardino Ciurini e conta com afrescos dos pintores Vincenzo Meucci, Bernardo Minozzi e Niccolò Contestabile, com o estuques realizados por Giovan Martino Portogalli.

A grande paixão pela arte que ecoa em todos os ambientes do palácio, decorado e luxuoso

E o que torna o museu ainda mais peculiar é que seu acervo não é uma reconstrução póstuma, mas sim composta da coleção reunida nos séculos pela família Martelli.

A casa-museu conta séculos de vida de uma das mais antigas famílias florentinas

Doada ao Estado em 1998, o local foi residência da última descendente da família, que morreu em 1986 e aberta ao público em 2009.

Na Casa Martelli tinha um costume: quando o primogênito se casava  podia modificar o palácio da família: Niccolò Martelli encomendou  afrescos para a esposa Caterina de’ Ricci no andar térreo , dentre os ambientes mais bonitos do palácio.

A “sala boschereccia”, afrescada por Niccolò  Contestabili na primeira metade do século 19

Os apartamentos de verão no térreo datam do início do século 19 e foram os ambientes que mais me impressionaram!   A  sala boschereccia, que foi pintada por Niccolò Contestabili, com as paredes decoradas por uma romântica paisagem florestal era a área de relax, uma espécie de spa da época, e o jardim de inverno, ou “bersò”, pintado por Gaetano Gucci, com pinturas delicadas.

O Museu Casa Martelli, aberto ao público em 2009,  faz parte do Museu Nacional Bargello. As visitas guiadas são organizadas em pequenos grupos de no máximo 15 pessoas.

Museu Casa Martelli

Via Ferdinando Zannetti, 8 – Firenze

Horários de visitas :  às terças (das 13:30 às 17:30) e aos sábados (das 9 às 12h)

Ingresso gratuito

Agendamento obrigatório: 055 0649420

 

Santo-spirito

A Basílica de Santo Spirito de Florença

A Basílica de Santo Spirito, no Oltrarno, projetada  por Filippo Brunelleschi, é uma das mais importantes igrejas de Florença. Foi construída sobre as ruínas de um convento agostiniano do século 13 e destruído num incêndio no ano de 1371. Sempre foi governada pelos Frades da Ordem de Santo Agostinho, desde a sua inauguração. No interior encontram-se obras dos mais famosos artistas florentinos e uma das mais importantes que encontramos no local é o crucifixo de madeira, realizado por Michelangelo.

A igreja agostiniana de Santo Spirito, na praça homônima,  é uma das mais importantes da cidade

Observando a arquitetura renascentista, com suas colunas de arenito decoradas com capitéis coríntios, natureza e estrutura se manifestam em perfeito equilíbrio.  O espaço visual  aparentemente aumenta as dimensões das naves transmitem uma sensação de liberdade e paz.

SantoSpirito

 

Também é possível visitar a rota agostiniana, que inclui o claustro dos mortos, o refeitório e a sacristia de Giuliano da Sangallo, onde se conserva o crucifixo de madeira, uma das primeiras obras de Michelangelo.

O campánario foi realizado por Baccio d’Agnolo no século 16

 

Michelangelo realizou o crucifixo quando havia apenas 18 anos

Crucifixo de Michelangelo – um dos artistas que contribuíram para decorar e embelezar a igreja foi Michelangelo, que na juventude teve a oportunidade de desfrutar do esplendor da basílica até se inspirar  para realizar  uma de suas obras mais significativas, o crucifixo de madeira. O crucifixo fica  na sacristia,  realizada por Giuliano da Sangallo.

A escultura foi realizada quando o artista havia 18 anos, para presentear o prior de Santo Spirito como forma de agradecimento pela hospitalidade  – ele passou um período no convento  após a morte de seu mecenas Lorenzo ” Magnífico” – e  pela  oportunidade de estudar anatomia, o que lhe permitiu esculpir e pintar com tanta perfeição detalhes do corpo humano.

