Arquivo da categoria: Arte e Cultura

A cidade de Pistoia, na Toscana

A cidade toscana de Pistoia foi eleita  Capital Italiana da Cultura de 2017.  A primeira vez que estive na cidade foi para assistir ao show de Caetano Veloso durante o Pistoia Festival, em 2006, na piazza Duomo. Pena que naquele dia havíamos chegado em cima da hora para o espetáculo e não pudemos conhecer a cidade. Durante sua apresentação Caetano comentou que havia visitado o cemitério militar brasileiro na cidade que eu nem sabia que existia.

Pistoia

 

Estive recentemente em Pistoia onde fui  recebida pela minha amiga Michela Ricciarelli, food-tour guia e acompanhante (língua inglesa) e autora do blog Passion4Food4Fashion e simplesmente fiquei encantada com a cidade, que dista apenas 30 Km de Firenze e é cheia de  beleza com lindos monumentos arquitetônicos e que guarda um pouquinho da história do nosso amado Brasil da época da 2ª Guerra Mundial.

Pistoia

15871868_1315598031794753_7351837370845550633_n

Pistoia

O centro histórico de Pistoia é pequeno e você vai poder explorar a cidade a pé. São diversos monumentos em estilo românico e renascentista, principalmente igrejas, que merecem ser visitadas

 

Pistoia

A sempre sorridente Michela, orgulhosa e apaixonada por sua cidade natal. Em sua companhia fizemos um tour pela cidade para conhecer suas principais atrações

 

Pistoia

Com cerca de 90 mil habitantes, a graciosa Pistoia, situado aos pés dos Apeninos, fica entre as cidades de Firenze e Lucca. Apesar de ser uma cidade cheia de história e riquezas arquitetônicas, pouco se escuta sobre essa linda e hospitaleira cidade.

 

Pistoia

Fundada pelos romanos no século II A.C, é provável que a origem de Pistoia seja etrusca

Pistoia foi premiada não apenas pela riqueza de seu patrimônio artístico e arquitetônico mas também pelo incentivo que a administração concede promovendo e incentivando projetos e iniciativas que valorizam a identidade e  as tradições locais.  Pistoia está se empenhando para ser um modelo de cidade média européia que promove a cultura e que investe num estilo de vida eco-sustentável . Vamos agora curtir e admirar as belezas de Pistoia através das fotos de Michela, que nos apresenta suas principais atrações, que podem ser visitadas num passeio de 1 dia na cidade:

“O centro historico de Pistoia é uma bomboniera, pequeno mas que engloba toda a vida da cidade”

Pistoia

15895235_1317497434938146_1019346617742929341_n

16117387_10208195584269180_1670994016_n-1

Pistoia

 

Locais de interesse para quem visita a cidade de Pistoia:

Piazza del Duomo  – A gente começa o passeio nesta praça, que é o centro histórico e artístico da cidade e que abriga as principais construções de Pistoia, como a Catedral de São Zeno, o Batistério, o Palazzo Comunale, o Palazzo dei Vescovi e o Palazzo Petrorio. Na Idade Média era neste local que iniciavam o caminho italiano dos peregrinos que  partiam para Santiago de Compostela.

 

pistoia

Música na piazza del Duomo

 

Piazza-Duomo

A mãe de Michela e suas amigas numa manhã ensolarada de inverno na piazza del Duomo

 

pistoia

Cattedrale di San Zeno  –  A Catedral de São Zeno, construída no século 10 é em estilo românico.  A fachada foi reformada entre  1379 e 1449. No seu interior o famoso altar de prata que demorou mais de 250 anos para ficar pronto.

Pistoia

piazza-duomo

O mercadinho que acontece todos os dias pela manhã na praça do Duomo

img_6608

Batistério – Em frente à igreja encontra-se o Batistério de San Giovanni in Corte, que apresenta uma forma octogonal com sua fachada em mármore branco e verde com arquitetura gótica.

Pistoia

Palazzo Comunale –  Construído entre os séculos 13 e 14, o edifício, em pedra serena,  é a  sede da administração pública da cidade e do Museo Civico, o principal museu da cidade, inaugurado em 1922. Conhecido também como Palazzo degli Anziani e Palazzo di Giano.

pistola-toscana

palazzo-petrorio

Com ironia, Michela fala: Não podemos deixar de notar que cada um dos prédios continua a desenvolver a função para as quais foram construídos: se casa no Catedral, se divorcia no tribunal e volta a se casar no Comune

Palazzo del Podestà ou Petrorio – sede do tribunal, o Palazzo Petrorio, construído no século 14, é famoso pelo seu pátio interno com os estemas dos magistrados. No pátio são realizadas diversas manifestações culturais.

Palazzo-petrorio

O lindo pátio do Palazzo Petrorio

Il Campanile – é possível visitar a Torre Campanária, que tem 67 metros.  São aproximadamente 200 degraus que levam os visitantes até os 60 metros de altura de onde podem admirar a cidade do alto.

16128637_10208192878561539_291119738_n

Pistoia

Piazza della Sala: onde acontece diariamente o mercado de fruta e verdura e onde existem diversas bodegas históricas, enotecas e delicatessens. À noite é o local mais cool e é onde os jovens pistoienses  se encontram : é cheia de locais para fazer aperitivo e jantares a preços modestos. Il Gargantua e il Voronoi são os locais mais da moda.

Piazza-della-Sala

Hospital del Ceppo – A poucos passos da praça do Duomo (na Praça Giovanni, 23) encontra-se o Ospedale del Ceppo, fundado em 1277  que funcionou até 2013 (todos da família são nascidos ali) con o famosa fachada com obras do escultor  Buglioni. É possível fazer o o percurso de Pistoia subterrânea, com visita ao Museo dei Ferri Chirurgici, com objetos da escola de Cirurgia Pistoiense dos séculos 18 e 19. Visita a pagamento.

img_7751-0

pistoia

Biblioteca Forteguerriana – Pistoia conta com uma biblioteca antiga fundada em 1473, a Biblioteca Forteguerriana, que ganhou o nome do seu fundador, o  Cardeal Forteguerri. Fica na piazza della Sapienza.

Basilica della Madonna dell’umiltà –  Consagrada em 1582, a basílica della Madonna dell’Umiltà, com sua cúpula renascentista,  é um dos símbolos da cidade. Realizada por Vasari, sua cúpula tem 59 metros e é avistável de diversos pontos  da cidade.

Pistoia

Basilica-della-Madonna-dell'Umiltà

Basilica della Madonna dell’Umiltà

cupola

A Igreja de San Giovanni Fuorcivitas e Sant’Andrea, que possui o famoso pulpito de Santo André realizado por Giovanni Pisano (1279 -1301), são outras igrejas que merecem uma visita.

Pistoia-Toscana

Fachada da igreja di San Giovanni Fuorcivitas

Chiesa-del-Carmine

A Igreja del Carmine não é sempre aberta ao publico, apenas quando acontecem mostras e eventos

Chiesa-San-Paolo

Do século 10, a igreja de São Paulo

img_5058

 

Arredores de Pistoia

Para quem quiser dedicar mais de 1 dia à cidade e quiser conhecer outras localidades fora do centro histórico, aqui vão as dicas:

 

Pistoia Nursery Park – É uma área verde, um maravilhoso showroom de plantas, o primeiro na Europa onde é possível  passear por entre os mais  lindos e cenográficos exemplares existentes. Para visitas, contatar a empresa. Fica na via Vecchia Pratese.

Abetone –  Este é o principal  destino de inverno da Toscana para os amantes de modalidades esportistas de montanha.  O Abetone é uma cidadezinha com menos de 700 habitantes e está a quase 1400 m acima do nível do mar e possui 50 Km de pistas de esqui. É um excelente destino para quem gosta de caminhadas e trekking. O Abetone fica a 50 Km de Pistoia e a 70 Km de Firenze.

abetone

Parque de Pinóquio – Pistoia é uma cidade kidsfriendly com muitas atrações interessantes para os pequenos! A terra onde nasceram as aventuras do boneco Pinóquio é Collodi, cidade que pertence à província de Pistoia. No mesmo complexo, em frente ao parque,  tem a Butterfly House, um verdadeiro jardim tropical que é uma lindeza! E em Collodi também fica o maravilhoso  jardim da historica da Villa Garzoni, repleto de labirintos e estatuas. O Parco di Pinocchio fica na via San Genaro, 3, em Collodi. Para valor dos ingressos ver no site pois existem diversas opções, de acordo com as atrações.

Zoológico de Pistoia – Nas colinas pistoienses, numa área de 7 hectares, fica o zoológico de Pistoia, com mais de 400 animais. Aberto ao público diariamente às 9.30 com horário de fechamento diferenciado na temporada de inverno e verão.  O ingresso custa 11 euros para crianças (de 3 a 10 anos) e 15 euros adultos. Via Pieve a Celle Nuova, 160.

