Arquivo da categoria: Arte e Cultura

Escola do Couro de Firenze

Firenze orgulha-se de suas tradições que é também mantida através do artesanato. E um endereços mais importantes  ligados à artesanalidade na cidade é   Escola do Couro de Firenze , que funciona no complexo da Basílica de Santa Croce, num antigo dormitório projetado por Michelozzo.  Firenze  carrega um considerável  legado na arte do couro graças também à   Scuola del Cuoio, com 70 anos de história dedicados à criação de artigos de couro. A escola foi fundada após a Segunda Guerra Mundial através dos esforços colaborativos dos frades franciscanos do Mosteiro da Santa Croce, que desejavam ensinar uma profissão aos órfão, e das famílias Gori e Casini, mestres artesãos de couro florentino desde os anos 1930.

 

Para quem está em busca de artigos de couro Made in Italy

 

Aqui  você pode encontrar o que busca sem se preocupar com  autenticidade do produto,  que é realizado por artesãos que também se formam no local

Marcello Gori deu vida à Escola do Couro, que abriu suas portas ao público na década de 1950 e ainda é administrada por suas filhas e seu sobrinho.  A escola surgiu numa posição estratégica, ao longo das margens do rio Arno nas proximidades de Santa Croce.  É que a água era essencial para o funcionamento das oficinas artesanais, por esse motivo  diversas empresas se estabeleciam  nas proximidades  de locais que concentravam grande quantidade  de água.

 

A qualidade de seus produtos e o compromisso com a tradição tornaram famosa a Escola de Couro

O acesso à escola dá-se pelo pátio que fica atrás da Catedral de Santa Croce

 

Desde 1950, a Escola do Couro produz peças artesanais de couro de alta qualidade, como bolsas, mochilas, carteiras, malas, cintos, pastas, álbuns e caixas. Cerca de 20 artesãos trabalham dentro da escola,  produzindo a artigos de diversos estilos, dos  clássico ao  contemporâneo. Além disso, a escola oferece a oportunidade de aprender técnicas e conceitos de trabalho em design, por meio de cursos de 3 ou 6 meses e de vários workshops.

 

São cerca de 20 artesãos que trabalham na escola. E  durante a visita à escola podemos assistir aos estudantes em ação

A escola tem como objetivo transmitir o valor da arte manufatureira florentina, ajudando a preservar  a tradição de produtos feitos sob medida com competência e criatividade, remando contra e resistindo à enorme globalização de produção da nossa era.

Dedicação, concentração e  tempo, fundamentais  para o processo criativo e produtivo do artesanato, pois aprimora os detalhes, confere personalidade, singularidade e exclusividade a um objeto precioso

 

Os estudantes da Escola de Couro vêm de todo o mundo.  Alguns decidem se estabelecer em Florença e outros retornam ao seu país de origem levando na bagagem uma grande riqueza: a habilidade  e o know-how da arte manufatureira florentina.

 

Cerca de 80% dos artigos produzidos são exportados

 

 

 

Scuola del Cuoio 

Via San Giuseppe, 5 r – Firenze

Santa Croce

Horário de funcionamento:

Outono / Inverno –  de segunda a sexta, das 10h (sábado das 10:30) às 18h
Primavera / Verão – diariamente das 10h às 18h

Os campos de lavanda da Toscana

Quem nunca sonhou em passear pelos campos de lavanda para apreciar de perto toda a beleza da natureza que se colore de lilás e poder sentir  o  suave  perfume das flores? A característica imagem que nos remete à Provença pode ser também apreciada em diversas localidades da Itália nos meses de verão. Recentemente eu pude matar a minha vontade de visitar um campo de lavandas nos arredores de Firenze.

Conhecida por seu perfume delicado, a lavanda é sinônimo de bem estar, saúde e beleza. É utilizada na indústria de perfumaria, alimentos e medicamentos

Estive junto com Laura Di Benedetto, autora do Life Blogger  visitando um campo de lavandas inserido num panorama lindíssimo a poucos minutos do centro de Firenze. Borghetto 39 é um charmoso B&B gerenciado por Carlotta e sua mãe Daniela Zavattoni, que nos ciceroneou numa tarde ensolarada de verão.  Daniela nos contou sobre a decisão de dedicar-se à terra e ao agroturismo. Na verdade foi uma escolha guiada pelas circunstâncias da vida.  Ano passado seu ex-marido, pai de Carlotta e proprietário da estrutura, sofreu um acidente com o trator e com sua morte a filha refletiu e aceitou os conselhos de mãe. Depois de 8 anos vivendo em Londres, Carlotta deixou a capital inglesa e voltou para Firenze, sua terra natal, para recomeçar essa nova atividade e dedicar-se ao setor agrícola.

