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O pavimento da Catedral de Siena

Um dos maiores tesouros da arte italiana é o pavimento da Catedral medieval de Siena Santa Maria Assunta: “o mais belo, maior e magnífico que já foi feito”, segundo descreveu Giorgio Vasari. Para sua  melhor preservação, o pavimento do Duomo passa a maior parte do ano coberto.

O piso é descoberto durante poucas semanas do ano

Por apenas  um período muito limitado do ano é possível admirar por inteiro o excepcional pavimento da Catedral de Siena,  que por uma questão de  preservação passa a maior do tempo coberto.   E mais do que poder ver o minucioso trabalho bem de pertinho, tive a oportunidade de admirar do alto, graças ao percurso exclusivo Porta del Cielo,  passando por corredores, subindo escadarias estreitas e caminhando alguns momentos por dentro e outros por fora do Duomo.

O percurso exclusivo “Porta del Cielo” permite admirar o pavimento do alto. Experiência incrível!

Vamos descobrir algumas curiosidades:

– são 56 painéis  com cenas bíblicas e mitológicas, cuja mensagem representa  um convite  à Sabedoria,

–  o pavimento do Duomo foi realizado em mármore,

– para a execução do pavimento duas técnicas foram utilizadas: o “commesso marmoreo”  que é um tipo de mosaico e o “grafitto”, com realização de desenhos que eram traçados sobre parte do mármore branco com pequenos furos feitos com cinzel e broca , que eram em seguida preenchidos com estuque preto,

–  o piso é descoberto  em dois períodos por ano, sendo que uma das vezes é de 18 de agosto até o final de outubro,

– O piso é o resultado de um complexo programa iconográfico realizado  entre os séculos XIV e XIX,

– os temas apresentados são ricamente ornamentados em toda a nave, nos corredores laterais e na área do altar e do coro,

– o trabalho foi realizado por artistas senenses como Domenico di Bartolo, Matteo di Giovanni e Domenico Beccafumi e Pinturicchio, artista umbro,

– o pavimento cobre a inteira superfície da catedral, ou seja, 1300 m2,

– o ingresso à catedral  é a pagamento

 

Uma obra-prima absoluta é o grandioso piso de mármore, único tanto pela técnica de execução como pela mensagem que os seus painéis figurativos consagram

 

A melhor forma de  admirar o piso é subir a escada em espiral

Em estilo românico-gótico, a Catedral de Santa Maria Assunta foi construída no início do século 13: é um único e enorme complexo monumental que contém obras de importantes mestres da história da arte européia

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Participei de um tour exclusivo “La Porta del Cielo”, onde é possível admirar o Duomo de ângulos diferentes

Realizei a viagem  à convite da prefeitura de Siena, com organização de Destination Florence CVB.  

Para mais informações sobre horários, datas e valores, clique aqui.

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O Museu dell’Opera del Duomo

O Museo dell’Opera Del Duomo é um moderno museu de Firenze que reúne  a maior coleção do mundo de esculturas da Idade Média e do Renascimento fiorentino. São mais de 750 obras de artistas como Michelangelo,  della Robbia, Ghiberti, Donatello, Arnolfo de Cambio entre outros, que fascinam apaixonados por arte e arquitetura.  A Ópera do Duomo, também chamada de Opera di  Santa Maria del Fiore, é uma instituição  fundada em 1296 pela República de Florença para administar e  monitorar a construção da nova catedral e do campanário.   Em 1436, o Duomo foi finalizado com a espetacular cúpula de Brunelleschi e após a conclusão dos trabalhos a Ópera do Duomo passou a preservar e proteger os monumentos que fazem parte do complexo do Duomo.

 

Na bilheteria uma divina obra para dar as boas-vindas: San Giovanni in Gloria com anjos segurando candelabros que ornavam o altar principal do Batistério, de Girolamo Ticciati. A obra encontrava-se no interior do Batistério

 

Em 1891, o museu foi criado para abrigar todas as obras de arte que ao longo dos séculos foram retiradas  do Duomo, do  Campanário de Giotto e do Batistério de São João. O museu, que apresenta layout super moderno, foi reestruturado em 2015 depois de 3 anos de trabalhos de modernização e hoje conta com 28 salas distribuídas em 3 andares, numa superfície de 6  mil metros quadrados. Quem assinou a renovação do espaço foi Monsenhor Verdon com os arquitetos Natalini, Guicciardini e Magni.

 

No Museu dell’Opera encontramos a maior coleção de esculturas monumentais medievais e renascentistas florentinas do mundo: estátuas e relevos em mármore, bronze, madeira e prata

Ao entrar no novo Museu dell’Opera  a gente percebe imediatamente que  está iniciando um  percurso expositivo bem diferente do trivial.  Espaços modernos, com layout contemporâneo,  iluminação, onde o design tem grande relevância para a experiência do visitante e onde as obras parecem ganhar vida!

O início do percurso do Museu dell’Opera de Firenze, que apresenta uma espetacular instalação: ambientes e jogos de luz que chamam a atenção

 

No Museu dell’Opera uma instalação espetacular com obras-primas únicas no mundo

O Museu dell’Opera não está entre os mais  requisitados dos roteiros mais comuns, mas pode representar um verdadeiro tesouro escondido para quem gosta de escultura e estilo gótico. E justamente por não estar entre os mais requisitados museus da cidade o fluxo de visitantes permite uma visita agradável e sem longas esperas.

 

O museu dell’Opera reúne maravilhosas obras-primas de Florença. Estátuas, relevos em mármore, bronze e prata, feitos originalmente para os ambientes externo e interno das estruturas que constituem o complexo do Duomo.

 

Salone del  Paradiso  – Graças à uma antiga tradição os cristãos chamavam de Paraíso  a área entre um batistério e a igreja, em alusão à alegria daqueles que haviam se batizado. Na Sala do Paraíso podemos admirar a fachada da catedral e as magníficas portas do Batistério. O espaço é chamado de Paraíso pois era  como os florentinos chamavam a área da praça entre o Duomo e o Batistério.