 

Pistoia

As verdes colinas nos arredores de Pistoia

pistoia

Do século 14, outra atração é a Fortezza de Santa Barbara

Restaurantes nos arredores do centro histórico:

Il pollo d’oro  – Existe desde 1962 em Pistoia e é primeira pizzaria d acidade e restaurnate com pratos tradicionais toscanos, com menu vegano e vegetariano

pizza

A pizza do Il Pollo d’oro, que faz também deliciosas focaccias

Rafanelli  – Pratos da tradição como a bistecca alla fiorentina (top) e vasta escolha de vinhos de alto nível (fica na zona San Agostino, area industrial)

Toscana Fair – A família Mati, que cultiva plantas desde 1909 , inaugurou  há poucos anos o Toscana Fair, graças ao amor pela natureza, pelas tradições gastronômicas e pelo território. Legumes e verduras plantados numa esplêndida area verde abastecem o restaurante, numa location elegante e em meio à natureza. Fica na via Bonellina, 46

 

Locais no centro da cidade:

Sorveteria – MA NI , bem perto ao Battistero. Sorvete feito com ingredientes de primeira qualidade!
Panetteria –   Ballati sulla Sala
Alimentari – da Romolo , onde a gente encontra uma grande variedade de produtos típicos toscanos
Produtos típicos –  la Botte Gaia , na rua di Stracceria e Le Golosità in via Roma para chocolates

Onde tomar um bom café – Grand Cafè le damier, Cafè du globe e Pasticceria da Armando. Um local muito interessante é o Bar Nazionale. Neste bar existe uma sala dedicada para a leitura. Até 1 ano era um salão de slot machine que foi transformado em biblioteca da amizade.  Optaram por um lucro menor a favor da cultura.  Todos podem deixar e pegar livros. Fica naVia Frosini

 

Monumento Votivo Militar

Depois do nosso passeio pelo centro histórico de Pistoia, Michela nos levou até o cemitério de Pistoia, onde haviam sido enterrados os membros da FEB – Força Expedicionária Brasileira – que morreram durante a 2ª Guerra.  O cemitério deu lugar ao Monumento Votivo, erguido em 1967 .

monumento-votivo

O Monumento Votivo Militar fica a poucos minutos do centro de Pistoia. O projeto é de Olavo Redig de Campos, discípulo de Niemeyer

Mais de 25 mil soldadas deixaram o Brasil para lutar na Europa. Desses, 465 perderam suas vidas nas montanhas na região central da Itália. Em memória aos nossos heróis nacionais foi fundado um cemitério militar brasileiro na cidade de Pistoia, em 1945.  Nos anos 50 os restos mortais dos soldados foram transportados e enterrados no Aterro Flamengo, dando lugar ao Monumento Votivo.

cemiterio-guerra

Em 1967 foi erguido o Monumento Votivo, atualmente administrado pelo brasileiro Mario Pereira, que com grande amor e carinho conserva parte da memória do nosso país

O Monumento Votivo Mititar  é administrado por Mario Pereira, filho do único pracinha que morava aqui, o tenente Miguel Pereira. Depois da morte do pai ele passou a cuidar do local. “Aqui estiveram enterrados 462 dos 465 mortos das Forças Armadas Brasileiras, soldados da FEB e pilotos do grupo de caça. Este que se encontra aqui seria o de nº 463,  pois 2 corpos nunca foram encontrados. O soldado desconhecido permanece aqui representando todos os que aqui estiveram enterrrados”, explica Mario, que  administra também o museu que foi inaugurado no local em 2012, que apesar de ter um pequeno acervo, guarda a memória dos pracinhas e ajuda a contar esse importante momento histórico vivido pelos nossos compatriotas através de fotografias e objetos da 2ª guerra.

cimitero-guerra

No local funciona um museu onde podemos conhecer os objetos que foram usados pelos pracinhas, como os telefones, capacetes, uniformes dos combatentes e os uniformes das enfermeiras (vieram 67 enfermeiras brasileiras)

O Monumento Votivo fica na Via delle Sei Arcole

Grazie di cuore Michela e Mario!!! 

Espero que tenham gostado do nosso passeio por Pistoia!  Para um bate e volta saindo de Firenze você pode optar pelo carro, ônibus (trajeto dura 50 minutos com saída nas proximidades da estação ferroviária) ou trem. O percurso de trem dura 33 minutos (€ 4,40),  dependendo da categoria do trem. Você pode desembarcar no centro da cidade e dali começar o seu passeio para descobrir as belezas de Pistoia.

Posts que podem interessar:

O conceito do slow travel

Hospedagem em apartamento em Firenze

Rafting no Rio Arno em Firenze

Bicicletas em Firenze

Aldravas italianas

Refeições ao ar livre em Firenze

Mercado Central de Firenze

Vida na Itália 

Casamento na Itália

As melhores sorveterias de Firenze

Enoturismo, para os apreciadores de vinho

 

Exposição de Weiwei em Firenze

Conhecido por seu espírito rebelde e provocador, o artista plástico contemporâneo Ai Weiwei está expondo em Firenze no histórico Palazzo Strozzi, até o dia 22 janeiro.  O artista, que está celebrando seus 30 anos de carreira, é uma das maiores expressões pela liberdade de expressão. Ele retrata em suas obras temas atuais e propõe aos visitantes um percurso entre instalações monumentais, esculturas, vídeos, fotografias e objetos que são símbolo de sua carreira.

artista-weiwei

O artista chinês é conhecido em todo o mundo pela luta pelos diretos humanos e liberdade de expressão

Weiwei, 57 anos, já levou sua arte aos maiores museus do mundo e traz para Firenze 60 delas, sendo algumas inéditas. Dentre suas obras expostas se alternam aquelas de significado artístico com outras de apelo político e social.

strozzi

Reframe- A fachada do Palazzo Strozzi ganhou 22 botes vermelhos de borracha para chamar a atenção para os refugiados

 

weiwei

No pátio do elegante Palazzo Strozzi, a obra Refraction

Conhecendo as obras de Weiwei

Aqui começa  o percurso expositivo. Com 950 bicicletas, a instalação Stacked mostra o meio de transporte muito comum utilizado na China. Ai weiwei quer chamar a atenção para  o problema do transporte e seu impacto para o ambiente.

wei-wei

Nesta instalação o artista utilizou 950 bicicletas

A obra abaixo chama-se Snake Bag. Em 2008 um terremoto em Sichuan fez 70 mil vítimas, dentre as quais milhares de estudantes, que morreram devido aos desabamentos das escolas que haviam sido feitas com material precário. A memória do drama é representada nesta obra, formada por 360 mochilas costuradas em forma de serpente.

snake-bag

A obra Snake Bag

 

Está vindo para Firenze e precisa de hospedagem? Então confira as dicas de hotéis em Firenze.

 

dsc_0885

weiwei

A foto do centro é o Palazzo Strozzi, onde o artista está expondo

Study of Perspective – São 40 fotografias que foram expostas em 2 salas onde o artista mostra o braço esquerdo com o dedo médio apontado para famosos monumentos mundiais, como a Casa Branca, Torre Eiffel  e o Coliseu. Sua intenção é chamar a atenção do espectador para que reflita sobre a própria visão sobre o governo, instituição e cultura.

ai-weiwei

Visitei a mostra em companhia da Juliana. Aqui ela aparece otografando para o seu perfil do Instagram @coisasdejuh

weiwei

Han Dynasty Vases with Auto Paint. Nesta sala a serie é constituída de 3 fotografias com os vasos pintados ao centro. A sequencia fotográfica mostra Weiwei soltando o vaso até que ele se rompa. Sua expressão é a mesma em todas as fotos

Renaissance – Criadas especialmente para esta exibição, algumas obras da sala Renaissance são retratos de personalidades toscanas como Dante Alighieri e Galileu Galileu, feitos em lego.

dsc_0888

dsc_0901

He Xie, 2011 (em porcelana) “He Xie” em chinês significa rio de caranguejo mas significa também harmonia, palavra predileta do regime que na linguagem da internet significa censura

weiwei

Souvenir de Shanghai, 2012

No andar subterrâneo, na sala Strozzina, a mostra continua com uma série de fotografias do período em que Weiwei viveu em Nova York, entre os anos 80 e 90, quando descobriu a arte de Andy Warhol e Marcel Duchamp.

weiwei

“Tudo é arte, tudo é política”

dsc_0906

weiwei

No elevador do Palazzo Strozzi uma foto de Weiwei quando foi preso. Ele passou 81 dias na prisão por criticar o governo chinês

Ai weiwei . Libero (Palazzo Strozzi, Firenze)

De 23 de setembro a 22 de janeiro

Horários: diariamente da 10 às 20 (quintas atè as 23 h)

Valor do ingresso: 12 euros (inteiro)

 

 

Colheita de azeitonas

O outono é um das estações mais esperados e festejados aqui na Toscana! É o período da colheita de azeitonas e da uva, matéria-prima para 2 dos principais produtos regionais: o azeite extravirgem de oliva e o vinho.

colheita-de-azeitonas

O azeite de oliva é o óleo obtido das azeitonas. O azeite de oliva é essencial para uma dieta saudável, é cheio de propriedades benéficas à saúde, é um forte aliado do coração e auxilia na prevenção de diversas doenças

Semana passada participei da colheita de azeitonas com um grupo de blogueiras e jornalistas à convite da  Villa Medicea di Lilliano.  No final de setembro estive no local participando da colheita de uvas, confira aqui como foi a minha experiência. Vamos agora às fotos da nossa colheita de azeitonas na espetacular villa:

toscana

Fomos recebidos pelo gerente Eric e por Diletta Malenchini, proprietária da empresa, que nos explicaram sobre as etapas que envolvem a produção do azeite. Para ser considerado azeite extra virgem de oliva a acidez deve ser inferior a 0,8%. Para se obter um azeite de qualidade é preciso considerar todo o ciclo de produção, desde as oliveiras até a embalagem utilizada.