 

Em visita aos campos de lavanda com Laura e Daniela

 

 

O Borghetto 39 conta com dois apartamentos independentes, com cozinha moderna e equipada, acolhedora e confortável sala de estar, com os quartos distribuídos no andar superior e enorme varanda, de onde  podemos apreciar a linda vista das colinas de Fiesole.  Daniela tem veia artística  – inclusive pintou algumas telas expostas no local – e foi ela mesma quem decorou todos os ambientes, com muito bom gosto e criatividade, utilizando alguns móveis restaurados e garimpados em mercadinhos.

 

A lavandula é um gênero de plantas pertencente à família Lamiaceae.  Compreende cerca de 40 espécies, entre elas a que chamamos de lavanda e cujo nome deriva do latim “lavare”, que significa lavar

 

A lavanda se adapta a vários tipos de solo, não precisa de muita  água, mas de luz solar.  Aqui na Itália podemos  admirar os campos floridos entre junho e agosto, que assim como os girassóis, florescerem no verão.

 

No agroturismo existem 3 campos de lavanda,  bem próximos um do outro, circundados por oliveiras. Daniela está desenvolvendo uma novidade que ainda não pode ser divulgada, mas que já experimentamos em primeira mão. Em breve espero poder contar pra vocês!

 

O óleo essencial de lavanda  é versátil e promove o equilíbrio do corpo e da mente. É ótimo para a saúde da pele e do cabelo.  Tem propriedades terapêuticas que ajudam a combater a insônia e a ansiedade

 

Benefícios da lavanda – A lavanda, originária da Europa Mediterrânea, Oriente Médio e África, tem propriedades antissépticas, cicatrizantes, antioxidantes, analgésicas, antidepressivas, adstringentes, relaxantes e desodorantes.  O óleo de  lavanda é um dos poucos óleos que podem ser aplicados diretamente na pele. Podem ser utilizados  como integradores, como ingredientes ativos, como cosméticos, em produtos de higiene pessoal,  para o ambiente e também para a preparação de doces e bebidas.

 

O santuário de Montesenario, na Toscana

Situado no topo de uma montanha, o santuário de Montesenario está entre os mais importantes da Toscana. É um dos nossos refúgios principalmente no verão, quando os termômetros acusam temperaturas elevadíssimas em Firenze, que nos refugimos nesse cantinho verde nas colinas do Mugello, a 817 m de altitude, com bosque cobertos de pinheiros.  No local também fica um igreja e um convento. O monumental complexo arquitetônico de Montesenario, em Vaglia, a apenas 18 Km de Firenze, domina todo o vale de Mugello.  Segundo a tradição, o santuário foi fundado em meados do século 13 por  sete frades florentinos que deixaram suas vidas confortáveis para se tornarem eremitas, instituindo assim a Ordem dos Servos de Maria, ou Servitas.  Frequento Montesenario desde que cheguei na Itália pois meu marido é muito aficionado ao local, pois quando criança ia com os avós assistir as missas aos domingos de manhã.  Em uma de nossas idas ao local conhecemos o frei Bruno Wilson, brasileiro de Rio Branco, Acre, que vive no convento  desde 2005.  Ele foi meu guia recentemente em visita ao convento e à igreja.

 

A Virgem Maria era a grande inspiradora do novo grupo religioso que nascia. Por isso, assumiram o nome de “Servos de Santa Maria” ou Servitas

 

Montesenario é meta para peregrinos, motociclistas, ciclistas e famílias que buscam um local mais fresco quando as temperaturas estão altas em Firenze. Muitos sobem para fazer meditação ou simplesmente  apreciar a beleza do local. O convento organiza reuniões, retiros, exposições de arte e também um curso de iconografia que acontece duas vezes por ano.

Entre os santuários da Toscana, Montesenario é um dos mais célebres por sua posição privilegiada. Dista apenas 18 Km de Firenze e está 817 m acima do nível do mar

Em meados do século 13, sete nobres florentinos se retiraram para este lugar para a vida eremita, dedicando-se à penitência e à oração: eles rezavam,   ajudavam os pobres,  doentes e carcerários, ou seja, os mais necessitados.

Nos bosques de Vaglia, perto de Bivigliano

 

Frei Bruno atua principalmente no restaurante do complexo

Há 120 anos, os frades produzem licores seguindo as receitas da antiga farmácia do convento de Montesenario e aqui você pode comprá-los no local. A energia elétrica foi implantada no local  em 1919.

Licores à venda no bar do convento. Dentres os mais famosos, o  Gemmo d’Abeto, exclusivo e excelente produto

 

História

Os sete primeiros padres que iniciaram o convento de Montesenario por volta de 1245 são os mesmos que nos séculos foram chamados de os “Sete Santos Fundadores” da Ordem dos Servos de Maria: Bonfiglio dei Monaldi, Buonagiunta Manetti, Manetto dell’Antella, Amideo degli Amadei, Uguccio degli Uguccioni, Sostegno dei Sostegni e Alessio dei Falconieri.

