Arquivo da categoria: Arte e Cultura

Michelangelo

O quarto secreto de Michelângelo

Em Florença, o Museu das Capelas dos Medicis abre ao público o quarto secreto de Michelangelo, ambiente onde o artista passou alguns meses escondido, na primeira metade do século 16.  O local, chamado de “Stanza Segreta di Michelangelo”, foi descoberto há cerca de 50 anos, quando a direção do museu das Capelas dos Medicis estudava a possibilidade de viabilizar uma nova saída do museu, que é o mausoléu da família Medici.

Michelangelo

O quarto secreto de Michelangelo, sob a Sacristia Nova

 

medici

As Capelas dos Medici, mausoléo da poderosa família que “governou” Florença e a Toscana por mais de 3 séculos

O alçapão de acesso ao esconderijo de Michelangelo

Esse pequeno espaço,  com cerca de 10 m de comprimento, 3 m de largura e 2,5m de altura na parte central,  era um depósito de carvão até os anos 1955 e  passou  anos inutilizado.  Esse alçapão ficou por décadas coberto por armários e móveis pesados.  E estudando uma nova saída do museu,  levantaram a possibilidade de fazê-lo através desse ambiente.  Foi nessa ocasião,  nos anos  70,  que o   restaurador que trabalhava no projeto, depois de limpar as duas camadas de gesso das paredes, descobriu um verdadeiro tesouro de valor inestimável: esboços realizados por Michelangelo Buonarroti (1475 – 1564).

Os desenhos foram  descobertos em novembro de 1975. Nas paredes da sala há estudos de figuras inteiras e também desenhos de estudos anatômicos, perfis de rostos e figuras humanas em diversas poses,  além de um esboço de Laocoonte, estátua encontrada em Roma em 1506 e que serviu de inspiração para o artista. Após análises e pesquisas, que ainda estão sendo estudadas pelos historiadores da arte, a maior parte delas foi atribuída a Michelangelo.

Para passar o tempo e vencer a solidão, Michelangelo começou a desenhar a carvão as suas reflexões sobre suas obras

O “quarto secreto” fica sob a  Sacristia Nova,  que foi realizada por Michelangelo, e onde estão as sepulturas de Lorenzo e Giuliano de’ Medici com esculturas realizadas pelo artista.

Com apenas  duas pequenas janelas para o exterior, no nível da calçada,  o  pequeno espaço serviu de esconderijo na época do cerco de Florença, quando Michelangelo precisou fugir da ira do Papa Clemente VII,  sobrinho de Lorenzo “O Magnífico”. O papa  estava zangado com o artista por ter colaborado com o governo republicano durante o período em que os Médici foram expulsos de Florença. De junho a outubro de 1530, Michelangelo viveu escondido neste  pequeno quarto e contou com a ajuda do prior de San Lorenzo.

A iniciativa é experimental e foi prorrogada até julho de 2024, sendo que os ingressos se esgotaram em três dias de vendas. Após essa fase de teste será feita uma avaliação com possibilidade de nova abertura para visitação.  O monitoramento também será realizado nos próximos meses junto ao Opificio delle Pietre Dure.  Todas as precauções de segurança estão sendo tomadas para manter condições de conservação adequadas, essenciais para salvaguardar os preciosos artefatos de Michelangelo. O acesso ao quarto secreto é para um máximo de 4 pessoas, com permanência de até 15 minutos no local.

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Visitar igrejas é também uma  maneira de  conhecer o patrimônio artístico de uma cidade.   Entre os diversos atrativos culturais de Florença, não  podemos deixar de citar as importantes igrejas que fizeram a história da cidade. Quais são as igrejas que merecem uma visita na cidade? Para te ajudar, eu selecionei  7  neste post: 

 

1- O Duomo de Santa Maria del Fiore – a construção da Catedral  foi iniciada por Arnolfo di Cambio no final do século 13 , enquanto a famosa cúpula de Brunelleschi foi concluída no século  15, e  a fachada em estilo neogótico, é do século 19. É possível visitar o terraço e a cúpula da igreja, depois de superados 463 degraus. Mas é incrível o percurso e claro, poder admirar a cidade lá do alto! Catedral  Santa Maria Del Fiore, Piazza del Duomo . Ingresso gratuito