Villa-lilliano

O gerente Eric e Diletta Malenchini, proprietária da Villa Medicea di Lilliano. Eric deixou a empresa em 2021

azeitona

Hora de começar a colheita de azeitonas

A família Malenchini possui 12 mil oliveiras e cultivam de forma biológica as espécies de azeitona Frantoio, Leccino, Moraiolo e Pendolino. A proporção é de 8 a 12 litros de azeite para cada 100 quilos de azeitonas colhidas.

colheita-azeitona

Colhemos as azeitonas desta frondosa oliveira que fica nos jardins da villa. A colheita a mão é feita da seguinte forma: voce vai passando um rastelo nos falhos e os frutos vão caindo

A colheita na propriedade da família começou no dia 24 de outubro e a já está terminando, mas reservaram algumas árvores para o nosso grupo.

colheita-de-azeitonas

As azeitonas são recolhidas e colocadas nos engradados

O processamento das azeitonas começa em no máximo 24 horas após a colheita para evitar acidez muito alta.

colheita-de-azeitonas

Muitos fatores influenciam na qualidade do azeite: tipo de azeitona, solo, temperatura, estado de maturação do fruto, acidez e tempo de processamento após a colheita. E quanto menor a acidez , maior a pureza

colher-azeitona

olive

Segundo relatou Diletta, o azeite Malenchini é prensado a frio, o que mantém seus nutrientes benéficos. Para proteger o azeite da oxidação, o vidro da embalagem dDiletta explicando sobre o azeite Malenchini, que é prensado a frio, o que mantém seus nutrientes benéficos. Para proteger o azeite da oxidação, o vidro da embalagem deve ser escuro, pois vidros transparentes não possuem barreira contra a luz e não o protegee da oxidaçãoeve ser escuro, pois vidros transparentes não possuem barreira contra a luz e não o protegee da oxidação

Depois da colheita participamos da degustação do azeite novo.

italian-lifestyle

E na cozinha, um lindo buffet nos aguardava! Nosso almoço farto e saboroso, preparado com azeite extravirgem e regado aos excelentes vinhos produzidos pela empresa.

comida-toscana

Uma seleção de pratos inspirados no outono e preparados, claro, com o azeite extravirgem Malenchini. Crostini variados, sopa de abóbora, presuntos e como prato principal, o peposo. Tudo harmonizado com os vinhos produzidos no local

 

castagnaccio

De sobremesa, castagnaccio, vin santo e cantuccini!!!

Grazie mille Villa Medicea di Lilliano, è stata una bellissima esperienza! 

Posts que podem interessar:

Fiesole, nas colinas fiorentinas

Enoturismo

O terraço do Duomo de Firenze

O que visitar em 2 dias em Firenze

7 rooftops de Firenze

San Galgano

Pratos típicos da Toscana

Como é feito o azeite de oliva

Top 5 de Florença

Quanto se gasta por dia para visitar Firenze?

Campos de lavanda da Toscana

 

A enchente de Firenze de 1966

Em muitos muros de Firenze a gente pode observar uma marca praticamente na altura da porta que traz a data 04-11-66.  Essa é uma lembrança triste e dolorosa: ela indica onde as águas do Rio Arno chegaram, numa enchente que devastou grande parte da Toscana e inundou a cidade de Firenze,  causando a morte de  35 pessoas, 17 na cidade de Firenze e 18 nas províncias.

alluvione

Na época, a cidade ganhou socorro não apenas de italianos – que vieram de norte a sul – mas de tantos estrangeiros de  diversos países do mundo que vieram oferecer ajuda para salvar o patrimônio histórico e cultural de Firenze.

 

 

2.

Depois do Tibre, o Rio Arno  é o mais importante  da região central da Itália. Ele nasce nos Apeninos, atravessa a Toscana passando por Florença e Pisa  e deságua no Mar Tirreno. E no início daquele fatídico novembro, que foi de muita chuva, suas águas transbordaram causando danos em muitas cidades da Toscana.

enchente

Não apenas o centro histórico de Firenze foi devastado como também outras cidades banhadas pela bacia hidrográfica do Arno. Pontedera, Lastra a Signa, Signa, Campi Bisenzio, Quarrata e o Mugello  foram outras localidades que sofreram fortes consequências com a inundação.

enchente-1966

alluvione_di_firenze_piazza_signoria

view-from-piazzale

Calcula-se que a quantidade de água que caiu nas 24 horas entre os dias 3 e 4 de novembro foi de cerca 180/200 litros por metro quadrado

Os danos causados ao patrimônio artístico e arquitetônico foram muitos. Milhares de volumes, dentre preciosos manuscritos e estampas que estavam na Biblioteca Nacional Central ficaram completamente destruídos. A enchente causou danos também à Porta do Paraíso do Batistério e alguns painéis feitos pelo artista Ghiberti se destacaram.

As portas originais, que agora encontram-se no Museo dell’Opera del Duomo,  precisaram ser substituídas por cópias. Incontáveis os danos na Galleria degli Uffizi, que mesmo depois de anos de trabalhos de restauração, não conseguiu recuperar tudo o que foi danificado. A mais importante obra perdida na enchente foi O Crucifixo de Santa Croce, de Cimabue, que encontra-se na Basílica de Santa Croce e que apesar da restauração, foi perdida em 80%.

alluvione-firenze2

Esta é a piazza Santa Croce, completamente tomada pela água. Todas as fotos em preto e branco foram retiradas da internet (divulgação)

images

Resumindo a fatídica manhã do dia 4 de novembro, de acordo com relatos que pesquisei na internet: às 5 da manhã do dia 4 de novembro os ourives da ponte Vecchio (os únicos que foram advertidos) conseguiram salvar as peças preciosas. Logo depois disso o Arno invade e Biblioteca Nacional e atinge Santa Croce. Ao meio dia a água atinge 6 metros e o centro transforma-se em um rio de lama. A enchente de 66 não foi a pior e nem a primeira que inundou Firenze.

Em 1333, a primeira enchente documentada foi ainda mais violenta, chegando a destruir a ponte localizada onde hoje encontramos a  Ponte Vecchio, que foi reconstruída em pedra  no ano de 1345.

enchente-firenze

As famílias se refugiaram  nos tetos das residências, tomadas pela água, que invadiu bodegas, museus e igrejas.  Mais de 8 mil soldados salvaram vidas e ajudaram a população que se viu sem casa, sem roupas e sem alimento. As operações de socorro terminaram no final de dezembro com a juda de 8.200 militares do Exército.

angeli-del-fango

Firenze recebeu ajuda de jovens que chegaram não só de outras cidades italianas mas também do exterior.  Conhecidos como Angeli del frango (Anjos da Lama) eles ajudaram a salvar e recuperar obras de arte soterradas, destruídas em meio à lama. Foi uma verdadeira cadeia internacional de solidariedade em meio à tanta tristeza e destruição.

 

alluvione-firenze

Em muitos muros espalhados por diversas regiões da cidade a gente pode ver a placa indicando até onde a água chegou

 

arno

E muita gente que contempla o Rio Arno assim, lindo e soberano, espelhando a beleza dessa magnífica cidade, não imagina quanta dor e tristeza foram causadas devido à inundação que devastou a cidade em 66

20 atrações grátis em Firenze

Dicas de Firenze

A Igreja de Santa Croce

Nonos da Itália 

A Basílica de Santa Maria Novella

Passeio a bordo do 500

Vinci, a cidade do gênio Leonardo

Vinci, a terra natal de um dos maiores gênios da humanidade,  é um pequeno burgo na Toscana que preserva ainda características do passado e segue num ritmo bem sossegado. E o seu charme está justamente aí: a gente pode passear tranquilamente pelos seus becos e estradinhas estreitas sem o assédio de turistas. Ao menos mês passado, quando estive visitando a cidade, tinham pouquíssimos visitantes circulando pela cidade, conhecida como o local de nascimento do artista renascentista Leonardo Da Vinci.  A cidade não costuma fazer parte dos destinos preferidos dos brasileiros,  que desconhecem que o grande artista herdou  o nome de sua cidade natal, que fica a apenas 44 Km de Firenze.

vinci-toscana

A cidade de Vinci tem menos de 15 mil habitantes e pertence à província de Firenze

O cenário de Vinci é típico de muitas cidades do interior da Toscana: com oliveiras e videiras  que ladeiam suas estradas e compõem o panorama repleto de colinas.

vinci-italia

vinci

Estive visitando Vinci com uma amiga que mora em Montecatini Terme, de onde saímos de carro até a terra de Leonardo, num percurso que durou menos de 3o minutos. A cidade apresenta características diferentes, pois na parte de baixo, aos pés do burgo, a gente confere edificações mais contemporâneas enquanto que na parte superior estão as construções medievais.

vinci-toscana

Leonardo passou sua infância por essas ruelas, antes de transferir-se à Firenze

vinci-italia

As construções do burgo medieval e a a Biblioteca Leonardiana , onde estão documentadas muitas obras do gênio toscano

Locais de interesse: 

vinci-italia-leonardo

Praça da Liberdade, onde foi colocado um monumento em bronze da escultora Nina Adamu. É uma estatua inspirada nos numerosos desenhos de cavalo feitos por Leonardo.