 

O acesso à basílica é gratuito.

igrejas

Precioso edifício religioso construído por Brunelleschi para os agostinianos

Basílica de Santo Spirito – Firenze

Piazza Santo Spirito, 39

Aberta todos os dias,  exceto as quartas-feiras

Mais informações sobre horários e celebrações  litúrgicas: site da basílica 

Os lugares que lembram Dante em Florença

Dante Alighieri nasceu em Florença no ano de 1265, no mês de maio, mas  não se sabe exatamente o dia, apenas que  foi  “no período em que o sol está na constelação zodiacal de Gêmeos”.  A data simbólica de seu nascimento é 29 de maio. 

Poeta, escritor,  político e também guerreiro, é considerado o “pai” da língua italiana. O “sumo poeta” é autor da Divina Commedia, uma das maiores obras de arte da literatura mundial escrita  na Idade Média. A obra era intitulada Comédia, foi Giovanni Boccaccio que deu o adjetivo de  “divina”. Sua trajetória como escritor foi marcada pelo amor platônico por Beatriz Portinari.
Para celebrar o seu nascimento, trago alguns locais de Florença que lembram o “poeta  supremo”:
1-  Bairro de Dante.  Não se sabe exatamente onde ele nasceu, mas foi nessa área da cidade, conhecida como “quartiere dantesco”.  Com ruas estreitas e numerosas casas-torres, essa é área da cidade conhecida como  Florença medieval,  onde Dante viveu até antes de ser exilado
Dante
2 – Batistério de San Giovanni , onde  ele foi batizado. O batistério  é uma das mais antigas construções de Florença
3- Igreja de Dante –  a igreja  de Santa Margherita dei Cerchi era frequentada por sua família e foi aqui que Dante se casou com Gemma Donati.  Segundo a tradição,  Beatriz, sua musa inspiradora, está  enterrada na igreja 
4 – Torre della Castagna – Essa antiga torre medieval era onde se reuniam os Priores das Artes, o principal corpo político da cidade, do qual Dante já fez parte 
5 – Museo Casa di Dante – é um museu interativo, num prédio realizado no século 19. Esse é um museu  educativo sobre  a biografia e as obras do poeta
6 – Máscara de Dante –  acreditava-se ser uma máscara funerária baseada em um molde tirado do seu rosto, mas não há certezas sobre quando foi realizada. Encontra-se no Palazzo Vecchio 
7 – Pedra de Dante –   Dizem que esse era o lugar onde  ele costumava sentar para descansar, pensar e observar a construção da nova catedral da cidade
 
8 – Badia Fiorentina – A Badia, uma das igrejas mais antigas de Florença,  era um local de culto espiritual desde a época  de Dante
9 – Lápides –  no centro da cidade encontramos  33 lápides de Dante, com citações  da Divina Comédia 
10 – Catedral de Santa Croce – em seu interior encontra-se o cenotáfio de Dante, isto é, o monumento fúnebre, pois ele está enterrado em Ravenna , onde morreu em 1321

 

 

 

 

 

Terracota

Impruneta celebra seu produto mais famoso: a terracota

Villa Medicea della Petraia, nas colinas de Florença

As colinas de Florença guardam tesouros, histórias e segredos, como a Villa Medicea della Petraia, com seus deslumbrantes afrescos e um jardim  à  italiana,  uma  verdadeira joia paisagística!

A La Petraia é uma das vilas medíceas mais fascinantes, com suas decorações pictóricas e natureza deslumbrante ao redor, com linda vista para a cidade de Florença

Villa-della-Petraia

A poucos quilômetros de Florença, na área de Castello, a  Villa La Petraia é, sem dúvida,  uma das mais belas e  fascinantes vilas dos Médici,  por sua localização privilegiada, por seu espetacular ciclo de afrescos  e por  seu magnífico  jardim.

A vila ocupa um antigo edifício fortificado, do qual a grande torre ainda permanece,  ampliado no final do século 16  para criar a atual vila

Com a extinção da dinastia  Medici, o  local   passou para a família Lorena e posteriormente Savoia, sendo esta última responsável pela cobertura  do pátio interno.

O maravilhoso ciclo de afrescos no pátio da villa

A vila foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco em 2013.

O pátio da vila foi revestido no século 19. A decoração de afrescos foi realizada por Volterrano e Cosimo Daddi na primeira metade do século 17

Villa-della-Petraia

Escultura de Bartolomeo Ammanatti, do século 16

 

Durante a visita  podemos admirarar  os afrescos, pinturas e estátuas  e circular pelos ambientes internos que são  totalmente mobiliados. 
Villa-della-Petraia

A Villa La Petraia preserva numerosos artefatos de madeira de grande qualidade artística e artesanal

O rei  Vittorio Emanuele II viveu aqui quando Florença foi a capital  da Itália (entre 1865 e 1871) e os móveis atuais datam em grande parte desse período.