 

A Sala del Paradiso com obras que ornavam as fachadas da Catedral e do Batistério

 

A fachada medieval do Duomo na reconstrução do Grande Museu do Duomo

 

Existem cerca de 750 obras de arte, desde as obras-primas de Arnolfo Di Cambio até as de Verrocchio e Donatello. Séculos da tradição artística florentina medieval e renascentista

 

A Porta do Paraíso, realizada por Lorenzo Ghiberti

 

Sala della Maddalena – A sala leva o nome da principal obra de arte que abriga o centro,  protegida por uma  estrutura de vidro: é a  impressionante obra de Donatello,  Santa Maria Maddalena Penitente, realizada em madeira entre 1453 e 1455.

 

 

Santa Maria Maddalena Penitente, obra de  Donatello, meados do século 15

Galleria del Campanile – Nesta sala, algumas obras de arte do campanário de Giotto.  Através dessas obras é possível perceber a importância da escultura na época, utilizada como forma de  comunicação. Aqui estão as 16  estátuas e os 54 relevos.

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Obras da bodega de Andrea Pisano e de Donatello

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Galleria del Campanile, nesta sala as obras originais das decorações do Campanário de Giotto

 

Sacrifício  de Isaac, de Donatello e e Nanni di Bartolo  (aproximadamente 1421). Essa  é a primeira escultura nu em tamanho real

 

Sala dedicada à cupula de Brunelleschi –  Talvez essa seja a sala  mais interessante do museu! O espaço é dedicado à esplêndida obra realizada pelo gênio Brunelleschi: a cúpula  do Duomo.  Na sala você pode conhecer os instrumentos e ferramentas  que foram criados para a realização da cúpula, conferir os desenhos das decorações e das janelas que adornam a igreja e  pode também  assistir a um breve vídeo que explica sobre a construção desta magnífica obra.

 

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O modelo arquitetônico da obra-prima do grande mestre Brunelleschi, realizada entre 1420-1436

 

Alguns dos instrumentos utilizados no século 15 para a construção da cúpula

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Sala delle Cantorie – Aqui existem dois coros lado a lado, que uma vez foram localizados na catedral, um esculpido por Luca della Robbia  entre 1431-38  e o outro por Donatello,  entre 1433-39.

 

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Muitos desenhos enriquecem o acervo do museu

 

Museu dell’Opera del Duomo

Piazza del Duomo, 9 – Firenze

Data: de Segunda a domingo, das  9 às 19 horas (o horario pode sofrer variações de acordo com o período do ano)

Valor do bilhete: 15 euros (para todas as atrações do complexo do Duomo)

Museu de San Marco de Firenze

O Museu de San Marco de Florença tem o maior acervo do mundo das obras, tanto em madeira quanto em afrescos, de Beato Angelico, que viveu neste mosteiro durante um período de sua vida. O museu, que fica ao lado igreja da homônima, funciona num ex-convento  fundado em 1299 pelos monges beneditinos Silvestrini e que passou  para a ordem dos Dominicanos Observantes em 1436.  No anos sucessivos, com financiamento de Cosimo dei Medici e sob a direção do arquiteto Michelozzo, foi totalmente restaurado e reformado, além de embelezado com afrescos de Beato Angelico.  A visita à San Marco inclui os esplêndidos espaços arquitetônicos do convento e das celas, o claustro de Sant’Antonino, o Cenáculo de Ghirlandaio, o refeitório e a Sala Capitular. Abriga o maior acervo do mundo de obras de Beato Angelico que também viveu e trabalhou no convento por volta de 1440 para afrescar os espaços renovados por Michelozzo.

 

Após as obras realizadas por Michelozzo, os frades dominicanos foram transferidos para o convento de San Marco, que fica ao lado da Basílica de San Marco

 

Pátio Sant’Antonino –  O local foi restaurado por volta da segunda metade de 1400 por Michelozzo, que foi encarregado por Cosimo Il Vecchio de reconstruir o convento de acordo com os novos cânones renascentistas

Museu

O museu faz parte do grande complexo do antigo convento dominicano de São Marcos e está intimamente ligado ao pintor e frade Beato Angelico, um  dos maiores pintores do início do Renascimento, que viveu e trabalhou no convento.  A obra arquitetônica é um projeto de Michelozzo e foi encomendada por Cosimo de ‘Medici, Il Vecchio.  A reforma do convento foi realizada entre 1437 e 1443.   Durante o primeiro século de sua vida o convento era o lar de personalidades importantes. Não apenas de Beato Angelico viveu no local, mas  também  Antonino Pierozzi, conhecido como San’Antonino da Firenze , o famoso frade Girolamo Savonarola e  o ex-prefeito de Florença, Giorgio La Pira, que morreu em 1977.

Durante o reinado de Lorenzo O Magnífico, este ambiente  de San Marco tornou-se ponto de encontro de muitos humanistas da época, como Angelo Poliziano e Pico della Mirandola, que podiam consultar os livros da biblioteca. Na verdade, esta é considerada a primeira biblioteca pública da Europa.

 

No complexo do museu de San Marco terracota envidraçada, realizada por Andrea della Robbia

Em 1869 o Museu de San Marco foi aberto ao publico.  Até 2014, o convento de San Marco acolheu alguns frades da comunidade dominicana que foram transferidos nos últimos anos para o complexo de Santa Maria Novella.

Além das obras de Beato Angelico, no complexo podemos admirar tambem A Ultima Ceia realizada por Domenico Ghirlandaio

Nova Sala Beato Angelico – Inaugurada em dezembro de 2020, com nova iluminação  e novo layout, a  Sala Beato Angelico ,que  contem 16 obras-primas do artista, permite ao visitante admirar cada detalhe, com todas as cores vibrantes utilizadas pelo artista.  A renovada exposição de obras-primas da sala reúne a mais importante seleção do mundo de  obras de uma das maiores e mais fascinantes personalidades da história da arte.

Sala Beato Angelico – O novo espaço com nova iluminação exalta ainda mais a qualidade que transparece em suas pinturas

 

A nova exposição, financiada por Friends os Florence, muda radicalmente a disposição anterior que havia sido criada em 1980 pelo então diretor Giorgio Bonsanti.  Inseridas em uma nova estrutura com iluminação tecnologicamente atualizada, as obras hoje seguem uma sucessão cronológica coerente.