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2-  Igreja de Santa Maria Novella –  Sede dos dominicanos,  é uma das igrejas góticas mais importantes da Toscana. A fachada é uma bela obra de Leon Battista Alberti e em seu interior,  há um magnífico crucifixo de Giotto e  obras de Masaccio,  Ghirlandaio e Brunelleschi.  Piazza Santa Maria Novella, 18 (a pagamento)

Feita em mármore,  é uma das mais importantes obras do Renascimento fiorentino, mesmo tendo sido iniciada precedentemente

 

3-  Igreja de Santa Croce- a Basílica franciscana de Santa Croce é conhecida como o Templo das Glórias Italianas, onde  estão enterrados  muitos artistas do Renascimento e também  personalidades importantes de áreas como música e literatura. É famosa não apenas por sua beleza, mas também porque ali estão os restos mortais de italianos ilustres como Maquiavel, Ghiberti, Michelangelo e Galileu. Piazza di Santa Croce, 16 (a pagamento)

A construção da igreja de Santa Croce começou em 1294 e o projeto foi atribuído à Arnolfo Di Cambio, mas foi concluída quase um século depois e contou com a ajuda das ricas famílias florentinas que contribuíram com doações em troca de sepulturas na igreja

4- Igreja de Santo Espírito – Esta igreja,  no bairro do  Oltrarno, tem um aspecto  simples e foi projetada por Brunelleschi. No seu interior encontram-se obras de  famosos artistas florentinos,  e um crucifixo de madeira esculpido por Michelangelo. Piazza di Santo Spirito, 30.  Ingresso gratuito.

A igreja de Santo Spirito, na praça homônima

5 -A Igreja de San Lorenzo –  San Lorenzo é  uma das igrejas mais antigas de Florença. Essa era a igreja preferida da família Medici e contém magníficas obras de Bronzino, Rosso Fiorentino e Donatello. Piazza di San Lorenzo, 9 (a pagamento)

6 – Igreja de Ognissanti- Esta esplêndida igreja começou a ser construída no século 13 e, ao longo dos séculos, foi remodelada em vários estilos diferentes. A arte medieval, renascentista e barroca  coexistem criando um  espaço único. Em seu interior, obras de Ghirlandaio, Giotto e Botticelli, que inclusive, foi enterrado na igreja. Borgo  Ognissanti, 42. Ingresso gratuito.

7 –  A Igreja de San Miniato al Monte–   A basílica  está localizada na parte alta da cidade e é um exemplo perfeito do estilo românico italiano. A   igreja, que fica perto do  Piazzale Michelangelo, começou a ser construída em 1013.  Via delle Porte Sante, 34. Ingresso gratuito.

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A street art em Florença

A  street art em Florença vive nas esquinas e muros de praticamente todas  as ruas da cidade. À sombra dos antigos edifícios renascentistas e da cúpula de Brunelleschi, novas expressões da arte contemporânea encontram o seu espaço numa cidade que se transforma cada vez mais num museu a céu aberto.  Neste post algumas fotos que fiz ao longo dos últimos meses,  no centro histórico:
Sobre a street art: a  arte de rua  começou  como uma evolução do grafite com o qual partilha o lugar de ação, isso é, o contexto urbano,  e que surgiu nas décadas de 70 e 80. A princípio, um movimento underground, que foi devagarzinho conquistando seu espaço e conceito de cunho artístico,  e não mais associada à vandalismo.
street art

O artista Maurizio Rapiti se inspirou em Rafael Sanzio. Elementos contemporâneos e um pouco de ironia: Fornarina Suicide Girl

Sem autorização, artistas com formação tradicional começaram a criar  suas obras nos muros,  becos e  esquinas,   colorindo, provocando e procurando um confronto direto com os transeuntes e às vezes transmitindo mensagens de protesto e denúncia social.
streetart

