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Basilica della Santissima Annunziata de Florença

Neste post falo sobre uma igreja de Florença que não está entre as mais visitadas da cidade mas que é rica de arte,  beleza,  historia e devoção: a maravilhosa Basílica da Santíssima Annunziata.

A igreja foi fundada em 1250 pelos Sete Santos Fundadores da Ordem dos Servos de Maria, conhecidos também como  Servitas e é o principal local de culto mariano em Florença.

Santissima Annunziata

A basílica foi consagrada em 1516

barroco

Decoração barroca no interior da igreja

Com decoração barroca, a igreja passou por ampliações e restaurações e ao longo dos séculos se enriqueceu com inúmeras obras de arte. Aqui já atuaram artistas como Beato Angelico, Andrea del Sarto, Rosso Fiorentino, Michelozzo, Allori, Pontormo e Vasari.

A história do santuário está ligada ao culto de uma pintura milagrosa de Nossa Senhora, mostrando a Anunciação, conservada  numa capela,  restaurada em 2020.  Esta é, portanto, a pintura que dá nome à igreja.

Entrando pela porta principal e virando à esquerda, podemos conferir a  pintura preservada num altar

Milagre

Em 1252, os frades decidiram embelezar o edifício com obras de arte dedicadas à Virgem Maria.   Segundo a lenda, o pintor Fra Bartolomeo,  estava tendo  dificuldade em pintar os detalhes do rosto da Virgem Maria e depois de muito esforço e vencido pelo cansaço de tentativas fracassadas,  acabou adormecendo.  Ao acordar, descobriu que a mão de um anjo havia finalizado os detalhes do rosto da Virgem e por esse motivo a pintura foi chamada de “Anunciação Milagrosa”. A atual  estrutura  da igreja tomou forma em meados do século 15, com projeto realizado por  Michelozzo, arquiteto dos Medici, com a construção de várias capelas,  que foram posteriormente finalizadas por Leon Battista Alberti.

Firenze

A imagem considerada milagrosa e objeto de grande veneração

A atual  estrutura  da igreja tomou forma em meados do século 15, com projeto realizado por  Michelozzo, arquiteto dos Medici, com a construção de várias capelas,  que foram posteriormente finalizadas por Leon Battista Alberti.

volterrano

O interior da cúpula foi pintado com afrescos de Volterrano no final do século 17

santuario-mariano Firenze
O interior da igreja é suntuosamente decorado com dourado, medalhões e estuques.

O Claustro dos  Votos: as boas-vindas com um importante ciclo de afrescos, que foram iniciados em 1460

Antes de entrar na igreja,  não deixe de admirar as pinturas do  belo Claustro dos Votos,  que apresenta um dos ciclos de afrescos mais importantes da história da arte florentina entre os séculos 15 e 16 (foto acima). Os afrescos  foram realizados por artistas que concluíram o período renascentista e iniciaram o do Maneirismo, como Rosso Fiorentino,  Pontormo e  Andrea del Sarto. Ao longo dos séculos, o claustro passou por várias restaurações.

santissima annunziata

A fachada sóbria da igreja

A igreja fica na praça homônima, perto do Museu degli Innocenti (não deixe de conferir o post), uma das primeiras obras renascentistas de Florença.

 

Giorgio Vasari, o pai da história da arte

Giorgio Vasari  é considerado o primeiro historiador moderno de arte. Ele foi um dos mais importantes e ecléticos artistas do século 16.  Em 2024 celebra-se  os 450 anos de sua  morte.

Vasari-Uffizi

Vasari é conhecido por ser o primeiro historiador da arte da era moderna e o pai do termo ‘Renascimento’. Obra atribuída à Jacopo Zucchi, Galeria degli Uffizi

Vasari nasceu em 1511 em Arezzo, onde formou-se com o artista francês Guillaume de Marcillat. Ele foi pintor, arquiteto e  escritor e uma das personalidades mais influentes do cenário artístico do alto renascimento europeu.

Vasari chegou em Florença no ano de 1524 e colaborou inicialmente com Andrea del Sarto, sendo que   poucos anos depois introduziu-se na corte dos Medici e ainda jovem,  com pouco mais de 20 anos, realizou  o retrato do Duque Alessandro de’ Medici.

Aliás, na cidade berço do Renascimento, sua vida  esteve estreitamente  ligada à poderosa família  Medici  durante longos períodos, principalmente colaborando com Cosimo I de’ Medici, que tornou-se o primeiro Grão-Duque da Toscana em 1569.