Angelico foi um frei e é considerado o pintor que melhor retratou a mensagem cristã em toda a história

 

Sobre Beato Angelico

Beato Angelico nasceu em Vicchio (Toscana) provavelmente no ano de 1395.  Não se sabe muito sobre a sua infância, mas acredita-se que em 1418 tenha entrado para a Ordem dos Pregadores em Fiesole, arredores de Florença e em 1425 confirmou seus votos adotando o nome de “Fra Giovanni da Fiesole”.  Iniciou  sua atividade ainda antes de entrar na vida religiosa.  Viveu e trabalhou  no convento entre os anos de 1438 e 1445. No convento de São Marcos, Fra Angelico pintou diversos retábulos e afrescos no claustro, na sala capitular, nas celas dos frades e nos corredores superiores.  Beato Angelico realizou várias obras principalmente em Florença e também em Roma.

 

Fra Angelico valorizava detalhes realísticos e expressões de sentimentos

Giovanni da Fiesole nasceu com o nome de Guido di Pietro.  As obras do artista eram de carácter religioso e foi Giorgio Vasari, o biógrafo de artistas renascentistas, que o definiu “Angélico”, por sua habilidade de pintar figuras  de anjos, pela beleza serena de seus retábulos e afrescos e também pela doçura  na forma de tratar as pessoas.

O Tríptico de São Pedro Mártir executada entre 1428 e 1429

Beato Angelico acreditava  que a fé podia salvar o homem. Ele descreve a beleza da criação com uma luz suave com o intuito de despertar a admiração dos fiéis,  pois eee acreditava que  as imagens podiam contribuir para a salvação das almas.  Angelico soube fundir  duas vocações : a pintura e a fé.   A luz dourada que investe as suas figuras tem um valor místico: é expressão da graça divina que salva o homem e, por isso, tranquiliza a alma.

Seu nome “Angelico” significa angelical, por sua forma de pintar e de tratar o próximo. Seus personagens são sempre dedicados a algo espiritual, e não terreno, com abordagem de temas cristãos presentes na Bíblia

No ex-convento,  Fra Angelico, ajudado por alguns colaboradores, realizou afrescos no claustro, nas numerosas celas, nos corredores do andar superior e na Sala do Capítulo. 

Obra Juízo Final

Fra Angelico passou praticamente toda a ultima década  de sua vida em Roma, onde faleceu em um convento dominicano , em 18 de fevereiro de 1455. Foi beatificado pelo papa João Paulo II em 1982 e declarado o Padroeiro Universal dos Artistas.

 

Sala Capitular –  A Sala do Capítulo, local onde a comunidade se reune e as imagens tem a função de ajudar , através das imagens compreender as mensagens, o veiculo de comunicação de Beato Angelico era a pintura. Beato Angelico realizou o seu maior afresco, com mais de 50 figuras, uma obra monumental.

O crucifixo realizado por Baccio da Montelupo  e o sino que tocou quando Savonarola foi levado do convento. O sino é chamado de” Piagnona”

 

Segundo andar

Quem dá as boas-vindas ao segundo andar é a espetacular obra Anunciação, de Beato Angelico.  Nesse andar ficam os dormitórios dos freis dominicanos, com teto elevado em treliça de madeira.

A “Anunciação” feita para o convento de São Marcos, é uma de suas obras mais famosas. Foi  realizada por volta de 1440, no primeiro  corredor do segundo andar, onde ficavam os dormitórios

Neste andar ficam as 43 celas do convento com afrescos realizados por Beato Angelico e colaboradores.  Os afrescos retratam episódios da Paixão de Cristo, com imagens que  convidam à meditação e ao arrependimento.  Algumas curiosidades e lendas surgiram em torno da figura do frade pintor. Diz-se que ele não pintava se não tivesse orado antes. Ao longo de sua vida, ele sempre pintou temas sagrados.

Dentro de cada cela existe um afresco. Esses são os  aposentos onde dormiam os freis dominicanos

Savonarola

No convento viveram muitos dos mais importantes representantes da vida espiritual e da cultura do século 15,  como o frei Girolamo Savonarola, que pregava contra a decadência da moral. Savonarola nasceu em Ferrara no ano de 1452. Ele foi um político, religioso e frade que foi acusado de heresia, enforcado e queimado na Piazza della Signoria em 23 de maio de 1498.

Savonarola estabeleceu-se definitivamente em Florença em 1490, a pedido de Lorenzo Il Magnifico.   Ele viveu no convento de San Marco entre 1491 e 1498. Savonarola alcançou grande sucesso com seus sermões, ouvidos e apreciados sobretudo pelos pobres e descontentes. Isso porque em seus sermões Savonarola não teve medo de denunciar a decadência e a corrupção da igreja, e não deixou de questionar, lançando inúmeras acusações contra os governantes e sua exploração do povo.

“Fogueira das Vaidades” –  Esse foi episódio que ocorreu no dia 7 de fevereiro de 1497  em Florença, quando seguidores de Savonarola queimaram objetos associados à ostentação, à tentação e ao pecado.  Milhares de obras de arte, como  quadros, livros, vestidos, espelhos, instrumentos musicais foram destruídos.

No ex-convento de San Marco é possível visitar a cela de Savonarola,  o seu estúdio e ver alguns objetos, como a característica capa com o capuz, as vestes  e outras relíquias. Savonarola foi queimado vivo na praça della Signoria e suas cinzas foram  jogadas no Rio Arno.

 

Interior da igreja de San Marco, que fica ao lado do museu

Sant’Antonino

Sant’Antonio Pierozzi nasceu em Florença no ano de 1389. Antonio Pierozzi foi teólogo,  arcebispo e um dos mais fortes defensores da reforma da Ordem promovida pelo Beato Raimondo da Cápua. Foi “priore”  em Fiesole e bispo de Florença na época de Cosimo “O Velho” era muito querido pelos florentinos.

No momento de sua morte, ocorrida em 10 de maio de 1459, Antonino foi sepultado em San Marco. Em 1589 seus restos mortais foram transferidos para a capela Salviati, concluída por Giambologna.