Villa-della-Petraia
Não muito longe dos pontos turísticos tradicionais, a vila foge da clássica rota de locais geralmente visitados no centro. E um detalhe importante: o ingresso é gratuito.
O local é aberto ao público  com visitas guiadas gratuitas em horários pré-estabelecidos e para  grupos de no máximo  25 pessoas.
Villa-della-Petraia

Os jardins são distribuídos em três níveis

Curiosidade: O jardim da Officina Profumo-Farmaceutica di Santa Maria Novella está localizado onde antes ficava o olival da Villa La Petraia,  numa área de 14 mil metros,  onde são cultivadas cerca de cem plantas medicinais.

Villa della Petraia
Via della Petraia, 40
Abertura:de abril à setembro: 8:30 às 18:30, de  terça à domingo
Horários das visitas guiadas: 9:30, 10:30, 11:30, 12:30, 14h , 15h, 16h e 17h
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O “Museo Galileo” de Florença comemora 100 anos

Florença, berço das artes, foi também centro de excelência do conhecimento científico. A cidade foi palco de episódios e descobertas que marcaram profundamente a história da ciência moderna. O Museo Galileo é uma das principais instituições internacionais de história da ciência e  preserva uma das mais importantes coleções de instrumentos científicos e aparatos experimentais do mundo

O Museu Galileo, na praça, na Piazza dei Giudici

O “Istituto di Storia delle Scienze”, hoje Museu Galileo, está completando cem anos e, para celebrar, um calendário muito rico e interessante, com inúmeras iniciativas, como eventos especiais, espetáculos, inaugurações noturnas, exposições e conferências, a partir de 15 de abril, até 2027.

Sobre o Museu

O museu ocupa o histórico palácio Castellani, um dos edifícios mais antigos da cidade. As preciosas coleções do museu, entre as mais importantes do mundo, incluem instrumentos científicos antigos que datam do século 11 ao 19,  incluindo todos os instrumentos originais de Galileu.
As diversas salas são dedicadas, entre outros temas, à astronomia e à medição do tempo, à representação do mundo na antiguidade, à ciência da guerra, aos instrumentos para medir o tempo, como relógios, calendários e outros objetos.
 Os objetos mais antigos do museu vêm das coleções das famílias Médici e Lorena.

A maior esfera armilar do mundo, realizada na segunda metade do século 16, por Antonio Santucci, por vontade de Ferdinando I de’ Medici

Qualquer entusiasta de ciências vai visitar este museu com grande interesse, inclusive, sempre recomendo a visita para as famílias que viajam com crianças e adolescentes. No Museu Galileu é possível conferir inúmeras invenções e também participar de experiências interativas.
Uma curiosidade: o museu também abriga, como relíquia, o dedo médio de Galileu, roubado do corpo do cientista em 1737, quando seus restos mortais foram transferidos para a cripta da família.

A apresentação da programação para comemorar os 100 anos do Museu Galileo contou com as presenças de Francesco Pavone e Roberto Ferrari, respectivamente presidente e direto do Museu

 

100 anos do museu
As comemorações do centenário do Museu Galileu estão divididas em um rico programa de eventos que começarão em 15 de abril de 2025,  no Salone dei Cinquecento do Palazzo Vecchio, que vai contar com uma palestra de Martin Kemp, Professor Emérito da Universidade de Oxford (18h).
Em 7 de maio de 2025, por ocasião do aniversário oficial de sua fundação, as portas do Museu Galileu estarão excepcionalmente abertas até às 23h. Às 21h será a vez da estreia do espetáculo teatral “Caterina, la madre di Leonardo”.
De 20 de junho a 19 de outubro, será inaugurada a exposição “100 anos de história da ciência em Florença”, que exibirá edições raras e valiosas, manuscritos e documentos científicos preservados na biblioteca do museu.
De 19 a 21 de novembro será realizada a conferência internacional “Escalando o Cosmos: Instrumentos e Imagens do Universo”, três dias de estudos interdisciplinares, que pretendem desenvolver uma história visual do universo analisando como imagens e instrumentos moldaram a compreensão dos fenômenos celestes na era moderna.
A Escola de Inverno de História da Ciência será realizada de 24 a 28 de novembro, organizada em colaboração com a Sociedade Italiana de História da Ciência.
E em 2027, será inaugurado o GalileoLab, um novo espaço no Complexo Santa Maria Novella que sediará eventos com curadoria do Museu Galileu, com o objetivo de oferecer caminhos de conhecimento alternativos aos tradicionais.