Whatifier mora em Nápoles, mas seus pôsteres estão espalhados pelas ruas de todo o mundo. Os cartazes que cria são pintados à mão, principalmente em acrílico. Suas obras tratam principalmente de tolerância, inclusão e um mundo sem fronteiras

 

Street art

Cartaz com intervenção do artista Clet, que tem ateliê em San Niccolò, no Oltrarno

Um dos mais célebres artistas da street art do cenário florentino  é o francês Clet, que  tem ateliê no Oltrarno. Ele modifica sinais de trânsito através de simples adesivos, reinterpretando-os de forma irônica.

Streeart

Clet é um dos mais conhecidos artistas da street art italiana

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Outro artista com muitas obras pela cidade é o misterioso Blub. Com bom humor retrata personagens famosos usando máscara de mergulho e snorkel.  O artista não se identifica e nem mesmo revela seu sexo. A ideia de entitular seus trabalhos como “A arte sabe nadar”  (L’arte sa nuotare)  é  transmitir a mensagem de que mesmo em dificuldade, com água até o pescoço, a arte resiste.
street art

Blub utiliza geralmente as cores azul e vermelha em seus desenhos

arte

O Dante de Blub, na Via dell’Inferno

Atista de origem francesa radicado na Itália,  Hopnn, que mora em Roma, também decorou algumas ruas de Florença.  Ele  coloriu a rua Borgo Stella de branco, preto e vermelho com personagens da família Medici.

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Pop art . Denominado “Mebici”, o trabalho faz alusão às bicicletas, que foram desenhadas no rosto e vestimentas dos personagens

Nos últimos anos o artista toscano Exit Enter divulgou  pela cidade seus personagens estilizados que são notados e apreciados pelo público nas ruas.  É quase impossível não ter notado suas obras de  “homenzinhos” por Florença. Ele retrata cenas simples, símbolos de entrada e saída de um mundo de possibilidades ou, simplesmente, metáforas de fuga da realidade.

arte-de-rua

Do artista Exit Enter: seus personagens são simples nas linhas e nas cores

Seus desenhos invadiram a cidade  com as palavras “free”, “exit” e “lost”, sempre em preto e vermelho. O artista  manifesta-se de acordo com o que  percebe  sobre ambiente circundante e de acordo com seu estado emocional.

street art em Florença

Os homenzinhos de Exit Enter, desenhados com linhas pontilhadas, nascem de pequenas histórias, perseguem corações, voam agarrados a balões, veneram flores  e procuram saídas

 

Obra perto da piazza Santa Croce, de Lediesis

E caminhando por Florença prestando atenção também nos muros, não é dificil se deparar com as obras de Lediesis, que também faz mistério sobre sua identidade, que provavelmente é constituído por um pequeno grupo de amigos. Em suas obras pela cidade, os artistas anônimos  homenageiam mulheres dando-lhes superpoderes. As heroínas transbordam emancipação, independência e consciência.

As obras assinadas Lediesis falam por si e contam a história de protagonistas da cultura contemporânea que se tornaram heroínas, exibindo o inconfundível “S” no peito,  que é símbolo do Super-Homem e dando uma piscadinha de olho para o observador, para capturar a atenção de quem passa diante de suas obras.

Street art florentino

Da artista  franco-asiática que assina Showshowart. Não sei se existem outras obras dela aqui na cidade, mas adorei essa que vi perto da Ponte Vecchio

Infelizmente algumas manifestações são abusivas e representam uma dor de cabeça para a cidade, que constantemente precisa pintar os muros para evitar poluição visual.  Mas a  arte urbana nos  faz refletir e transmite mensagens sociais importantes.  Você prefere que as expressões artísticas se limitem aos espaços fechados dos museus ou admira a Street art à ceu aberto?

 

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O novo complexo de Orsanmichele de Florença

Completamente renovado, o Complexo de Orsanmichele reabre ao público em janeiro de 2024,  depois de mais de um ano de obras,  após  intervenção que durou 400 dias.