 

Museo di San Marco – Florença

Piazza San Marco, 3

Horário de abertura:  8.15 às 13.50

Dias de fechamento : sábado, domingo e festivos

Valor do bilhete 8 euros

A Pietà de Michelangelo

Realizada no final do século 15, a  Pietà é uma das obras-primas de Michelangelo.  Através dela podemos perceber como o mármore pode ser repleto de sentimento.  A obra retrata  Maria com o corpo sem vida de Jesus em seus braços. Aqui 9 curiosidades sobre essa maravilhosa escultura, que é uma das mais tocantes da arte católica:

1 –  A obra foi  encomendada pelo cardeal francês Jean de Billhères de Lagraulas,  provavelmente para decorar o seu túmulo em Santa Petronilla, uma capela anexa à San Pietro

2- Michelangelo Buonarroti realizou a escultura entre 1498 e 1499, quando havia pouco mais de 20 anos

3- é a única obra  assinada pelo artista.  Nas vestes de Maria o artista gravou: MICHAEL.ANGELVS.BONAROTVS.FLORENT.FACIEBAT (“realizada pelo florentino Michelangelo Buonarroti’)

 

4 – A Pietà, que mede 1,74 m por 1,95 foi esculpida em um único bloco de mármore de Carrara,  escolhido pessoalmente pelo artista

 

5-  A Pietà esteve em Nova York no ano de 1964 durante a New York World’s Fair

 

6-   Devido a atos de vandalismo, a obra fica protegida por  um vidro. A escultura, principalmente a Virgem,  foi bastante danificada a marteladas por um vândalo no ano de 1972

 

7-  A obra  havia sido inicialmente colocada na Capela Petronilla, um mausoléu perto de San Pietro.  Pouco antes de 1517, a obra foi transferida para a sacristia da Basílica de São Pedro, no Vaticano . Sua localização atual, na primeira capela à direita da nave da basílica, remonta ao ano de 1749

8-  A Pietà era um tema incomum na Itália. Chamado Vesperbild na Alemanha, a  representação da Madonna sentada com o corpo morto de Cristo no colo  era um tema tipicamente nordico

 

9 –  Maria foi retratada jovem. Mesmo essa escolha  teve um valor espiritual para Michelangelo.  Maria não é julgada em termos de parentesco com o filho, sua juventude revela a perfeição de alma e a incorruptibilidade do pecado. Michelangelo se defendeu das críticas explicando que a virgindade e a pureza mantêm as mulheres jovens e bonitas.

 

Essa  escultura é realmente impressionante!  Quem já teve a oportunidade de admirá-la?

 

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Taste Firenze – excelência da enogastronomia italiana

Florença se prepara para mais uma edição de Taste, evento dedicado à excelência da enogastronomia italiana e do sabor e à evolução do food lifestyle. Depois de dois anos de intervalo devido à pandemia, Taste volta a acontecer, entre 26 e 28 de março e pela primeira vez em nova location, na Fortezza da Basso e com um calendário rico de eventos.

Pitti Immagine confirma a 15 ª edição de Taste, que acontece entre 26 e 28 de março na Fortezza da Basso

Agostino Poletto, direttore generale di Pitti Immagine.

Participei da conferência para a imprensa, que aconteceu no Orto San Frediano, no Oltrarno, um espaço novo na cidade que surgiu da reconstrução de um viveiro histórico no coração do Oltrarno, no Jardim Torrini. Esse novo espaço privado que se abre para a cidade para oferecer múltiplas experiências de sabor, como jantares, eventos privados e lições de cozinha,  sob o comando de chef Enrica Della Martira.

A chef Enrica Della Martira

Taste 2022 – Foram muitas as novidades anunciadas para a 15ª edição,  a começar pela localização. Taste cresce e de fato se muda para a Fortezza da Basso, com um roteiro expositivo que começa no piso sótão do Pavilhão Central, para descer até o térreo e de lá prosseguir para o Pavilhão Cavaniglia. É um percurso que vai do salgado ao doce,  como biscoitos, mostarda,  café, geleias , bebidas,  chás, azeites, conservas, queijos, presuntos e uma grande variedade de produtos, totalizando 470 expositores, sendo que desse total,  130 novas empresas.  O foco da edição deste ano é  “desperdício zero e meio ambiente”: não desperdicemos comida, não desperdicemos o meio ambiente.

Taste é o mais significativo evento do setor da gastronomia italiana, com participação das mais importantes empresas de enogastronomia nacionais . É uma oportunidade não só aos compradores e profissionais, mas também aos visitantes e foodlovers que circulam pelos stands da feira.

FuoriDiTaste – A cada edição do Taste a cidade de Florença ganha vida com uma série de iniciativas ligadas ao paladar: é  o FuoriDiTaste, um calendario repleto de eventos paralelos, com cerca de 50 degustações temáticas, eventos especiais e palestras. Um programa que une as empresas participantes do evento e alguns dos mais belos locais e clubes da cidade, e que de edição em edição registra crescente interesse e participação dos entusiastas gourmet. Há alguns anos participei do Fuori di Taste, dedicado a degustações  de vinhos , queijos e produtos típicos da culinária toscana.

Para mais informações, acesse a página oficial de Taste.

 

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Campanário de Giotto de Florença

Dentre os maiores símbolos de Florença  está o Campanário de Giotto,  uma das 4 principais construções do complexo da Piazza Duomo, que fica ao lado da majestosa Catedral Santa Maria Del Fiore. A torre dos sinos foi desenhada pelo artista Giotto di Bondone –  por esse motivo recebeu esse nome – e é um maravilhoso exemplo da arquitetura gótica florentina do século 14. O  Campanile di Giotto de Florença é aberto à visitação, mas é preciso superar seus 414 degraus! Mas asseguro que a vista deslumbrante que temos do terraço panorâmico  vale o esforço!

 

O campanário é em total harmonia de cores com a Catedral Santa Maria del Fiore, o Duomo de Florença. Possui revestimento de mármore branco, verde e vermelho semelhante ao da igreja. A subida até o topo da torre dos sinos não é muito fácil e  em nenhuma parte do percurso há elevador. É  preciso superar  seus exatos 414 degraus a pé.  Construída no século 14,  a torre em estilo gótico tem 84,70 metros de altura e 15 m de largura.

 

Durante o percurso de subida existem dois terraços panorâmicos onde é possível fazer uma pausa para descansar e apreciar o panorama.

A escadaria que conduz até o terraço panorâmico é bem estreita e não há elevador em nenhuma parte do trajeto, sã 414 degraus

História da construção do campanário 

Sua construção começou em 1334,  depois que um incêndio no ano de 1333 destruiu a torre do sino de Santa Reparada, igreja  que existia antes do atual Duomo de Santa Maria del Fiore.  Giotto di Bondone, que era um dos principais pintores e arquitetos da época,  foi contratado para completar a obra, cuja primeira pedra foi lançada em 9 de julho de 1334. Giotto conseguiu acompanhar os trabalhos por apenas 3 anos seguintes, até a sua  morte.