Vasari  faleceu em 1574 deixando um importante legado que até hoje é consultado: “Le Vite”  ainda é considerada uma das principais fontes de informação sobre as biografias dos artistas do Renascimento italiano, bem como o primeiro documento que exalta a importância do período a partir do século 15, o momento  de “renascimento” da arte, em contraste com a Idade Média.

 

Casa Vasari – Um lugar mágico mas  escondido na cidade de Florença é a  casa  onde o artista viveu nos últimos anos de sua vida.  Inicialmente Vasari morou no local de aluguel, até que recebeu de Cosimo I de’ Medici, para quem realizou uma série de trabalhos, o prédio como  doação.

vasari

Afrescos na Sala Casa Vasari, sua residência, nas proximidades da praça Santa Croce.  Os afrescos que foram  restaurados em 2011

Casa-Vasari

Na faixa superior  das paredes da sala ele retrata os 13 grandes pintores, que foram seus professores e suas referências,  como Michelangelo, Leonardo, Rafael e Andrea del Sarto

vasari
Seu ateliê funcionava no térreo e o edifício ainda preserva inalterado o Salão Nobre, um lindo e grandioso ambiente repleto de  afrescos, realizados por Vasari e colaboradores.

Essas obras representam toda a história de Giorgio Vasari, que foi um grande artista, pintor e arquiteto

As pinturas foram realizadas na segunda metade do século 16 e  estão entre os últimos trabalhos do artista.  A Casa Vasari, que é aberta ao público, fica em Borgo Santa Croce, a poucos passos da Catedral de Santa Croce, em Florença.
Locais onde podemos conferir o importante legado artístico de Vasari em Florença: 

–  Palazzo Vecchio

O Salão dos 500 e alguns ambientes do Palazzo Vecchio,

Salão dos 500, no Palazzo Vecchio: no teto, 39 painéis com imponentes molduras douradas  pintados por Vasari e seus colaboradores que contam episódios  importantes da vida de Cosimo I

 

Quartiere degli Elementi

No Palazzo Vecchio Vasari realizou no Salão dos 500,  no Studiolo di Francesco, no  Quartiere di Eleonora, Quartiere degli Elementi e a Sala Leão X.

Vasari contribuiu também com obras  arquitetônicas grandiosas em Florença, como o Museu Uffizi, inicialmente construído à pedido de Cosimo I de’ Medici para abrigar os escritórios administrativos da Toscana.
Corredor Vasariano

O prédio onde está o Museu Uffizi é uma obra de Vasari e começou a ser construído em 1560

Corredor vasariano

O Corredor Vasariano, que passa sobre a Ponte Vecchio, é um dos notáveis trabalhos deixados pelo pintor, arquiteto e historiador da arte

  –  Igreja Santa Croce
Vasari foi um artista muito importante para a evolução da basílica, realizando importantes intervenções arquitetônicas e decorativas, além do projeto do túmulo monumental de Michelangelo, considerado uma das obras mais emblemáticas do complexo.

A tumba monumental  onde está enterrado Michelangelo Buonarroti: verdadeira  obra-prima, realizada em mármore branco de Carrara

O maravilhoso cibório dourado, custodiado na Capela Bardi di Vernio

A Última Ceia, no cenáculo de Santa Croce

  – Basílica de Santa Maria del Fiore
No interior  da cúpula, o ciclo de afrescos “Juízo Universal”, que começou a ser pintado por Vasari em 1572 e concluído por  Zuccari em 1579.

Interior da cúpula do Duomo, com pinturas realizadas por Vasari e Zuccari, uma das maiores pinturas da historia da arte:  3.600 m22 de superfície

– A Loggia del Pesce
Realizada entre 1567 e 1569 na Piazza dei Ciompi, a Loggia del Pesce  também é de sua autoria, sob encomenda de Cosimo I’ de Medici. A área destinava-se a abrigar os vendedores de peixe e carne que, com a construção do Corredor Vasari,  seriam transferidos para o local.
A contribuição de Vasari é fundamental para referências a obras de arte e para reconstruir o percurso artístico e estilístico de pintores e escultores.
Seus textos na obra “Vidas” estão na base do conceito de “maneirismo”,  pois  é o próprio Vasari quem fala de um “modo”, em referência ao estilo de um  artista.