Foram criadas estruturas que elevam as esculturas,  como se estivessem num pódio,  sugerindo  a localização original nos tabernáculos externos. Cada uma das esculturas está situada na posição correspondente a da fachada

Orsanmichele, um antigo mercado de grãos,  é uma das mais importantes e representativas construções de Florença, um monumento extraordinário que combina funções religiosas e civis.  Cópias  de estátuas de grandes artistas decoram as quatro faces do imponente edifício de pedra, que fica entre a Praça da Signoria e a Catedral de Santa Maria del Fiore. As esculturas originais encontram-se no museu, que ocupa o primeiro e o segundo andar do prédio.

O prédio abriga cópias esculturas de famosos artistas florentinos nos nichos externos. As originais encontram-se no museu

 

Na parte externa da construção, as cópias das 14 estátuas que decoram o prédio. O museu abriga 13 esculturas

Restauro, medidas de segurança, reorganização do museu e melhoria dos acessos: depois de mais de um ano de intenso trabalho, o Complexo Orsanmichele, monumento único e extraordinário onde se realizam funções civis e religiosas, reabre as suas portas ao público.

Novo layout do museu Orsanmichele

O início da história dessas estátuas  é  principalmente  do século 14  , quando foi decidido que as guildas medievais (que seriam as corporações de ofício ou associações) mais influentes da época iriam decorar os nichos na parte externa da igreja  com  estátuas de seus santos padroeiros.

As mudanças permitem ao espectador admirar  as estátuas no interior do museu tal como se encontravam no exterior, aumentando assim a eficácia da visita

Das 14 estátuas que decoravam a área externa da construção, 13 das originais encontram-se aqui no museu Orsanmichele. Apenas a escultura  de São Jorge, feita por Donatello, encontra-se no museu do Bargello.

estatuas-renascimento

Descobrindo as belezas do rico patrimônio artístico de Florença

No novo layout foram reposicionadas as 13 estátuas originais, obra dos maiores escultores do Renascimento florentino,  como por exemplo Lorenzo Ghiberti, Donatello, Nanni di Banco, Andrea del Verrocchio, Baccio da Montelupo e Giambologna.

 

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Orsanmichele

os Quatro Santos Coroados, de Nanni di Banco

 

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Detalhes da escultura de São Pedro, trabalho de Donatello do início do século 15

 

orsanmichele

O lindo panorama do segundo andar do museu de Orsanmichele

orsanmichele em Florença

 

orsanmichele

Igreja de Orsanmichele- A  igreja, no andar térreo,  também foi restaurada. Os arquitetos trabalharam  nas grandes portas de acesso e no sistema de iluminação. Na foto, o tabernáculo de Orcagna (século 14)

O museu, que faz parte dos Museus Bargello, estará aberto todos os dias, exceto terça-feira.

 

Complexo de Orsanmichele

Igreja e Museu Orsanmichele

Horários: de segunda à sábado, das 8:30 às 18:30  / domingo: 8:30 às 13:30

*os horários e valores podem variar de acordo com a época do ano

Michelangelo

Tondo Doni, a única pintura num suporte móvel feita por Michelangelo

Uma das maiores obras-primas do Renascimento, a Sagrada Família, conhecida também como Tondo Doni, foi realizada por Michelangelo entre 1505 e 1507 e é a unica pintura num suporte móvel feita pelo artista, isso é, possível de ser transportada.

Tondo

O quadro está exposto no Museu Uffizi, ao lado de outros magníficos quadros realizados por Rafael Sanzio de Agnolo Doni e Madalena Strozzi, que encomendaram a obra à Michelangelo. Esta é a única pintura de Michelangelo que podemos ver em Florença.