A realização da torre   prosseguiu com Andrea Pisano,  que terminou os 2 primeiros andares seguindo os projetos de Giotto.  Devido à peste negra os trabalhos foram interrompidos durante dois anos, de 1348 a 1350,  e a conclusão da obra deu-se com Francesco Talenti, no  ano de 1359.

Quando foi construído,  o campanário era unido à igreja por uma  ponte,  que foi demolida em 1431

O campanário possui um conjunto de 7 sinos. O maior sino é chamado Santa Reparata em homenagem à santa, já que assim era chamada a igreja sobre a qual foi erguida a atual catedral.  Os outros sinos  são chamados Misericordia, Apostolica, Assunta, Mater Dei, Annunziata e Immacolata, todos nomes relacionados à Madonna.

A torre surgiu não apenas como um complemento do Duomo, mas como um monumento “independente”. A obra foi erguida  destacada da igreja, mostrando sua importância e autonomia. A torre era tão importante que, segundo narrou Vasari, assim que Giotto assumiu o cargo na direção de todo o trabalho, ele cuidou principalmente da torre sineira e  bem menos  da igreja.

O campanário  apresenta base quadrada e é considerada a mais bonita da Itália e foi provavelmente criada mais como elemento decorativo do que funciona

A rica decoração do campanário  é constituída por 54  relevos e 16 estátuas em tamanho natural nos nichos, obras de mestre florentinos dos  séculos 14 e 15, incluindo Andrea Pisano, que  realizou o primeiro e mais importante núcleo a  partir de 1334,  Donatello e Luca della Robbia. Os ciclos figurativos foram substituídos por cópias,  pois os originais encontram-se no museu da Ópera do Duomo.

As estátuas e os relevos originais do campanário estão custodiados no Museu dell’Opera del Duomo

 

A parte inferior da torre é decorada com 54 baixos-relevos, enquanto na área superior existem várias estátuas de santos e profetas

 

Os mais de 50 relevos da decoração, em formas de  hexágonos e losangos,   celebram o o trabalho humano

 

Informações Campanário de Giotto

Horário: das 8:15 às 19:20 (os horários podem sofrer alterações a qualquer momento devido a eventos extraordinários)

Fechamento: sempre na primeira terça-feira de cada mês

Valor do bilhete: 18 euros. O bilhete unico do Grande Museo del Duomo da acesso ao campanário, batistério, cripta e Museo do Duomo e cripta na catedral e tem validade de 72 horas.

A subida não é recomendada para pessoas que sofrem de coração, tonturas e claustrofobia

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1 dia em Orvieto

A  Úmbria, conhecida como o coração verde da Itália, é uma região repleta de maravilhosos burgos medievais. Dentre os mais visitados está Orvieto, onde é possível passar 1 dia de  visita e conhecer suas principais atrações, que ficam próximas uma das outras e o percurso pela cidade é quase intuitivo. Com cerca de 20 mil habitantes, Orvieto tem atrativos turísticos, naturais e culturais, sendo que os mais importantes são o  espetacular  Duomo com sua fachada em estilo gótico e o famoso poço de San Patrizio.  Além dos museus e monumentos de Orvieto, também existem áreas verdes e parques para os amantes da natureza e passeios ao ar livre.

Orvieto está localizada na província de Terni, mas fica a cerca de 80 quilômetros desta cidade

Orvieto é uma cidade “museu” que viveu diferentes épocas históricas,  como etrusca e medieval, representando um centro de grande importância histórica e cultural em toda a Itália. Nós estávamos viajando de carro pela região e buscamos  estacionamento , que  é a pagamento, perto da linha da funicular e dali atingimos o centro histórico, que fica na parte alta.

 

Orvieto é chamada de “Alta e estranha” e não é difícil entender por quê. Situada numa bonita falésia de tufo, Orvieto domina todo o panorama!

Assim que chegamos pela funicular  seguimos pela via Cavour, que praticamente divide a cidade em duas partes. É  uma área pedonal com lojinhas, bares e ateliês, com produtos realizados a mão pelos artesãos locais. Mostro aqui as principais atrações de Orvieto:

Orvieto é um charmoso burgo na Úmbria com cerca de 20 mil habitantes

Jardim Albatroz – A Fortaleza Rocca ou Albornoz é acessível a partir da Piazza Cahen e hoje abriga os principais jardins públicos da cidade. A fortificação original  remonta a 1364,  com fosso e pontes levadiças, mas hoje apenas uma parte permanece com a bela torre, ainda em perfeito estado.

 

Duomo de Orvieto – A catedral de Santa Maria Assunta de Orvieto é uma das maiores obras arquitetônicas do final da Idade Média. A pedra fundamental foi lançada em 13 de novembro de 1290 pelo papa Nicolau IV. Na bela fachada em estilo gótico, podemos admirar as decorações arquitetônicas que vão do século 14 ao 20, como mosaicos dourados e três majestosas portas de bronze.  O interior é decorado com duas capelas com afrescos de grandes pintores italianos,  sendo que merece destaque o famoso Julgamento Universal de Luca Signorelli.

A fachada da igreja é decorada com grandes e baixos relevos e estátuas com os símbolos dos evangelistas, provavelmente projetados por Arnolfo di Cambio e seguido por Lorenzo Maitani na  primeira metade do século 14. Os trabalhos prosseguiram por mais 3 séculos

O plano da catedral de Orvieto é uma cruz latina com três naves

Capela della Madonna di San Brizio – Famosa por seus maravilhosos afrescos, a capela foi adicionada à catedral no século XIV. Na realização dos afrescos atuaram inicialmente Beato Angélico e Benozzo Gozzoli, substituídos por Luca Signorelli quando transferiram-se à Roma. As paredes e as abóbadas  foram afrescadas por Luca Signorelli, que começou os trabalhos em 1499.  Rica em expressividade e drama, é  uma verdadeira  obra-prima do pintor originário de Cortona que representa o tema do Juízo Final.  E uma curiosidade: o tema e as representações criadas por Signorelli serviram de inspiração para Michelangelo na realização dos afrescos da famosa Capela Sistina.