Museo Leonardiano – Abriga protótipos baseados em estudos e desenhos de Leonardo. A exposição permanente conta a vida e as obras do gênio, mostrando máquinas, reconstruções digitais de seus projetos em tamanho natural, suas criações mais geniais e visionarias às informações e anedotas de sua vida cotidiana. Existem 2 sedes do museu leonardiano, que são bem próximas.

museu-leonardiano

As máquinas de construção usadas por Brunelleschi para construir o Duomo de Firenze despertaram a curiosidade de um jovem Leonardo, que dedicou-se também à engenharia

Uma nova área dedicada aos estudos anatômicos foi inaugurada no museu Leonardiano  com uma série de atividades didáticas e visitas temáticas que ajudarão a descobrir o grande interesse que guiou Leonardo à descoberta do corpo humano.

A Palazzina Uzielli–   fica na Piazza dei Guidi, um espaço urbano inaugurado em 2006,  recriado pelo artista contemporâneo Mimmo Paladino e inspirado nos estudos de Leonardo. Neste prédio funcionam a bilheteria, o bookshop e os setores dedicados às maquinas de construção, tecnologia da manufatura têxtil e relógios mecânicos. O espaço abriga também  exposições temporárias  e uma ampla sala para percursos  didáticos que são propostos pelo museu.

museo-leonardiano

A Palazzina Uzielli

O Castello dei Conti Guidi, um imponente palácio medieval, abriga a segunda parte  do percurso expositivo. Desde 1953 o castelo é sede do museu. No primeiro andar são obras dedicadas à engenharia civil, máquinas de guerra, vôo, mecânica e instrumentos.  No segundo andar estudos de ética, carros automotores, bicicleta e estudos relacionados à navegação .

castello-conti-guidi

É possivel admirar a cidade do alto do terraço panorâmico no Castello dei Conti Guidi após a visita às salas do museu (foto divulgação)

vitruviano

Praça Guido Masi, um espaço aberto de onde temos uma linda vista da cidade, bem próximo ao Castello dei Conti Guidi, onde está a escultura de Mario Cerol, O Homem Vitruviano, que reproduz o famoso desenho de Leonardo que descreve uma figura masculina nua e separada em 2 posições sobrepostas com os braços inscritos num circulo e num quadrado, com a cabeça calculada como sendo um oitavão da altura total. A precisão matemática das proporções é o que tornou famoso este desenho, com harmonia das formas e do movimento. Atualmente encontra-se na Galeria dell’Accademia de Veneza.

igreja-leonardo

A Igreja de Santa Croce

A Igreja de Santa Croce, que fica no burgo, bem pertinho do circuito dos museus. Foi consolidada no século 13 e posteriormente restaurada em estilo neo-renascentista. Foi nesta igreja que Leonardo foi batizado, em 1452.

A Casa natal de Leonardo –  A casa colônica onde provavelmente nasceu o artista, em Anchiano, é imersa numa área verde, afastada do centro histórico. Com acesso de carro ou  ônibus, a casa fica na Strada Verde, distante 3 Km do burgo, portanto, para quem se anima, pode percorrer a estrada a pé. Aberta diariamente, das 10 às 19h ( de março a outubro até as 19h)

casa-Leonardo

A casa de Anchiano- Não é uma certeza, mas esta é a a casa atribuída como o local de nascimento de Leonard , na localidade de Anchiano, em Vinci, em 1452, filho ilegítimo de Sir Piero, um proprietário rural. Ele adotou o sobrenome em referência à sua cidade natal (foto divulgação)

Para consultar horários e tarifas, clique aqui. Existe um ingresso único que permite visitar o Museu Leonardiano, a Casa Natal de Leonardo e a Mostra L’Impossibile Leonardo que custa 11 euros.

 

Sobre Leonardo da Vinci
leonardo-vinci

Autorretrato, Torino, biblioteca Reale (em torno de 1513)

Leonardo di ser Piero da Vinci, que significa Leonardo, filho de Piero, de Vinci, foi o maior artista da humanidade. Leonardo não foi apenas pintor, mas  escultor, inventor, astrônomo, matemático, engenheiro. Nasceu em Anchiano (Vinci), no dia 15 de abril de 1452. Fruto de uma relação ilegítima,  dizem que só conheceu a mãe, a camponesa Caterina, quando ela já era anciã e pouco antes de sua morte. Apesar de ser filho ilegítimo, foi acolhido na residência paterna. Foi criado pelo avô paterno e preferiu não seguir a atividade do pai, que era tabelião.  Desde sempre muito curioso, passou a sua infância a observar e estudar a natureza. Quando tinha 16 anos perdeu o avô e toda a família se transfere para Firenze.

 

Manuscritos de Leonardo do Código Atlântico. Ele era canhoto e escrevia de trás pra frente e começava da direita para a esquerda

Suas habilidades foram percebidas desde cedo: aos 17 anos Leonardo foi aceito na oficina de Andrea Verrocchio onde, entre 1469 e 1478,  aprendeu técnicas de fundição e recebeu aprendizado sobre perspectiva e o uso das cores.  Com apenas 19 anos foi encarregado de colocar a uma esfera de bronze no topo da magnífica cúpula de Brunelleschi. Leonardo desenvolveu um sistema de gruas para elevar a mais de 100 m do chão e a posicionar sobre a catedral.  Aos 20 anos já fazia parte da corporação dos Pintores de Firenze.

Registros da corte de Florença  datados de 1476 acusam Leonardo e outros três jovens de sodomia.  Eles teriam sido pegos em flagrante tendo relações sexuais com um jovem, Jacopo Santarelli, na época com 17 anos. Uma denúncia anonima foi apresentada  mas foi dada como infundada. Mesmo assim,   essa acusação  deixou uma mancha em sua carreira artística.

Quatro anos após esse episódio, Leonardo foi excluído do grupo de artistas que  Lorenzo Il Magnifico enviou à Roma ao Papa Sisto IV, no ano  1480, para decorar os afrescos da Capela Sistina.

Em 1482, Leonardo deixou Florença e transferiu-se para Milão para atuar com a família Sforza. Encontrou  na cidade, onde passou 16 anos,  um clima intelectual e estimulante nos vários campos, como no da ciência, tecnologia e arte. Inclusive ele sustentava que ciência e arte eram coisas que não se separavam, pois estavam vinculadas. De 1492 a 1499, por ordem do duque de Milão,  envolveu-se  em diversos projetos nos campos artístico, de construção e até militar.

Com a invasão de Milão por parte dos franceses, Leonardo deixa Milão, em 1499. Ele retornou a Florença em 1500 e durante esse período  pintou “A Virgem e o Filho com Santa Ana”.

Curioso, foi um dos primeiros a sondar os segredos do corpo humano e o desenvolvimento dos fetos no útero, dissecando cadáveres para estudá-los. Dedicou-se a escrever da direita para a esquerda, de forma que suas anotações pudessem ser refletidas no espelho. Criou projetos de hidráulica, geologia, mecânica e diversos na de área da engenharia. Leonardo, observando a natureza, analisou todos os campos do conhecimento: ciência, anatomia, arte. Estudiosos descobriram que seu QI era de 180 (bem, a média do quociente de inteligência é de 90 a 109).

Seu amor pela natureza e pelos animais não se limitava à observação e representação de suas formas. Leonardo também foi animalista e sempre lutou pela liberdade dos animais. De acordo com os relatos do arquiteto Vasari,  comprava e libertava os pássaros,  deixando-os voar em total liberdade,  que era seu direito natural. Era vegetariano, por escolha ética e respeito aos animais.

Leonardo foi deserdado quando  perdeu o  pai mas herdou as posses de seu tio. Em seu testamento, deixou  aos meio-irmãos os seus bens.

Leonardo era conhecido principalmente como pintor e são de sua autoria 2 das obras mais apreciados no mundo:   A MonaLisa ou Gioconda, que encontra-se no Louvre, e a Última Ceia, um dos maiores bens conhecidos e estimados do mundo. O afresco encontra-se no Convento Santa Maria delle Grazie, em Milão.

 

the-last-super

A Última Ceia, um afresco de Leonardo da Vinci para a igreja de Santa Maria delle Grazie, em Milão, provavelmente iniciado por volta de 1495/1496

Morou em Milão, Veneza e Roma e em 1513 muda-se pela segunda vez para   para a França,  a convite do soberano Francisco I, que o convidou a morar no Castelo de Clous.  Ele morreu na França aos 67 anos,  no dia 2 de maio de 1519. Não há mais vestígios de seus restos mortais devido à violação do túmulo durante as guerras religiosas do século 16.

Come chegar:

A melhor forma é alugar um carro e sair desbravando a bucólica região. Não há estação ferroviária em Vinci.  Saindo de Firenze voce pode pegar um trem até Empoli e de lá  um ônibus da empresa Piubus. O percurso de Empoli até Vinci dura 26 minutos e a linha é a 52.