Tondo Doni, uma das obras-primas do Renascimento italiano

Sobre o Tondi  Doni:

– é chamado  tondo pela forma circular, muito em voga em Florença na época da encomenda e que era realizado principalmente para decorar os quartos na casa de colecionadores privados

 

Tondo-doni

A pintura de Michelangelo parece uma escultura. Ao fundo, referências de esculturas antigas, principalmente da obra Laooconte, encontrada em Roma no início do século 16

– A ocasião para a qual este trabalho foi criado ainda é motivo de fortes discussões. Uma corrente sustenta que o Tondo Doni foi encomendado por Agnolo Doni, rico comerciante florentino e colecionador de obras de arte, provavelmente em ocasião de seu casamento com Maddalena Strozzi, realizado em 31 de janeiro de 1504. Alguns estudiosos atribuem a encomenda ao batizado da filha Maria, em 1507

 

– Ao centro da obra, em primeiro plano, estão Maria, o Menino Jesus e José e podemos perceber em alguns personagens a chamada “figura serpentina”, que transmite um sentido de movimento. Michelangelo, cuja atividade preferida era a escultura, faz corpos escultóricos nessa obra

 

Não podemos afirmar com certeza se o Menino Jesus está sendo passado de Maria para José ou de José para Maria

– O diâmetro do quadro é de 1,20 m
– esta é a única obra móvel que pode ser atribuída com certeza à Michelangelo
– outra curiosidade que envolve a obra é a tratativa de valor. Michelangelo tinha pedido 70 ducados pelo quadro mas Agnolo considerou o preço excessivamente alto e ofereceu-lhe 40 ducados. Michelangelo ficou irritado e indignado e pegou a pintura pedindo o dobro do valor inicial. Doni, para ter o seu quadro de volta, aceitou pagar o valor de 140 ducados solicitado por Michelangelo

 

– a moldura foi provavelmente desenhada por Michelangelo, com minucioso trabalho de entalhe atribuído à Francesco del Tasso, grande expoente da tradição da escultura em madeira.
– No final do século 16 os herdeiros de Agnolo Doni tiveram um declínio econômico e seu filho Giovanni Battista vendeu a obra para o Grão-duque da Toscana Ferdinando I de’ Medici, que a pendurou em seu quarto no Palazzo Pitti.

 

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Visita à uma fabrica de couro em Florença

Florença  é conhecida pela produção do couro desde a Idade Média e a cidade continua sendo  referência pela excelência, tradição e  qualidade dos produtos manufaturados. O artesanato na capital toscana sempre teve um impacto muito grande  na cidade e é uma  importante referência mundial.

A produção de couro em Florença possui uma tradição  quase milenar  que até hoje é famosa e reconhecida  em todo o mundo

Florença ainda hoje se dedica à tradição artesanal de artigos de couro e poder conhecer de perto essa realidade é uma experiência válida e muito interessante! Recentemente visitei  uma fábrica de couros que há 50 anos produz bolsas e acessórios de couro para diversas marcas de renomadas grifes de luxo  e que lançou há pouco tempo sua própria linha, a Minobossi.

Objetos únicos com materiais nobres através de construções artesanais transmitidas de geração em geração

A MinoBossi produz bolsas e acessórios  desde os anos 70 e é uma empresa familiar que está na terceira geração. Tudo é  made in Italy e feito à mão com muita paixão e maestria, combinando a tradição local  e design moderno e arrojado.

Fui conhecer a empresa em companhia de Elena Farinelli

Poder ver de pertinho e identificar os diferentes tipos de couro, desde os de origem bovina até os mais exóticos

 

Na empresa há um espaço dedicado para os visitantes poderem realizar sua própria criação, através de um workshop. Que tal levar pra casa um artigo personalizado?

A visita  nos dá a possibilidade de realizar uma verdadeira viagem através da realidade virtual, onde  acompanhamos todo o processo de produção de uma bolsa.  Depois de conferirmos  como as peças são feitas é possível  participar de um workshop e  customizar um pequeno objeto de couro. Depois de criar seu próprio  artigo, é a vez da visita  ao showroom, com toda a coleção disponível para venda a preço de fábrica.