Torre del Moro – Inicialmente foi chamada Torre del Papa, depois foi renomeada Torre del Moro. A  torre fica no coração da cidade, localizada no cruzamento dos bairros e das ruas mais importantes e centrais: Corso Cavour, Via della Costituente e Via del Duomo. A torre é visitável diariamente e metade do percurso  pode ser feita de elevador . O ingresso custa 2, 80 euros e é gratuito para crianças de até 10 anos (os horários variam de acordo com a época do ano).

 

Igreja de Sant’Andrea – Localizada ao lado do Palazzo Comunale e na bela Piazza della Repubblica, a igreja de Sant’Andrea e Bartolomeo sofreu alterações arquitetônicas significativas ao longo do tempo.  Curiosidade: evidências dos períodos etrusco e romano foram encontrados no “porão da igreja”.

A possui uma bela fachada e é ladeada por uma torre dodecagonal

Poço de San Patrizio  – O poço de Sao Patrício é uma obra-prima da engenharia renascentista. Foi construído  no século 16 à mando de Clemente VII, que se refugiou em Orvieto durante o Sacco di Roma em 1527.  A obra,  realizada  por Antonio da Sangallo ,  foi concluída em 1537. O poço foi construído para garantir abastecimento de água à cidade, mesmo em caso de cerco e calamidade. A construção impressiona tanto pelas 72 grandes janelas simetricamente colocadas dentro de toda a cavidade, como pela estrutura em dupla escada espiral, que permitia  descida fácil  também para animais de carga.  O poço, construído em forma cilíndrica,  tem  54 metros de profundidade.

O Pozzo di San Patrizio, construído em forma cilíndrica,  tem  54 metros de profundidade

Como devem ter percebido através das fotos e do texto, Orvieto é um verdadeiro museu a céu aberto,  que mescla arte,  história e belezas naturais.  E como a cidade é pequena, recomendo andar sem destino para descobrir os encantos desse pequeno burgo medieval.

As agradáveis surpresas quando passeamos por suas ruelas laterais e mais tranquilas

Orvieto fica a apenas 23 Km de outro lindo burgo medieval , Civita di Bagnoregio, conhecida como “a cidade que morre”.

 

6 de janeiro, Dia de Reis, Epifania e Festa da Befana

Dia 6 de janeiro é feriado nacional na Itália, Dia da Epifania, e dos Reis Magos, e também da Befana, que presenteia as crianças que se comportam bem com balas e doces.  Pode-se dizer que a data praticamente marca o início do ano aqui, pois só depois deste feriado é que as crianças voltam à escola, depois de um curto período das férias invernais.

Para festejar a data, acontece anualmente em Firenze a Cavalcata dei Magi, organizada pelo Museu dell’Opera del Duomo, um cortejo histórico que remonta ao século XV  com  figurantes que desfilam em lindos trajes de época.

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Os trajes usados foram inspirados no ciclo de afrescos realizado por Benozzo Gozzoli,  na Cappella dei Magi, no Palazzo Medici Riccardi, a primeira residência da família Medici em Firenze

O percurso começa no Palazzo Pitti e conta com os 3 reis magos  que levam os presentes ao Menino Jesus,  ouro, incenso e mirra, até a Piazza do Duomo, onde termina o cortejo.

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Na religião cristã, o dia 6 de janeiro, a Epifania é celebrado  no 12º dia após o Natal,  com a Adoração dos Magos confirmando e testemunhando Jesus Cristo como  a encarnação do filho de Deus

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O cortejo histórico conta com cerca de 700 figurantes que desfilam em lindos trajes  renascentistas  e conta com a participação dos lançadores de bandeiras. A indumentária foi inspirada no ciclo de afrescos realizado por Benozzo Gozzoli,  na Cappella dei Magi, no Palazzo Medici Riccardi, a primeira residência da família Medici em Firenze.

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A celebração nos leva de volta ao tempo, mais precisamente ao ano de 1417, quando o desfile  se repetia a cada 3 ou 5 anos.  O desfile contava também com a participação de alguns membros masculinos da família Medici.  Provavelmente por este motivo a celebração foi suspensa em 1494, quando os Medici foram expulsos da cidade de Florença. Em 1997, durante as comemorações do sétimo centenário da catedral, a Opera Santa Maria Del Fiore resolveu retomar esta tradição, organizando anualmente uma solene procissão que representa os Reis Magos, em vestimenta de seda, que atravessam o centro de Firenze.

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O percurso – Palazzo Pitti até a Piazza Duomo

O inicio do percurso é da Piazza Pitti.  A  procissão passa pelas ruas do centro da cidade (via Guicciardini, Ponte Vecchio, Via Por Santa Maria, Via Lambertesca,  Piazza della Signoria, Via Calzaiuoli), até chegar na Piazza Duomo.

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Após a chegada da procissão na Piazza Duomo, acontece a oferta dos presentes dos Magos ao Menino Jesus. No final da cerimônia, como de costume, a liberação de muitos balões coloridos no céu, que representam nossos pensamentos,  orações e esperanças.

Epifania

A Epifania é uma celebração cristã que acontece em quase todo o mundo (calendário gregoriano) 12 dias depois do Natal e marca o encerramento das férias de inverno. Na tradição cristã a Epifania é a festa da revelação de Jesus como Deus. O termo  Epifania deriva do grego antigo que  significa “manifestação”, “aparição divina” e refere-se à apresentação do Menino Jesus à humanidade, representada pela visita do 3 Reis Magos. 

Festa da Befana

Como em outras situações, como Halloween, a fusão entre festividades cristãs e tradições de origens antigas, a Befana,  representada por uma velha voando na vassoura, é uma figura  popular típica da Itália e não muito conhecida no resto do mundo, que tem origem antiga  associada  a ritos pagãos que se fundem com  elementos folclóricos e cristãos. A  Befana traz presentes em memória daqueles oferecidos ao Menino Jesus pelos Reis Magos.

A Befana é representada, no imaginário coletivo, por uma velha de nariz comprido e queixo pontudo, que viajando  com uma vassoura leva doces e presentes para  as crianças.  Ela usa saia larga, um avental com bolsos, um xale, um lenço ou um chapéu na cabeça

Não se sabe quando nasceu a tradição folclórica da Befana. Há muitos séculos a festa entrou permanentemente nos ritos  pagãos. Durante as doze noites que seguiam ao solstício de inverno, período dedicado às celebrações do renascimento da natureza, os romanos acreditavam que figuras femininas guiadas pela deusa Diana  voavam sobre os campos recém-semeados garantindo dessa forma boa colheita.  Dessa forma surgiu o mito da “mulher voadora”.