O Museu Galileo proporciona aos visitantes e curiosos uma viagem ao tempo no mundo da ciência, física , matemática e tecnologia

Qualquer entusiasta de ciências vai visitar este museu com grande interesse,  inclusive, sempre recomendo a visita para as famílias que viajam com crianças e adolescentes.No Museu Galileu é possível conferir inúmeras invenções e também participar de experiências interativas.

 

Exposição Caravaggio 2025, em Roma

Caravaggio é um dos meus artistas preferidos e é claro que eu não podia perder a sua exposição que está acontecendo em Roma,  com obras-primas icônicas! Essa é a mais importante exposição dedicada ao artista, um dos mais célebres pintores barrocos.

Caravaggio 2025, uma celebração do gênio revolucionário do artista

Inaugurada no Palazzo Barberini por ocasião do Jubileu 2025, a exposição Caravaggio 2025 é apresentada pelas Gallerie Nazionali di  Arte Antica em colaboração com a Galleria Borghese. A exposição, com 24 obras do artista, tem curadoria de Francesca Cappelletti, Maria Cristina Terzaghi e Thomas Clement Salomon e pode ser visitada até o dia 6 de julho de 2025.

As obras estão dispostas em ordem cronológica, sendo que a exposição inicia com “Rapaz Descascando Fruta”, realizada entre 1592 e 1593, logo após sua chegada em Roma

O objetivo da exposição é oferecer uma reflexão nova e aprofundada sobre a evolução artística de Michelangelo Merisi, conhecido como Caravaggio (1571 – 1610). Antes mesmo de ser inaugurada, no último dia 7 de março,  mais de 60  mil ingressos já tinham sido vendidos.

Detalhe da obra Marta e Maria Madalena

Algumas obras que pertenciam à família Barberini e que foram adquiridos por outros museus, retornam à Roma para a exposição.

Os Trapaceiros, que faz parte do acervo do Kimbell Arte Museum, em Fort Worth

 

Os Músicos, do Metropolitan Museum de Nova York

 

Obra “A Adivinha”, da Pinacoteca Capitolina de Roma

A exposição reúne as três pinturas encomendadas pelo banqueiro Ottavio Costa: Judite e Holofernes, que faz parte do acervo do Palazzo Barberini), São João Batista, do Museu Nelson-Atkins de Kansas City  e São Francisco em Êxtase, do  Wadsworth Atheneum, de Hartford, Estados Unidos.

São Francisco em Êxtase, primeiro exemplo de obra sacra executada pelo artista em Roma

 

Santa Caterina d’Alessandria, do Museu Thyssen-Bornemisza de  Madrid, vestida com roupas da época

Caravaggio é conhecido por seu uso inovador da luz e pela escolha de seus modelos. Ele não  se limitava a retratar nobres ou figuras ilustres, mas utilizava também pessoas pertencentes às classes sociais mais humildes para suas pinturas religiosas.

Da obra  Judith e Holofernes: expressividade e detalhes que impressionam

A exposição é dividida em quatro salas temáticas, com as obras apresentadas em um período cronológico de aproximadamente quinze anos, desde sua chegada a Roma, em 1592 – seus deslocamentos nesta época não são exatos –  até sua morte em Porto Ercole, em 1610.

Essa obra  é A Flagelação de Cristo, do Museu  de Capodimonte, de Nápolis

Difícil ficar indiferente diante da dramaticidade e do realismo que exprimem, onde o uso da luz ganha tanto destaque.

A primeira versão de “A Conversão de São Paulo”, coleção privada

A exposição é imperdível, uma oportunidade única de ver tantas pinturas de Caravaggio reunidas!