Através da realidade virtual acompanhamos todo o processo de produção de uma bolsa

A empresa realiza bolsas para as mais importantes e luxuosas grifes do mundo

Se você quer vivenciar uma experiência como essa e adquirir  bolsas e acessórios de couro  made in  Italy  a preço de fábrica, me escreva que organizo a visita na empresa com possibilidade de passeios à vinícolas e burgos medievais nos arredores de Florença.

No showroom da Minobossi, com a proprietária da empresa Monica Bonaiuti e Francesca Turchi, consultora que nos recebeu durante a nossa visita

Grazie tante Elena, Francesca, Monica e Minobossi! 

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7 curiosidades sobre a cúpula do Duomo de Florença

Mistérios e curiosidades envolvem a construção da cúpula do Duomo. A cúpula da igreja Santa Maria del Fiore é uma das obras-primas da arquitetura e as técnicas utilizadas em sua construção  foram resultado de longos estudos e diversos experimentos.  Inclusive seu autor, Filippo Brunelleschi (1377 – 1446),  passou uma temporada em Roma para estudar  as construções da Antiguidade, principalmente o Panteão, buscando uma solução para aplicar na cúpula da catedral, que por  cerca de 50 anos ficou sem um teto, porque ninguém conseguia apresentar um projeto para uma igreja tão imponente.

duomo

Estátua de Filippo Brunelleschi, autor da cúpula

Filippo Brunelleschi foi arquiteto, escultor e ourives florentino  que apresentou um projeto ousado  para a cúpula da catedral, que é a  construção mais alta de Florença, com  116 metros.  Sua construção  envolve alguns mistérios e curiosidades e aqui vou enumerar 7  deles pra vocês:

1-    Há registro de apenas 1 morte durante os 16 anos de sua  construção

2-   O peposo dell’Impruneta , um dos pratos típicos toscanos,  foi criado na época de sua construção.  Durante o cozimento  dos tijolos, aproveitaram para preparar também o almoço dos trabalhadores

3-     Brunelleschi  construiu não apenas uma, mas duas cúpulas: uma interna e outra externa

4-    A cúpula foi elevada graças a máquinas engenhosas desenhadas pelo próprio Brunelleschi, com guindastes e guinchos movidos por animais

5-     Graças ao seu interesse  nas áreas de matemática e engenharia, ele desenvolveu  a perspectiva linear, tornando possível a representação de um objeto tridimensional em uma superfície plana

6-    O assentamento dos tijolos da cúpula  foi através de uma técnica conhecida como “espinha de peixe”

7-    É possível visitar a cúpula mas são 463 degraus até o topo,  com degraus irregulares e passagens estreitas. Não é recomendável para quem sofre de claustrofobia e problemas de coração. Em janeiro deste ano um turista brasileiro precisou  de atendimento e o socorro foi digno de cena de  filme,   ainda bem que tudo terminou bem!

Você conhecia todas essas curiosidades sobre a construção da cúpula?

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Do alto da cúpula: possibilidade de apreciar os monumentos  da cidade de um ponto de vista raro e incomum

Um dos locais mais desejados e exclusivos de Florença é sem duvida alguma a cúpula do Duomo da cidade.  O panorama que temos lá do alto é extraordinário!

 

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O crucifixo de Giotto na Basílica de Santa Maria Novella

É impressionante a quantidade de tesouros artísticos que encontramos na Basílica dominicana de Santa Maria Novella de Florença! Ao centro da igreja temos uma importante obra-prima: o Crucifixo em madeira, realizado por Giotto da Bondone, provavelmente entre 1288 e 1289.

O crucifixo de Giotto foi realizado no final do século 13. É pintado em têmpera e ouro sobre painel de madeira (578 x 406 cm)

Por que o Crucifixo de Giotto é uma obra tão importante?

Cristo ao centro , com Maria e São João

Entre as crucificações que marcaram a história da arte, o Crucifixo de Giotto que encontramos em Santa Maria Novella, aparece no topo da lista.