No dia Da Befana acontecem manifestações em diversas cidades italianas. Aqui na loja La Rinascente de Florença

Existe uma lenda que relaciona a figura da Befana aos Reis Magos: quando os 3 Reis Magos estavam viajando para Belém encontraram uma senhora e a convidaram para que ela fosse junto com eles, mas ela se recusou.  Arrependida por ter negado de acompanhar os reis, ela  decidiu sair  à procura dos Reis Magos. Na noite do dia 5 para o dia 6 de janeiro, a velhinha pegou a sua vassoura e saiu voando, levando consigo um cesto com doces para presentear o menino Jesus. Como ela não sabia quem era, decidiu presentear as crianças que encontrava pelo caminho. Desde então, a velhinha foi destinada a girar o mundo presenteando crianças com doces para que ela fosse perdoada.

 

As meias temáticas vendidas nessa época do ano na Itália. Essa é uma tradição que  as crianças pendure em casa  uma meia para esperar a visita da  Befana, que deposita balas, doces, chocolates e às vezes  brinquedos. As crianças que se comportaram bem durante o ano recebem  doces e chocolates e as que não foram obedientes, recebem carvão, que na verdade é uma bala ou um doce preto

 

A Befana visita as casas do dia 5 para o dia 6 de janeiro. A data marca também o momento de desmontar a árvore e guardar os enfeites de Natal. L’Epifania tutte le feste porta via!

 

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A igreja de San Martino de Florença

Nas proximidades da área onde nasceu e viveu Dante Alighieri encontra-se a pequena igreja de San Martino, conhecida também como “Buonomini” (Bons Homens), que como  o  próprio nome sugere, cuida dos necessitados em Florença há muitos séculos. A  Compagnia dei Buonomi di San Martino foi fundada em 1441 pelo frei Antonino Pierozzi, Sant’Antonino, que era priore do convento de San Marco e sucessivamente arcebispo de Florença. Ele pediu ajuda a 12 homens que pudessem colaborar com as famílias florentinas que haviam caído em desgraça econômica e por orgulho ou vergonha não pediam ajuda, eram os poveri vergognosi. E pouca gente imagina que no interior dessa pequena igreja encontramos pinturas maravilhosas, um ciclo de afrescos atribuídos à bodega de Ghirlandaio,  que foi maestro de Michelangelo.

A porta da Igreja de San Martino, que foi fundada em 1º de fevereiro de 1442, mas em Florença era ainda 1441 pois o ano novo caía em 25 de março

 

Afrescos atribuídos à escola de Ghirlandaio no interior da igreja

 

Frei Antonino escolheu como sede da Confraria a igreja de San Martino, o santo dos pobres, aquele que compartilhou seu manto com um mendigo encontrado quase completamente nu.

A congregação paroquial conhecida como Buonuomini está localizada  perto da casa de Dante Alighieri, em frente à Torre della Castagna

Um pouquinho de história – Nos séculos 14 e 15, os mercantes  representavam uma grande força  econômica para a cidade. Portanto, grandes ganhos e  obviamente também ruínas fizeram parte desse novo sistema econômico que influenciou fortemente a economia na época.  Um fator que influenciava sobre a fortuna era a política: em Florença usava-se para derrotar o partido oposto, o exílio e o confisco de bens e, com isso,  muitas famílias ricas e poderosas podiam perder todo o capital.  Imaginem que na Idade Média os comerciantes que faliam recebiam uma punição pública: eram acorrentados , ridicularizados e condenados!

O edifício foi construído no século XV e consagrado por Frei Antonino. A igreja foi renovada em estilo renascentista em 1479. Fiz essa foto do Museu Casa di Dante

A congregação  ainda segue as mesmas regras que vigoram desde meados do século 16: recolhe a contribuição de florentinos caridosos e doa anonimamente aos necessitados, protegendo a sua dignidade. A ajuda  sempre foi prestada com a máxima discrição.

O ciclo de afrescos que representam As sete obras da Misericórdia. À esquerda Madonna con Bambino, de Della Robbia

A expressão “essere ridotti al lumicino” na Toscana significa que a situação econômica está muito grave, o que em português seria algo como “ser reduzido à luzinha”. A origem dessa forma de falar surgiu aqui nesta igreja. Quando necessitavam de ajuda financeira, a Fraternidade dos Buonomini acendia uma pequena luz sobre a porta de entrada, enviando dessa forma uma mensagem aos florentinos de que a congregação estava sem recursos para ajudar os pobres e esse método de pedir ajuda funcionou dessa forma até 1949.

Na esquina da igreja  fica o tabernáculo com San Martino  que faz o pedido para os  pobres (século 17), de Cosimo Ulivelli.  Abaixo do tabernáculo, o local para as doações

 

E na fachada da igreja o buraco das instâncias, por onde chegam os pedidos de ajuda

Aqui vale a máxima: faça o bem sem olhar a quem!
Curiosidade:  no dia 11 de novembro celebra-se  São Martinho, um santo que é considerado o padroeiro dos anfitriões, enólogos, sommeliers, vindimadores e até dos bebados!

 

Igreja de San Martino/ Congregação dos Buonomini
Piazza San Martino
Horário de funcionamento: das 10:00 às 12:00 e das 15:00 às 17:00
Domingo e sexta-feira à tarde está fechado
Ingresso gratuito

O Museu dos Medici de Florença

O Museo de’ Medici de Florença é o primeiro e único espaço expositivo inteiramente dedicado à história dessa poderosa família que por cerca de 3 séculos governou Florença e a Toscana.  Com  elementos reais e virtuais, o museu conta principalmente a  história da família  a partir dos anos 1500 e dos Grão-duques da dinastia por meio de salas temáticas, retratos, medalhas, documentos, manuscritos e exposições temporárias, de coleções particulares e portanto, inéditos. O museu , localizado no Palazzo Sforza Almeni, foi inaugurado em junho de 2019.