 

Celebração dos 500 anos da morte de Leonardo

Em 2019, para celebrar os 500 anos da morte do gênio,  a exposição Leonardo e Firenze, lembrando o vínculo que sempre teve com a cidade.  São 12 folhas do Código Atlantico da Biblioteca Ambrosiana expostas entre 29 de março e 24 de junho, na Sala dei Gigli do Palazzo Vecchio, com referências ao lugar de origem de Leonardo.

da-vinci

Na sala de projeção, imagens que apresentam as maiores obras de Leonardo, como a Gioconda, A Ultima Ceia A e A Adoração dos Magos

Museu Leonardo Da Vinci de Firenze – A exposição das “Máquinas de Leonardo da Vinci” pode ser conferida em Firenze, na centralíssima Via Cavour, a poucos passos do Duomo, no museu interativo Leonardo da Vinci com mais de 50 modelos de máquinas. O ingresso custa 7 eursos. O museu fica na Via Cavour, 21

museo-leopardo-da-vinci

O museu Leonardo Da Vinci de Firenze

 

da-vinci

A estátua de Leonardo da Vinci no pátio da Galleria degli Uffizi de Firenze

 

Em Firenze, as pinturas de Leonardo da Vinci podem ser admiradas na Galleria degli Uffizi, que reúne três obras do pintor, realizadas quando o artista iniciou seus estudos na oficina de Verrocchio São trabalhos de sua juventude, como L’adorazione dei Magi, il Battesimo di Cristo el’Annunciazione.

A obra Anunciação

A cúpula do Duomo de Firenze

A cúpula da Catedral de Santa Maria del Fiore, o Duomo de Firenze, construída pelo grande mestre Filippo Brunelleschi no início do século 15, é um dos maiores símbolos da arquitetura renascentista. É um extraordinário e audacioso  projeto, com utilização de uma revolucionária técnica de construção para a época e que até hoje impressiona.

A cúpula  do Duomo é um dos mai0res símbolos de Florença que pode ser vista de diversos pontos da cidade.  Ela foi realizada entre 1420 e 1436 e é a maior cúpula em alvenaria do mundo.

Contemplar Florença do alto da cúpula  de Brunelleschi, tendo todas as suas construções seculares a nossos pés, é um deleite! Principalmente depois de superar 463 degraus numa subida íngreme, onde em alguns pontos a passagem é  super estreita e com a pavimentação irregular. Mas a vista que ganhamos ao chegarmos no topo do Duomo  é de lavar a alma!

 

 

História da cúpula

Em 1418  Filippo Bunelleschi foi o vencedor de um concurso de arquitetura para a construção da cúpula da Catedral Santa Maria del Fiore. Uma curiosidade é que Brunelleschi havia sido escolhido para fazer a cúpula junto ao artista Lorenzo Ghiberti, autor da Porta do Paraíso, e seu rival, visto que em 1401 foi Ghiberti que faturou o primeiro lugar no lugar para a construção das portas Norte do Batistério de San Giovanni.

Brunelleschi, desolado pela derrota, não se sentiu compreendido na época quando apresentou seu projeto para as portas do batistério e decidiu ir para Roma com seu amigo Donatello.    Na cidade eterna passa dias inteiros no Panteão e estudando também os fóruns para examinar as técnicas de construção usadas pelos grandes engenheiros romanos.

Mas voltando à cúpula, um fato curioso:  no início das obras Brunelleschi faltou ao trabalho  dizendo que estava doente e quando retornou disse que a obra estava  sendo realizada de forma incorreta. Ele quis humilhar Ghiberti e deixá-lo de fora. Depois disso conseguiu se liberar do seu antigo “rival” e seguir sozinho como arquiteto responsável.

A catedral até então não havia um teto, mas apresentava um grande buraco. Brunelleschi era um ourives e não um arquiteto. Com uma proposta ousada, ele  apresentou um projeto com 2 cúpulas, uma interna e outra externa.

A cúpula do Duomo foi construída  por Brunelleschi, o primeiro arquiteto renascentista. Esta é a maior cúpula em alvenaria do mundo e  anos de pesquisa foram necessários para que se compreendesse como foi feito

O tambor octogonal, a base da cúpula, tem  cerca de  55 metros de altura  e 116  até no topo dela. Uma estrutura imensa, presumivelmente composta por mais de 4 milhões de tijolos. A cúpula serviu de modelo para outras cúpulas do mundo,  como  a de San Pietro  no  Vaticano, desenhada por Michelangelo.

 

O interior da cúpula, com pinturas realizadas por Vasari e Zuccari

Afrescos no interior – A pintura mural da cúpula retrata o Juízo Final e foi encomendada por Cosimo I à Vasari, que criou os desenhos preparatórios e iniciou as  pinturas em 1572.   Depois da morte do artista e do Grão-Duque, em 1574,  o  sucessor dos Medici, Francesco I,  solicitou a finalização dos afrescos ao artista Federico Zuccari. É uma das maiores pinturas da história da arte: 3.600 m2 de superfície com mais de 700 figuras, das quais 248 anjos, 235 almas, 21 personificações, 102 personagens religiosos,  dentre outras figuras de malvados, monstros e animais.

 

Florence

A complexidade da obra despertou por séculos a curiosidade pois era permeada de segredos que foram revelados depois de quase 40 anos de estudos: como ele conseguiu  construir a gigantesca estrutura sem usar um suporte de madeira ou ferro?

 

catedral-santa-maria-del-fiore

A cúpula do Duomo foi construída por Brunelleschi, o primeiro arquiteto renascentista

 

Curiosidade

Peposo all’Impruneta o alla fornacina –  Uma curiosidade que envolve a construção dessa magnífica obra é que uma típica receita toscana está intimamente ligada à  história da cúpula.  Diz-se que durante a construção da cúpula da catedral, Brunelleschi  ia à Impruneta, cidade próxima à Florença e famosa pela produção da terracota, material que foi utilizado na obra, e ali ele viu a preparação do peposo all’Impruenta, prato feito com músculo, vinho e pimenta do reino,  preparado nas tigelas de barro. O   cozimento da carne era muito lento. O músculo era cortado em cubinhos, colocado na panela de barro junto com vinho tinto e muita pimenta, que ajudava  a encobrir a baixa qualidade da carne, que cozinhava por horas até amolecer e  ficar mais saborosa. O prato era preparado na boca dos fornos que eram utilizados para assar a terracota. Brunelleschi  ficou impressionado com este prato pobre, mas muito saboroso,  e decidiu levá-lo também para os canteiros de obras do Duomo.  Segundo uma tradição, os operários que trabalhavam na construção da cúpula saíam para almoçar e se atrasavam para iniciar o turno vespertino. Muitos voltavam embriagados depois de almoços prolongados e regado à muito vinho, imaginem que precisavam superar  463 degraus até o topo da cúpula!. Uma solução encontrada por Brunelleschi foi a de preparar um prato no próprio local de trabalho,  aproveitando os fornos acesos para o cozimento da terracota, que é muito utilizada para a realização cerâmicas  e também para construções.  Terracota significa “terra cozida” e apresenta coloração avermelhada.  Esse material, que é um tipo de cerâmica, é sólido e ao mesmo tempo leve. É trabalhado manualmente e depois assado nos fornos. Ainda é utilizado  em esculturas,  na confecção de tijolos, vasos e telhas.

Já escrevi um post sobre os pratos típicos da cozinha toscana.

O almoço dos operários envolvidos na construção da cúpula era preparado no próprio local de trabalho. Alguns dizem que Brunelleschi se inspirou numa receita que havia visto em Impruneta, cidade nas colinas toscanas famosa pela produção da terracota, material utilizado na cúpula

 

A conclusão de muitas décadas de estudos pelo arquiteto Massimo Ricci é a seguinte: ele utilizou um sistema de cordas  que permitia calcular a posição e o ângulo em que cada tijolo deveria ser colocado. Os tijolos foram colocados na diagonal, como a espinha de um peixe, com o auxílio de cordas que permitia calcular  a posição e o angulo esta em que cada tipojo precisaria ser posicionado. Um sistema jamais visto e repetido na história.

cupula-Duomo

Alguns trechos são bem estreitos com pontos de difícil acesso. Algumas pessoas se sentem mal e precisam ser acudidas, e até mesmo o acesso para os socorristas é complicado. Não é recomendável para quem sofre de claustrofobia

 

panorama-Firenze

 

Duomo-Italia

 

duomo

A Catedral é a principal igreja fiorentina e é um dos símbolos da cidade

 

Horários e valores: O acesso à igreja é gratuito. O ingresso para visitar a cúpula de Brunelescchi custa 15 euros e você tem direito a visitar também o Campanário de Giotto,  a cripta e o Batistério e o Museu. Veja aqui no site oficial sobre os horários, que sofrem alterações de acordo com a época do ano.

 

duomo-cupula

Na piazza Duomo a fila com as pessoas que aguardam para subir até a cúpula. Em determinado ponto existe uma placa informando que o tempo de espera é de aproximadamente 1 hora. A entrada é pela Porta della Mandorla

Quer uma maneira deliciosa para conhecer Firenze?

Participe de um tour enogastronômico.