O crucifixo de Giotto é considerado uma antecipação da arte renascentista

O crucifixo de Giotto é considerado uma obra fundamental para a história da arte italiana, pois o artista explora e inova a iconografia do Christus patiens , que já havia sido introduzido na arte italiana na segunda metade do século 13 por Giunta Pisano e Cimabue.


A relevância da obra consiste no realismo do Cristo retratado, que não é idealizado, como na arte bizantina, estilo dominante na época, mas aqui temos um corpo humano real. O Cristo de Giotto mais fiel à realidade, representado por uma pessoa em carne e osso sofrendo na cruz.

Nesta obra Giotto pinta imagens realistas, expressivas e tridimensionais, sendo que outra inovação importante que testemunhamos é o claro-escuro. A cruz é de madeira e tem quase 6 metros de altura e foi realizada quando o artista tinha cerca de 20 anos.

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A Fogueira das Vaidades

No dia 7 de fevereiro de 1497, véspera da Quaresma, aconteceu um episódio  importante na Piazza  della Signoria de Florença conhecido como a Fogueira das Vaidades,  quando seguidores do  pregador Girolamo Savonarola queimaram objetos considerados pecaminosos, que eram associados à ostentação, ao luxo,  ao pecado e ao prazer. ras de Savonarola, diz-se que até Sandro Botticelli atirou  algumas de suas obras na fogueira.

Savonarola predica contro il lusso e prepara il rogo delle vanità”, Ludwig von Langenmantel, 1881

Milhares de obras de arte, joias,  quadros, livros, vestidos,  cartas de baralho e  instrumentos musicais foram destruídos. Convencido pelas palavras de Savonarola, diz-se que até Sandro Botticelli atirou  algumas de suas obras na fogueira.

A praça da Signoria, onde aconteceu a Fogueira das Vaidades em 7 de fevereiro de 1497

 

Predica di Savonarola nella basilica di San Miniato a Firenze , obra de Hyppolite Flandrin, 1840, Lione

A “Fogueira das Vaidades” era uma prática que acontecia em diversas cidades européias. Nessas ocasiões, acompanhados de  sermões  concorridos e fervorosos que condenavam os vícios , riquezes e vaidade, queimavam-se  objetos relacionados  ao  pecado.  Mas,  devido à sua proporção  e impacto, a expressão designa especialmente o acontecimento  ocorrido  em Florença, cidade onde se expressava o Renascimento, que traduzia  ideias humanísticas  no âmbito da  arte,  literatura e ciências.

A Piazza Savonarola de Florença em dia de mercado

 

Savonarola, nascido em Ferrara,  veio para Florença em 1490  a pedido do próprio  Lorenzo O Magnifico, que faleceu 2  anos depois. Em toda Florença não havia um homem que gozasse do mesmo consenso que o frei, sem contar com sua indiscutível oratória e   extraordinário carisma.

Savonarola alcançou grande sucesso com seus sermões, ouvidos e apreciados sobretudo pelos pobres e descontentes. Isso porque em seus sermões  não teve medo de denunciar a decadência e a corrupção da igreja, e não deixou de questionar, lançando inúmeras acusações contra os governantes e  a exploração do povo.

Para facilitar as assembléias do conselho,  Girolamo Savonarola mandou construir um enorme salã dentro do Palazzo della Signoria: o que hoje conhecemos como Salone dei Cinquecento, e que ganhou decoração no século 16

Savonarola viveu no convento de San Marco,  onde foi prior,  entre 1491 e 1498. No ex-convento de San Marco é possível visitar a cela de Savonarola e ver alguns de seus objetos.

O Convento de San Marco, onde Savonarola viveu

Savonarola, o “senhor religioso”, protestava contra a devassidão da sociedade e a corrupção eclesiástica e também contra  o papa Alexandre VI (Rodrigo Borgia), que, segundo o frei, personificava o vício e a corrupção. Ele criticava abertamente o Vaticano e o Sumo Pontifice.  Por esse motivo, Florença precisava decidir:  ou entregam o herege ao Papa ou a cidade sofreria  interdição papal.  O  apoio popular de  Savonarola decaiu e  ele  acabou por ser preso.  Processado  por heresia, ele foi levado à prisão o na Torre de Arnolfo no Palazzo Vecchio,  uma pequena cela na torre de Arnolfo, conhecida como Alberghetto.