 

Esse é o primeiro museu dedicado exclusivamente à história da família Medici, onde podemos conferir  coleção de pinturas, manuscritos, objetos pessoais e raridades pertencentes a alguns dos mais  ilustres membros da família

Participei de uma visita guiada organizada pela Toscana è,  associação que ajuda a divulgar as belezas do território toscano. Nossa visita foi conduzida pela competente guia Elena Petrioli, autora do blog Guarda Firenze,  e contou com a participação do diretor do museu, Samuele Lastrucci.

Com a guia Elena, Mad e Sandra e os  membros da  Toscana è Leonardo, Gloria, Marco e Erika

Palazzo Sforza Almeni  – o antigo palácio fica a poucos passos da Catedral Santa Maria Del Fiore

O museu está localizado no Palazzo Sforza Almeni, antiga residência do cavaleiro Sforza Almeni,  que foi conselheiro de Cosimo I de ‘Medici. Sforza Almeni foi  secretário de Cosimo por mais de 20 anos, de quem obteve  privilégios e recebeu muitas honras, como o título de Cavaleiro de Santo Stefano e a posse do edifício, confiscado da família Taddei, que havia se oposto ao regime dos Medici.   Almeni convocou os melhores artistas da época  para reestruturar o palácio,  como Vasari e Ammannati. O papel de secretário confidencial do duque era também muito perigoso e arriscado e aproveito para contar pra vocês uma curiosidade envolvendo o Grão-Duque:  Sforza Almeni pagou com a própria vida a revelação à Francesco I, filho de Cosimo,  de sua relação  amorosa com a jovem Leonora degli Albizi. Cosimo I não gostou nada que seu secretário revelasse ao filho sobre sua vida amorosa  e o assassinou com suas próprias mãos.

Brasão original,  do século 16  das familias Medici e Toledo,  no hall de entrada. Na esquina do prédio fica uma cópia

Família Medici
Um breve resumo sobre a poderosa família Medici, que governou Florença por  cerca de 3 séculos e foi uma das mais importantes do Renascimento italiano. Muito provavelmente a família Medici é originária do Mugello, norte de Florença, mas não existem evidências que comprovem a sua origem.  Os Medici não eram nobres, mas comerciantes de tecidos e banqueiros.
A dinastia começou com Giovanni di Bicci que se tornou o financiador do Papa João XXIII, e a partir desse momento os Medici se tornaram a maior e mais eficiente organização econômica e financeira da época. O processo de construção do domínio dos Medici sobre a cidade de Florença, entretanto, começou com Cosimo de’ Medici, conhecido como Cosimo “O Velho”, em 1434. O esplendor florentino  chegou com Lorenzo de’ Medici, conhecido como “O  Magnífico”, em meados do século XV.
O museu conta principalmente a história da família a partir do século 16,  quando Cosimo I tornou-se o primeiro Grão-Duque da Toscana, título que manteve até sua morte.
Os Medici nunca ocuparam cargos públicos, mas exerciam o poder através da criptomonarquia (“cripto” está para oculto), isso é, eles comandavam colocando no poder personalidades manipuláveis e favoráreis às suas ideias e interesses.

O Museo de’ Medici e a Fondazione Anna Maria Luisa apresentam um espaço inteiramente dedicado à família mais importante de Florença

 

 

A “Sala do Tesouro”, com a reconstrução tridimensional fiel da coroa grão-ducal, que foi perdida

No início do percurso uma sala com uma coleção de retratos, começando pelo casal Cosimo I e Eleonora di Toledo

Salas – Nas salas do museu, grande parte da história da família é contada através da exposição de obras de arte originais, documentos e relíquias, testemunhas diretas do domínio secular dos Médici em Florença.

Três grandes salas do museu são divididas por períodos e retratam os séculos 16, 17, até a primeira metade do século 18, quando faleceu a última herdeira da família.
A primeira sala  é dedicada à genealogia, com diversos retratos expostos por casais, sendo o primeiro o de Cosimo I e Eleonora di Toledo, filha do vice-rei de Nápoles.  A seguir encontramos Francesco I e Giovanna da Áustria. E aqui aproveito para contar sobre uma história de amor que marcou a Senhoria Medici: Francesco era amante de Bianca Cappello, ambos casados na época. Depois que ambos ficaram viúvos, finalmente se casaram. Mas o casal de amantes morreu em circunstâncias misteriosas até hoje não esclarecidas, numa das  vilas da família, a Villa de Poggio a Caiano, arredores de Florença. Depois disso, seu irmão Ferdinando I, que era cardeal,  casou-se com Cristina de Lorena.
Os últimos retratos da sala são os de Anna Maria Luisa de’ Medici, filha de Cosimo III. Anna Luisa foi a última herdeira dos Medici e morreu em 1743.

Afrescos da escola de Giorgio Vasari na pequena capela do Palazzo Sforza Almeni

Na Sala del Cinquecento. No século 16, o poder absoluto passou a ser de Cosimo I de’ Medici, do ramo cadete da família, que assumiu quando tinha apenas 18 anos, após o assassinato do Duca Alessandro, em 1537

Cosimo I de ‘Medici, Grão-Duque da Toscana, em retrato realizado por Agnolo Bronzino (1545 aproximadamente)

 

O Diretor do Museu dos Medici, Samuele Lastrucci

 

Ao centro da Sala del Seicento , escultura do busto de Ferdinando II realizada por Giovanni Battista Foggini

 

Modelo de um galeão da frota dos Medici. Vocês sabiam que  Ferdinando I tentou fundar uma colônia do Grao-Ducado no Brasil? A expedição, liderada pelo inglês Robert Thornton, desembarcou na Guiana e posteriormente no Brasil e quando retornou para a Itália, em 1609, Ferdinando I havia falecido e seu filho não teve interesse em dar continuidade à ideia de seu pai

 

A Sala del Settecento com os retratos dos últimos membros da família

 

Algumas reproduções de cartas e documentos da família

Em outubro de 2023 o Museo de’ Medici passou a funcionar na Rotonda del Brunelleschi

 

Museo de’ Medici

Via dei Servi, 12 – Firenze

Horário :  das 10 às 18 horas, diariamente

Valores do bilhete: 9,00 euros com guia de rádio

5, 00 euros com guia habilitada

15, euros  em companhia do diretor do museu (requer agendamento)

Email: museodemedici@gmail.com

 

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