Davi com a Cabeça de Golias, que é o autorretrato de Caravaggio, do acervo da Galleria Borghese de Roma

Mas gostaria de destacar alguns pontos que achei negativos. O primeiro é que o espaço é pequeno para o grande número de visitantes. Os ingressos são vendidos por faixas horárias. E outros pontos:  o sistema de iluminação – é quase irônico falar de iluminação numa exposição de Caravaggio –  mas algumas telas sofrem com os reflexos (talvez fossem necessários espaços maiores)  e as legendas, com letras pequenas, ficam muito próximas às obras e a sombra dos visitantes  que se aproximam para ler, acaba interferindo nos quadros.

As telas estão expostas na altura dos olhos, o que é uma questão positiva. O único porem, é driblar a grande quantidade de pessoas diante das telas

Mas vale muito a pena visitar a exposição, que  reúne um número extraordinário de obras autografadas de Caravaggio,  unindo obras-primas famosas com pinturas raramente vistas, de coleções privadas e novas descobertas. Uma viagem extraordinária através de suas obras!

 

A exposição, que vai até o dia 6 de julho, está acontecendo no Palazzo Barberini, um dos lugares simbólicos da conexão entre o artista e seus patrocinadores

É necessário adquirir com antecedência os bilhetes, que são nominativos. O bilhete para a exposição custa 18 euros.

Caravaggio 2025

7 de  março  – 6 de julho 2025

Galleria di Arte Antica –Palazzo Barberini, Roma

 

Cenáculo de Ognissanti de Florença

Florença guarda preciosos tesouros não muito conhecidos do grande público, como  o  afresco  da Última Ceia, realizado por Domenico Ghirlandaio  em 1480 para o refeitório do Convento de Ognissanti, que muito provavelmente foi uma base importante para Leonardo da Vinci realizar a sua “Última Ceia”, no refeitório do convento de Santa Maria  delle Grazie em Milão.

Cenáculo de Ognissanti: a Última Ceia  do refeitório da Igreja de Ognissanti, foi afrescado em 1480 por Domenico Ghirlandaio. Este é um dos muitos afrescos de grande valor que adornam os refeitórios dos conventos das principais ordens da cidade de Florença

O  Cenáculo com o afresco da Última Ceia de Domenico Ghirlandaio encontra-se no complexo de San Salvatore in Ognissanti, fundado pela Ordem dos Humilhados no século 13.

Colocado na parede do fundo, o grande afresco cria um poderoso jogo ilusionístico, ajudando a ampliar a arquitetura da sala

Uma das características mais fascinantes deste cenáculo é a atenção obsessiva aos detalhes. Ghirlandaio, que foi o mestre de Michelangelo, era conhecido por  realismo, o que é evidente nos rostos e  nas roupas dos personagens retratados.  Sua interpretação é natural  e  também cheia de simbolismo, tão  importante aos homens do Renascimento.

Riqueza de detalhes na Ultima Ceia de Ghirlandaio: Jarras, copos e alimentos estão bem delineados sobre a mesa com detalhes preciosos na toalha de mesa bordada

Depois da enchente de 1966, o afresco foi removido e restaurado. E devido  ao restauro,  veio à tona a sinopia , ou seja, o desenho preparatório, que encontra-se exposto  no local.  No ex-refeitório  ainda estão conservadas  também as antigas pias.
O  acesso ao Cenáculo é  pelo pátio,  com afrescos do século 17  representando as Histórias da Vida de São Francisco.
O convento fica ao lado da igreja de Ognissanti, na Praça de Ognissanti,  e  a entrada é gratuita.
 

A igreja de Orsanmichele de Florença

A Igreja de Orsanmichele está situada em um dos monumentos mais importantes  de Florença, que é o  Complexo de Orsanmichele, que abriga também o museu.  O complexo está localizado no coração de Florença, a poucos metros da praça da Signoria.

Interior da Igreja de Orsanmichele: o belo tabernáculo de Orcagna, realizado em meados do século 14, uma das maiores  obras-primas do artista

A construção apresenta  uma das arquiteturas florentinas mais importantes do século XIV.