O religioso foi condenado à morte, enforcado e  queimado  em  23 de maio de 1498, aos 46 anos. Suas cinzas foram  jogadas no Rio Arno.

Essa é a placa colocada no local onde Girolamo Savonarola foi executado na Piazza della Signoria

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A Porta do Paraíso do Batistério de Florença

A encomenda por parte da corporação da Arte di Calimala da célebre Porta do Paraíso do Batistério de San Giovanni de Florença  deu-se em 2 de janeiro de  1425. Lorenzo Ghiberti é o autor da magnífica obra, que foi realizada em 27 anos,  entre 1425 e  1452.

As Portas do Paraíso realizadas por Ghiberti, no Museu dell’Opera del Duomo

A porta  deveria ficar inicialmente no lado norte do Batistério de San Giovanni mas depois de pronta, devido  ao seu esplendor e  beleza, decidiram colocá-la numa posição de honra: em frente à Catedral Santa Maria del Fiore, o Duomo de Florença, no lado leste. Ela foi denominada assim por Michelangelo, que disse: “são tão  lindas que estariam bem nas portas do Paraíso”.

A Sala del Paradiso com as portas originais do Batistério de São João

Em 1966 a enchente que acometeu Florença danificou a porta que precisou ser restaurada. E foram necessários 26 anos de trabalhos, que foram realizados pelo Opificio delle Pietre Dure e que, depois de prontas,  ganharam novo endereço:  as Portas do Paraíso ficam custodiadas no Museo dell’Opera del Duomo.

O Museo dell’Opera del Duomo é um moderno museu de Firenze que reúne  a maior coleção do mundo de esculturas da Idade Média e do Renascimento fiorentino

A porta foi realizada em  bronze e coberta por uma camada de ouro. São 10 painéis quadrados modelados em baixo, médio e alto relevo . Graças ao uso do baixo relevo e da prospectiva são  narrados vários episódios dentro de apenas 1 painel. Ao total, são 47 episódios bíblicos do Antigo Testamento.

A cópia das Portas do Paraíso

A porta realizada por Ghiberti foi substituída por uma cópia feita em 1990 graças à generosidade de um magnata japonês.

No Batistério de San Giovanni encontramos uma cópia das Portas do Paraíso

Portas do Paraíso. Mas por que são chamadas assim?
Segundo Vasari, foi Michelangelo quem  as chamou assim pela primeira vez, pois eram  tão bonitas que estariam bem nas portas do Paraíso : “Elle son tanto belle che starebbon bene alle porte del Paradiso”!

Os painéis iniciam contando a história da criação, com  Adão e Eva e prosseguem com os principais personagens do povo hebraico até terminar com as duas últimas com os reis Davi e Salomão .

Os batentes da porta são decorados com pequenos bustos de personagens bíblicos, profetas e sibilas. Um dos bustos é o artista: Lorenzo Ghiberti. programa iconográfico dos painéis foi confiado a Leonardo Bruni

Na parte interna 24 estátuas de profetas e sibilas e  na parte redonda cabeças de personagens bíblicos e no interior o autorretrato de Ghiberti e seu filho Vittore,  seu colaborador.

Curiosidade: Brunelleschi e Ghiberti “duelaram” para a realização de uma obra importantíssima de Florença: a Porta Norte do Batistério de San Giovanni, em 1401. Os artistas que se inscreveram deveriam apresentar um relevo com a representação de uma passagem do antigo testamento: o sacrifício de Isaque. Na epoca,  foi Ghiberti  que venceu.

Esse concurso realizado para a execução de uma das portas do batistério de Florença em 1401 marca de fato o início do Renascimento na Itália.  O trabalho de realização das Portas do Paraíso foi o segundo de Ghiberti no Batistério.

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