 

Posts que podem interessar:

10 bate e voltas saindo de Florença

Rafting no Rio Arno em Firenze

Bicicletas em Firenze

Aldravas italianas

Perfumaria Santa Maria Novella

Onde comprar souvernis de Firenze

Agroturismo, uma forma simples e autêntica de hospedagem 

Cappella Brancacci e as obras de Masaccio

 

A colheita de uvas na Itália

O mês de setembro é um dos mais importantes e esperados aqui na Itália:  é o momento de darmos as boas-vindas ao outono e é também o período da tão esperada vindima, a colheita de uvas para a produção de vinho, um dos costumes mais enraigados na cultura deste país.  E este ano eu participei pela primaria vez de uma vindima, a convite da Villa Medicea di Lilliano, que fica nos arredores de Firenze.

villa-medicea

Esta é a segunda vez que visito a elegante propriedade, que já pertenceu à poderosa família Medici e que tem como proprietários desde 1830 a família Malenchini, que há mais de um século se dedica à produção de vinho e azeite

A área abrange 70 hectares,  circundada de videiras e oliveiras a perder de vista, um cenário verde deslumbrante. E é aqui nas colinas do Chianti fiorentino que  a  renomada vinícola Malenchini, convertida em empresa biológica desde 2014, produz Chianti DOCG, Chianti Colli Fiorentini DOCG, Vin Santo DOC  e o Super Tuscan IGT Bruzzico e produz degustações de vinho e de típicos produtos toscanos.

vendemmia

São 17 hectares de vinhedos, onde são cultivadas uvas Sangiovese, Canaiolo, Merlot e Cabernet Sauvignon

Durante o verão as uvas ganham forma, cor e sabor… e dependendo das condições climáticas e do território, geralmente no início do outono é quando acontece a colheita.

vindima-italia

A vindima se modernizou em muitos aspectos mas ainda é realizada em clima de festa e confraternização. Nesta foto os blogueiros convidados junto ao pessoal que estava realizando a colheita, um grupo de amigos constituído basicamente por rapazes (tinha apenas uma mulher com eles nesse dia)

 

Quem nos acompanhou até os campos onde estava sendo realizada a colheita foi  Diletta Malenchini, proprietária da vinícola, e o gerente, o simpaticíssimo e divertido Eric Veroliemeulen . A  vindima dura cerca de 3 semanas e geralmente acontece no mês de setembro, mas o dia exato depende antes de mais nada das condições climáticas. Para saber se é o momento certo de começar a colher, Diletta nos explicou que utilizam um refratômetro, aparelho que permite medir a quantidade de açúcar da uva. Baseado no resultado,  um agrônomo e um sommelier decidem se é hora de colher os frutos, de acordo com o tipo de vinho que esperam produzir.
vendemmia

Munidos de luvas e tesouras, o nosso grupo de blogueiros participou da colheita das uvas, que por sinal, estavam super doces e saborosas!

 

vindima

Parece diversão, mas é trabalho. Uma coisa é passar uma horinha passeando entre as videiras e fazendo fotos, outra coisa é encarar todo o período da vindima. Falo isso porque algumas pessoas me escreveram dizendo que queriam participar. Para mais detalhes, entrem em contato direto com a administração da Malenchini pois eles oferecem degustações com possibilidade de visitar as plantações

A vindima é uma tradição que faz parte da cultura italiana, que comemora a cada ano o momento da colheita das uvas, que consiste num trabalho manual onde são utilizadas tesouras.  É preciso ter bastante atenção para colher apenas as uvas sadias  (me falaram para observar se as uvas não tinham mofo na parte interna dos cachos. As uvas secas também são descartadas já no momento da colheita).

vinhedo

Diletta e Eric no caminhão carregadinho de uvas, que são super mocinhas e saborosas

dsc_0587

Logo após a colheita, o transporte para a adega é imediato pois o calor que costuma fazer nesse período pode levar a uma fermentação prematura das uvas.

harvest

Num primeiro momento, uma máquina exclui os pequenos ramos e amassa as uvas, que depois é  transportado para a “cantina”, local onde é feito o vinho. Ali acontece a prensagem (pressionam a polpa da uva delicadamente para extrair o sumo). Depois o líquido, chamado mosto,  deve fermentar em tanques de aço inox à temperatura controlada. Ali começa a primeira etapa do processo, que dura cerca de 10 dias e é conhecido como rimontaggio, onde o suco e a casca (que costuma ficar na superfície) são misturados três vezes por dia. Este processo serve para dar cor ao vinho, já que é a casca que dá cor à bebida.  Portanto, saibam que é impossível obter vinho tinto a partir de uvas brancas,  pois suas cascas não apresentam pigmentação necessária para dar cor a um vinho tinto.

wine

Em seguida, acontece o segundo processo de fermentação, que dura cerca de 3 meses e é quando o vinho é é “svinato”: é o momento  de separar o líquido da casca, que são prensadas até que se extraia todo o líquido.   As cascas são prensadas mais uma vez e seguem para a destilaria para se tornar grappa,  uma bebida italiana de alto teor alcoólico, feita por destilação de resíduos de bagaço de uva. Depois desta segunda fermentação,  o vinho pode seguir caminhos diferentes, dependendo do resultado que querem obter. Depois do envelhecimento em barris especiais de madeira  e que podem durar anos (essa etapa é a mais interessante e complexa),  a bebida está pronta para o consumo.

vinho

Alguém ai a fim de uma tacinha direto da fonte? 😉

Depois dessa inesquecível experiência, fomos recebidos na villa, onde nos esperava um almoço especial com delícias da cozinha toscana.  Como é bom confraternizar ao redor da boa mesa!!!

comida-italiana

E não podia faltar a tradicional schiacciata con l’uva, preparada com todo carinho pela senhora Marina Malenchini

A minha amiga Valentina Danielli, que também participou da colheita, conta em seu ótimo blog Too Much Tuscany  sobre a essa experiência, confira aqui o texto dela.

Posts que podem interessar:

Turistas pagam mais caro para consumir

Pratos típicos da Toscana

Agroturismo, uma forma simples e autêntica de hospedagem 

Cappella Brancacci e as obras de Masaccio

Vinci, a cidade do gênio Leonardo

Refeições ao ar livre em Firenze

 

Pratos típicos da Toscana

A Toscana é uma das regiões italianas mais ricas de pratos típicos.  Se você tem planos de passear por aqui e aproveitar o que de melhor a  cozinha local pode oferecer, confira aqui para ficar por dentro de tudo o que pode pedir nos restaurantes.

 

cozinha-toscana

Muitas receitas da tradição toscana são as que definimos hoje em dia vegetariana. Isso porque a gastronomia local tem sua origem ligada aos camponeses e que nem sempre tinham possibilidade de preparar pratos com carne

 

A Toscana é terra de camponeses e sua cozinha, que tem como base ingredientes frescos e genuínos, além de ser sazonal é muito simples.  Inclusive é conhecida como cucina povera, isso é, cozinha pobre. Mas nem por isso não deliciosa! A gastronomia toscana é repleta de aromas e sabores! Muitos pratos fazem alusão à sua origem rural e e  essa simplicidade que seduz e surpreende.  Muitos pratos são à base de pão e azeite, pois a Toscana é uma rica região produtora de azeite de oliva (veja mais aqui) e isso faz toda a a diferença no preparo de inúmeras receitas.  A gastronomia local baseia-se nos produtos que temos à disposição aqui no território.  Para você saborear um delicioso prato típico da culinária toscana é preciso levar em consideração a estação do ano.  Alguns pratos são encontrados apenas no verão e outros apenas no inverno  (quando os restaurantes utilizam produtos congelados, indicam no menu). Agora explico um pouquinho sobre cada especialidade:

 

Pão sem sal – Difícil falar de gastronomia toscana sem citar o pão, utilizado como base de muitos antepastos e sopas. O pão toscano é sem sal, tem o miolo macio e a crosta crocante. No início eu achava estranho mas atualmente adoro e  chego a sentir falta quando viajo para outras regiões e não consigo encontrá-lo. O pão toscano é oferecido no início da refeição e é uma delicia com uma pitadinha de sal e azeite.

pao-toscano

O pão toscano serve de base para alguns antepastos toscanos e também é usado na preparação de alguns pratos típicos

 

Crostini –  Servidos como antepasto, são fatias de pão tostado com uma variedade de sabores. Tem crostini de fegatini (preparado com fígado de frango), funghi, bruschetta (principalmente no verão), queijo brie e nozes , tomate, apenas azeite ou linguiça e queijo stracchino (este é uma perdição!) . E nos meses frios, a bruschetta de tomate se transforma em fettunta. E não há nada de mais simples para preparar:  depois de tostar o pão, basta passar um pouquinho de alho e caprichar no azeite extra-virgem de oliva.

crostini-toscani

 

Presunto – O Prosciutto Toscano DOP – Denominaçao de Origem  Protegida –  é produzido apenas aqui no território toscano e envelhecido no mínimo 12 meses. Geralmente o presunto é servido como antepasto. Se vier aqui no verão, não deixe de experimentar presunto cru e melão, que formam uma dupla irresistível!

Antipasto-toscano

 

Finocchiona-   é um tipo de salame típico do sul da Toscana preparado com erva-doce (funcho). Quando pedimos affettati misti toscani como antepasto geralmente incluem também a finocchiona.

 

Lampredotto – típico de Firenze, você vai encontrar diversas barraquinhas espalhadas pela cidade que servem a iguaria. O lampredotto é servido como sanduíche e bastante comum em toda a Toscana. O panino al lampredotto, que é preparado com  a 4ª parte do estômago do boi, ocupa um dos primeiros lugares quando o assunto é street-food. Visitar Firenze e não experimentar esse clássico não vale!