Orsanmichele é uma das mais importantes e representativas construções de Florença, um monumento extraordinário que combina funções religiosas e civis

orsanmichele

As primeiras documentações da igreja de Orsanmichele datam de 895, como oratório de San Michele,  construído no século  VIII e chamado San Michele in Orto,  pois era circundado por uma horta que pertencia ao mosteiro beneditino e que foi destruído para dar lugar a um mercado de grãos.

A igreja de Orsanmichele  já foi um mercado de grãos e representa uma interessante síntese entre a arquitetura religiosa e a civil

Os adornos da fachada foram   feitos entre os séculos XV e XVI por grandes mestres escultores, para mostrar que a cidade é uma cidade nova, um cartão de visitas para mostrar ao mundo que Firenze ressurgia, com obras de Donatello, Lorenzo Ghiberti,  Nani di Banco.

A igreja fica na via Calzaiuoli, a poucos metros da Praça della Signoria

 

A arquitetura da loggia era caracterizada por grandes aberturas em forma de arco para os grãos de mercado, palha e cereais, enquanto que o segundo andar era dedicado a escritórios e o terceiro abrigava uma das lojas de grãos da cidade, onde os suprimentos eram armazenados para resistir em caso de cerco.

 

Orsanmichele é o primeiro  canteiro de obras do Renascimento da cidade

Cada corporação fez uma homenagem  ao seu santo padroeiro e por esse motivo podemos admirar sua fachada com 14 estátuas.

História da igreja de Orsanmichele:

No século IX, nesta área, existia um oratório dedicado a San Michele rodeado por um jardim, daí o nome San Michele in Orto ou Orsanmichele. Depois de ter sido durante muito tempo um convento beneditino, no início do século XIII tornou-se sede municipal do mercado de cereais. Em 1284, Arnolfo di Cambio construiu uma grande loggia usada para comércio de grãos, que ganhou importância em 1290, quando uma imagem de Nossa Senhora foi afrescada em seu interior.

A  madonna pintada era venerada por muitos florentinos que a consideravam milagrosa, por isso, com o tempo, a loggia foi usada como local de culto e transformada em igreja. O complexo monumental, com suas formas retangulares,  apresenta arquitetura gótica tardia e testemunha a transição entre a Idade Média e o Renascimento florentino.

A chamada “Virgem do Trigo” acaba por ser um prenúncio de milagres e logo se forma uma irmandade para difundir o seu culto. A partir desse momento começou a vida dupla de Orsanmichele: lugar de comércio e oração.

Devido a um incêndio no início de 1300, a estrutura foi restaurada. Foi em 1337 que começou a reconstrução, onde se formou a maravilhosa estrutura que ainda hoje podemos admirar. As obras terminaram no ano de 1404.

Igreja de Orsanmichele

Em 2024 a Igreja de Orsanmichele foi reestruturada e ganhou nova iluminação, depois de mais de um ano fechada ao público

Graças ao novo layout, alguns afrescos que decoram o interior da igreja, antes cobertos,  foram restaurados e agora podem ser admirados. Foi também  realizada a  limpeza do espetacular tabernáculo de mármore  de Andrea Orcagna, realizado em meados do século 14.

Igreja de Orsanmichele

O tabernáculo de mármore  de Andrea Orcagna, uma das maiores  obras-primas do artista

Igreja de Orsanmichele

 

Museu 

No primeiro e no segundo andares encontra-se o museu,  onde estão conservadas 13 das 14 estátuas que decoram este magnífico complexo.

Museu de Orsanmichele

São obras originais feitas pelos maiores escultores do Renascimento florentino, como  por exemplo Lorenzo Ghiberti , Donatello, Andrea del Verrocchio e Giambologna. Confira neste post mais detalhes sobre o museu.

Essas estátuas foram realizadas principalmente  no século 14 , quando foi decidido que as guildas medievais (que seriam corporações ou associações ligadas  às profissões) mais influentes da época iriam decorar a parte externa da igreja  com estátuas de seus santos padroeiros.

 

igreja de Orsanmichele

As estátuas que vemos nas áreas externas do prédio são cópias e aqui no museu estão conservadas 13 das 14 obras originais

 

Complexo de Orsanmichele

Via dell’Arte della Lana –   Firenze

Valor do bilhete (igreja e museu): 8 euros

Aberto todos os dias, exceto às terças

*os horários e valores podem variar de acordo com a época do ano