 

O panino al lampredotto encabeça a preferência do street-food de Firenze

 

Bistecca alla fiorentina –  a bistecca é bem alta, com corte em “T”, preparada na grelha e servida bem mal passada dentro, bastante rosada. É  feita com a carne Chianina,  raça de boi da região toscana do Val di Chiana. Sempre digo e vou repetir: não peça a bistecca bem passada. Se você não curte carne ao sangue, escolha outro prato.

bistecca

A bistecca alla fiorentina é super macia e mal passada

Pepposo dell’Imprunetta– Este prato é preparado com cubos de carne, bastante pimenta do reino em grãos e vinho tinto. Algumas pessoas acrescentam alho e tomate. É preciso cozinhar a fogo baixo por bastante tempo, tipo 2 ou 3 horas,  e quando feito com músculo da carne Chianina é ainda mais gostoso!  O nome do prato deriva da localidade de Imprunetta, nas colinas de Firenze.

 

peposo

 

Pappardelle al ragù di cinghiale–  é um prato típico da Maremma, sul da Toscana. O molho lembra bastante o ragú alla bolognese, mas tem um sabor mais selvagem.  A gente encontra esta massa com molho de javali praticamente o ano todo.

pratos-típicos

 

Pappardelle alla lepre –. Outra receita típica toscana com carne de caça é o pappardelle com carne de lebre. Assim como o  javali, a carne às vezes é marinada por até 48 horas  para eliminar o forte odor.

 

Pratos vegetarianos 

Panzanella– é um prato rústico e típico da cozinha toscana,  servido como primo (no lugar da pasta). É preparada à base de pao dormido molhado na  água. Como é super fácil fazer, deixo inclusive aqui a receita: deixe o pao dormido embebido em agua filtrada por cerca de 1 hora. Depois amasse com as mãos para tirar a agua e esmigalhe os pedaços. Acrescente tomate, pepino, fatias bem  fininhas de cebola vermelha, manjericão,  folhas de rúcula (se quiser)  e bastante azeite.  Uma pitada de sal  e pimenta do reino fresca a gosto. Veja aqui a  receita da panzanella toscana.

 

Ribollita – este é um prato preparado com pão velho e verduras das regiões de Pisa e Firenze que surgiu  para reaproveitar as sobras. Esta é uma sopa de verduras com pão, requentada (bollire significa ferver, cozinhar… ribollita significa cozinhada 2 vezes).  Em muitos locais você encontra o ano todo, mas aqui é bem mais consumida no inverno.

ribolita

 

Minestra di pane – esta é uma sopa de pão com legumes.  É preparada com pedacinhos de batata, cenoura, aipo, cebola, tomate e feijão e encontrada nos restaurantes entre novembro e março, que são os meses mais frios do ano.

 

Crespelle alla fiorentina – é  como um crepe ou panqueca, com a massa fininha, preparado com  recheio de espinafre e ricota

 

Cecina – A cecina é uma torta de grão de bico,  que surgiu de forma  aleatória  através da mistura de farinha de grão de bico, azeite e água. Muitos atribuem  a sua origem à “farinata ligue”. É uma torta bem baixinha, crocante fora e macia por dentro. Pode ser degustada com pão ou schiacciata. Ainda mais saborosa quando feita no fogão a lenha.

Pappa al pomodoro – dentre os chamados pratos pobres, este é o principal deles. A pappa al pomodoro é uma deliciosa sopa de pão, alho, manjericão e tomates. A qualidade dos tomates é primordial para um excelente resultado. E é no verão que o fruto amadurece, portanto,  agosto e setembro são meses excelentes para se saborear este típico prato toscano. Você encontra a pappa al pomodoro durante todo o ano, mas nos meses de inverno ela é feita com a massa de tomate congelada ou então com molho de tomate industrializado.

A pappa al pomodoro é um dos principais pratos da cozinha toscana

Cacciucco –  o cacciucco mais tradicional é o preparado com peixe, pois existem também outras variantes. Esta sopa de peixe preparada com frutos do mar é servida sobre o pão tostado.  Este prato é típico de Livorno e bastante difundida também em Viareggio e surgiu também das sobras, ou seja, dos peixes de qualidade inferior que eram aproveitados sobre um pedaço de pão. Leva polvo, lula, mexilhões, camarões. Uma delícia!!!

cacciucco

Cacciucco alla livornese

 

Pici – Não  é  um prato, mas um tipo de massa, bem parecida com o spaghetti,  só que mais grossa e rugosa. Essa massa é originária do sul da Toscana e dentre os molhos para acompanhá-la estão l’aglione (um tipo de alho),  molho de carne moída, funghi, carbonara ou cacio e pepe (que é uma receita romana mas que combina muitíssimo bem com o picio).

pratos tipicos

Pici all’aglione: prato simples e rústico da região dei Siena (foto divulgação)

 

Fagioli all’uccelletto – é um prato típico da à base de feijão cannellini, molho de tomate, sálvia e pimenta   do reino. Este não um prato, mas um acompanhamento para pratos de carne. 

Gnudi toscani –  este prato é basicamente o recheio do ravioli, isto é,  ricota e espinafre.  Os gnudi (nudi, nus)  são preparados com a receita do recheio do ravioli e depois servidos geralmente com molho de tomate, o que confere mais sabor ao prato! Algumas receitas são preparadas com manteiga e sálvia.

 

Siga o blog no Facebook e no Instagram @grazieateblog com postagens diárias

 

 

Doces

 

Schiacciata con l’uva – é muito parecido a um bolo e é feito com ingredientes simples, como massa de pão, azeite, açúcar e uva vermelha, a canaiola, sempre no período da colheita, isto é, setembro. Portanto, a gente só encontra essa delicia no mês de setembro e início de outubro.

schiacciata

O doce típico da época das vindimas, a schiacciata con l’uva. Esta foi preparada por Emiko Davies, autora do livre Florentine, cheinho de receitas maravilhosas!

Cavalucci –  é um biscoito típico de Siena, preparado com mel, nozes e frutas cristalizadas. Apesar de serem típicos das festas de final de ano,  podem ser encontrados durante todo o ano.

Pan ramerino – é um pão feito com uva e alecrim e servido na Quarta-feira Santa.

Schiacciata alla fiorentina – típico para ser saboreada no período de carnaval, é um  bolo branco, macio e delicado com o topo de açúcar fino.

frittelle

Ricciarelli – este doce é originário de Siena e feito com amêndoas, ovos e açúcar, e geralmente servido nas festas de final de ano.

Panforte –  este é um doce clássico italiano e foi criado em 1200, em Siena. É feito com frutas, casca de laranja e nozes. Apesar de ser um doce de Natal a gente encontra durante todo o ano

Castagnaccio – doce à base de farinha de castanha, pinoli, passas, nozes e alecrim e castanhas, típico dos meses de outubro e novembro.

castagnaccio

Torta della nonna –  de origem aretina, a torta della nonna ,   ou a “torta da vovó”, é um dos mais tradicionais doces toscanos. A receita é bem simples e o doce é bem leve e delicado, com recheio cremoso e com pinoli e açúcar no topo.

torta-della-nonna

A torta della nonna é irresistivel! No topo, açucar e pinoli. E a maravilha é que a gente encontra essa gostosura durante todo o ano (foto divulgação)

Cenci – doce de carnaval, seria o equivalente à nossa mentira. A gente encontra nas confeitarias, restaurantes e supermercados apenas durante o período de carnaval.

Cantucci e vin santo – muito comum aqui na Toscana, esta dupla é inseparável!  Servida após as refeições, o cantucci,  também conhecido como “biscoito de Prato”, é crocante e feito com amêndoas.

vin-santo

O comum aqui é mergulhar o cantucci no copinho de vin santo, assim ele amolece um pouco. Mas cada um come preferir. Eu como os biscoitos e depois tomo o vinho 😉

E aqui alguns dos produtos da horta e do pomar de cada estação :

Primavera – alho, aspargos, acelga,  rabanete, alcachofra , aspargos, couve-flor, cenoura, chicória, feijão, folhas verdes, repolho roxo, rabanete, espinafre, abobrinha. Frutas: laranja, morango, kiwi, pera, cereja, melão, maçã

Verão –   alho,  cenoura, cebola branca, pimenta, milho, tomate, aspargos, abobrinha, beringela, cavalo, radicchio, rúcula, pimentão, rabanete, radicchio, folhas verdes,  feijão, flor de abobrinha. Frutas: abricó, melancia, melão, pêssego, ameixa, figo, mirtilo e uva

Outono – Alho, aspargos, tartufo, espinafre,  castanha, limão, batata doce, rabanete, era-doce, funghi porcini, aipo, abóbora, cavolini de bruxelas e espinafre. Frutas: caqui, pera, uva, mixirica

Típico do outono, a castanha é um alimento saudável e digerível de alto valor nutritivo e calórico. Graças às suas propriedades energéticas, a castanha foi o pão da população até o final da Segunda Guerra Mundial

Inverno – bietola, brocolis, chicória, abóbora , couve-flor, erva-doce, espinafre, abóbora, alcachofras, espinafre, erva-doce. Frutas: laranja, mixirica, pera, maça, kiwi

Quer uma maneira deliciosa para conhecer Firenze?

Participe de um tour enogastronômico.

 

Posts que podem interessar:

A Galleria dell’Accademia

O conceito do slow travel

Hospedagem em apartamento em Firenze

Rafting no Rio Arno em Firenze

Bicicletas em Firenze

Refeições ao ar livre em Firenze

Mercado Central de Firenze

 

Aldravas italianas

Caminhando pelas ruas da Itália a gente percebe detalhes da arquitetura que chamam a atenção.  Já mostrei em outros posts as portas, sacadas e janelas.  Mas vocês já repararam nos batedores de portas que ornamentam e embelezam as construções?  Hoje vou falar das aldravas, que encontramos fixadas às portas e portões e que eram usadas como campainha antigamente.

aldravas

 

DSC_0947

 

Sua origem é greco-romana e foi bastante utilizada até o século 20, quando surgiu a eletricidade e sua função caiu em desuso. As aldravas surgiram como objeto de praticidade, para que as pessoas pudessem anunciar a sua chegada, batendo-as contra a porta para fazer barulho.

aldravas

 

Associado ao uso prático,  ganhou status artístico e decorativo. Assim foram surgindo peças artísticas e elegantes, que passaram a adornar as portas de muitas cidades.

aldrava

porta-firenze

Esta peça que é geralmente de bronze, ferro ou metal, aqui na Itália , de acordo com a região,  é chamada de battiportabattente , bussarello ou picchiotto.

 

aldrava-porta

aldrava

aldravas-italianas

Na época neo-clássica se difundiram os modelos em ferro fundido, com formas diversas, alguns inspirados no Antigo Egito,  representando esfinges, outras traziam animais, medusas,  flores , mãos e cabeças de mulheres.

aldraba

porta

Inicialmente consistia em formas mais simples mas com o passar do tempo transformou-se em objeto de arte

Mas desde tempos antigos, os batentes tinham não apenas a função de alarmar a chegada ou saída das pessoas ou de auxiliar a abrir portas pesadas.  Por motivos místicos e religiosos, eram atribuídas às aldravas o poder de afastar influências negativas e os espíritos malignos que pudessem prejudicar a casa e seus habitantes. Por este motivo a maior parte dos batedores traz uma expressão ameaçadora ou de animais ferozes.

 

batedor-de-porta

aldraba

E se você também admira a arquitetura italiana, aqui tem uma série de posts que podem te interessar: janelas da Toscana, portas italianas e janelas e sacadas da Emília Romanha.

20 atrações grátis em Firenze

Dicas de Firenze

A Igreja de Santa Croce

A Basílica de Santa Maria Novella

Passeio a bordo do 500

7 rooftops de Firenze

 

Hábitos alimentares dos italianos

Acredito que diante de todo aquele ritual de comilança na hora das refeições aqui na Itália com antepasto, primo piattosecondo piatto,  contorno (acompanhamentos), sobremesa e café – ufa- você também deve se perguntar se é assim todos os dias.  Costumava ser.  É que os os costumes dos italianos estão mudando e no ritmo frenético do dia-a-dia as pessoas acabam não podendo dedicar tanto tempo às refeições. Ao menos durante a semana.  Vou explicar sobre os hábitos alimentares dos italianos de forma genérica e abordar principalmente os costumes gastronômicos aqui da Toscana, região onde vivo.   Mas sim, claro que muita gente pode e faz questão de saborear cada portata (como é chamado aqui cada um dos pratos) todos os dias da semana, e não apenas nos almoços de domingo em família ou em ocasiões especiais e nos restaurantes.

 

pranzo

Tem turista que acha que nos restaurantes eles ficam chateados se você não pedir todos os pratos. Não é bem assim. Escolha apenas o que realmente você quiser comer (eles provavelmente vão cobrar o couvert de qualquer jeito, que custa de 1 a 3 euros). Pode ser que você queira um prato de massa (primo) enquanto a pessoa que está contigo prefira um prato com carne (secondo piatto). Informe ao garçom para trazer os pedidos contemporaneamente

 

alimentaçao-saudavel

Não seria exagero dizer que tudo na Itália gira em torno de comida.  E de comida boa, de qualidade. A cozinha italiana é simples e baseada em pratos preparados com produtos frescos, da estação. E é por este motivo que não encontramos os mesmos pratos o ano inteiro, a cozinha é sazonal.  E nem sempre encontramos os mesmos pratos em todas as regiões do país, pois a culinária italiana é conhecida pela sua diversidade regional. Cada território prepara seus pratos em base à matéria-prima que tem. O uso de manteiga e gorduras é bastante restrito e é grande o consumo do azeite de oliva. E este é um dos segredos da boa forma. Escrevi um post explicando porque os italianos não engordam. Não deixe de conferir! 😉

 

DSC_0239

Existe uma grande variedade de aromas nas receitas, graças aos temperos bastante utilizados, como manjericão, sálvia e alecrim. A simplicidade no preparo dos alimentos é uma das características da gastronomia italiana

Todos querem e fazem questão de comer bem. E é vero, aqui só se fala em comida! Nas filas dos supermercados as pessoas comentam e trocam receitas, no trabalho, nos eventos, nos mercadinhos de rua e entre desconhecidos que engatam uma conversa (se não estão comentando sobre o tempo, pode saber que o papo é comida!).  Quando se escolhe um local para sair à noite pouco importa se o local é bonitinho, badalado ou da moda; tem que ser um lugar onde se “mangia bene”. O local de uma festa de casamento não é escolhido baseado na paisagem ou na elegância do lugar, mas é o buffet que vai pesar mais na hora da decisão (não apenas farto, mas com produtos de qualidade).

supermercato

Na minha casa adaptamos alguns costumes da tradição italiana à brasileira e na maioria das vezes costumo fazer um prato único, coisa que aqui não acontece, pois os italianos não gostam de misturar os sabores.  Adotei o prato único desde que meu filho começou a fazer as refeições junto com a gente. E foi por questão de praticidade.  Ou vocês acham que é fácil manter uma criança de 1 ano sentada à mesa por uma hora esperando todo o ritual e troca de pratos? Costumamos comer o antepasto e depois o prato principal, que pode ser uma massa com carne ou peixe e verduras. Acho bem mais prático preparar refeições aqui do que no Brasil.  A facilidade é grande de encontrar molhos semi-prontos e de ótima qualidade seja em bodegas que nos supermercados.

 

As refeições 

Vou agora falar sobre as principais refeições, que são basicamente 5: café-da-manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar.

Eu considero o café-da-manha, ou colazione, daqui escasso comparado ao nosso.  Aqui é um hábito que o desjejum seja no bar onde as pessoas geralmente optam por um café com brioche (veja mais detalhes aqui).  Em casa,  as famílias costumam consumir pão com geleia, biscoitos, café com leite ou cereais e leite.  Eu costumo variar e de vez em quando faço misto-quente com pão toscano.  No meio do dia, por volta das 10, 11 horas, comem fruta ou yogurt.

O típico almoço italiano, considerado a refeição principal do dia, tem vários pratos e começa com o antepasto, pães, presuntos, queijos, embutidos, depois o primo piatto, que pode ser uma massa (por exemplo fusilli, penne, farfalle, strozzapreti, fettucine, ravioli, spaghetti, gnochi e orecchiette;  cada massa tem seu molho específico), risotto ou sopa, o secondo piatto de carne ou peixe (ou também à base de ovo) e acompanhados pelo contorno, preparados com verduras e legumes.  A salada vem no final da refeição (e não no início como acontece no Brasil). E sempre o pão acompanha as refeições (que quando sobra, a gente faz a scarpetta, conhece?).

Hábitos-alimentares-dos-italianos

Quem trabalha e não vai em casa na hora do almoço geralmente escolhe um bar perto do local de trabalho e opta ou por uma massa ou carne. Um prato de massa como este custa entre 5 e 7 euros. E quando não tomam vinho bebem água, quase nunca refrigerante

Mas como mencionei, com o ritmo de vida mais agitado, na pausa pranzo (pausa de almoço de quem trabalha), muitos mudaram seus hábitos alimentares e passaram a reduzir a quantidade de pratos optando ou pelo primo ou pelo secondo. E sem contar que alguns substituem o almoço por um panino. Todo o tradicional ritual fica reservado para o almoço em família de domingo. O italiano adora e não abre mão de comer com tranquilidade e saborear os alimentos pelo menos nos finais de semana, afinal, é importante confraternizar reunindo os amigos e a família em torno da boa mesa. O lanche da tarde aqui é chamado de merenda e costumamos comer frutas, yogurt, suco, pão ou biscoitos.

habitos-italianos

Este é um exemplo de secondo piatto (tagliata, que é a bistecca cortada em fatias) com carciofi (acompanhamento) , e salada, que nesse caso era apenas para enfeitar o prato. Reparem que a porção não é grande

 

vino-italiano

Uma tacinha de vinho para acompanhar as refeições, quando não apenas água. Quase nunca as pessoas pedem suco ou refrigerante

À noite, por volta das 20 horas, geralmente é o horário do jantar (ah, e nem pense em propor um lanche para substituí-lo!).  E aquilo que é preparado no jantar depende do que a pessoa comeu no almoço. E quem pode e gosta, repete todo o ritual do almoço, com diversos pratos. Os mais idosos não abrem mão de jeito nenhum desse modo de comer.  Já as famílias com crianças e os mais jovens costumam optar por uma substanciosa salada com algum tipo de carne (costumam fazer bastante grelhada) ou sopa, nos meses mais frios. No verão prevalecem pratos mais leves e práticos, como presunto e melão, saladas, queijos e presuntos.  E com essa onda de fazer aperitivo (saiba mais aqui), a gente percebe algumas mudanças de hábito na ultima refeiçao do dia, pois depois de participar de um happy-hour com buffet farto muitos acabam nem jantando.

fruta

As frutas da estação são consumidas não apenas na hora do lanche mas também após as refeições como alternativa para o doce na hora da sobremesa