Os 7 homens abdicaram da riqueza com a intenção de dedicar a vida a Deus e de viver como irmãos depois de terem recebido um chamado em  dia 15 de agosto do ano 1233, quando estavam reunidos em oração. Depois desse encontro com Maria,  os jovens decidiram abandonar tudo o que tinham, bem como suas famílias,  para se dedicarem  à vida de oração e à caridade para com os pobres.  Deixaram a cidade para se estabelecer fora dos muros de Firenze, inicialmente em Cafaggio, onde há o Santuario della Santissma Annunziata.

Subiram até o Montesenario,  local que era de propriedade da cúria florentina e do  bispo Ardingo , que  havia dado autorização para a estadia no local.  Ali  construíram, com o material que encontram , como pedras e madeira, um oratório e uma pequena casa para levar uma vida simples e contemplativa.  A partir de  1247 começaram a permitir que outras pessoas se integrassem ao grupo. Dessa forma surgiu a Ordem dos Servos de Maria.

A Ordem dos Servitas cresceu e se espalhou por vários países chegando à França, Alemanha e Polônia, e muitos séculos mais tarde,  também  no Brasil, onde eles fundaram casas em São Paulo, Santa Catarina e Acre, onde ainda existe uma missão servita em Rio Branco.

 

 

O Convento de Montesenario

O convento de Montesenario não  é apenas um local de arte e história, mas  uma espécie de torre panorâmica sobre todo o vale verdejante. Vivem no local 9 freis e constantemente hospedam também religiosos de outras cidades. Visitei o local em companhia do frei Bruno. Iniciamos nossa visita no refeitório. Frei Bruno explicou que diariamente uma senhora vem pela manhã preparar o almoço e que à noite os freis esquentam para jantar.

 

No refeitório afresco A Ultima Ceia, realizado por Matteo Rosselli  no ano de 1634

 

O complexo de Montesenario foi ampliado e enriquecido pela família Medici em meados do século 16, quando   ganhou um terraço panorâmico.

Vista do terraço realizado pela familia Medici

 

Uma das mais importantes capelas do convento é a  Capela da Aparição, provavelmente realizada pelos 7 Santos  a partir de 1241 . O altar è revestido de mármore  (obra de Ubaldo Farsetti), servo de Maria.

A Capela da Aparição, provavelmente realizada pelos 7 Santos após 1241 . O altar è revestido de marmore e obra Ubaldo Farsetti, servo de Maria.

No vão do altar, a bela Pietà em terracota, obra de Lottini, de 1629

No primeiro andar ficam as acomodações, escritórios e ateliês dos freis e a biblioteca.

O corredor do dormitório

 

No ateliê de frei Bruno. Todas as obras feitas com folhas de ouro, gema de ovo e vinho branco

 

O frei Bruno durante curso de iconografia (foto divulgação)

 

 

A Igreja 

A Igreja de Montesenario passou por várias reestruturações. Em 1621 foi inteiramente reconstruída e dedicada à Virgem Assunta.  Em abril de 1717, após outra alteração,  foi consagrada por Monsenhor Francesco Poggi.

No altar o crucifixo de Fernando Tacca (1619-1686)

 

Afresco na parte central da igreja realizado por Antonio Domenico Gabbiani, no século 18

 

Após a morte do último santo, os corpos dos sete fundadores foram colocados num mesmo túmulo e venerados em conjunto pelo povo. Os sete fundadores da Ordem dos Servitas foram canonizados pelo Papa Leão XIII em 1888. A Capela dos Sete Santos foi construída em 1933.

A Capela dos Sete Santos, que abriga os restos mortais dos sete Fundadores

 

A capela e o cemitério dos frades no bosque

 

Monte Senario no inverno, coberto de neve

 

O convento pode ser visitado uma vez por mês, apenas com agendamento.

Convento e Igreja de Montesenario

Via Montesenario, 3474/ A

Vaglia (Firenze)

Telefono: 055-40.64.41 / 055-40.64.42

Horários:

Missa :  às 7 h e 17h30 (durante o verão) e aos domingos e feriados 8, 10, 11h30 e 17h30
Monastério: 07.30 – 19.30

Bar: 9:00 – 12:00 / 15:00 – 18:30 (domingos e feriados não fecha após o almoço)
(fechado às sextas)

  • por gentileza contatar o local para se certificar dos horários de funcionamento

O Palazzo Pitti de Florença

O imponente Palazzo Pitti,  o maior palácio de Florença, é a antiga residência dos grão-duques da Toscana e atualmente  abriga um  importante complexo de museus, como a Galleria Palatina, os Apartamentos Reias, o Museu da Prata, Museu Del Tesoro dei Granduchi (ex-museu degli Argenti),  Museu do Traje, a Galeria de Arte Moderna e o magnífico Jardim de Boboli. É um palácio renascentista construído pela família Pitti em 1457 e adquirido em 1549 por Eleonora di Toledo,  esposa do grão-duque Cosimo I de’ Medici.

 

 

O Palazzo Pitti fica no Oltrarno. Originalmente era menor e passou por ampliações com a família Medici

O Palazzo Pitti foi originalmente construído em meados do século 15 para ser a residência do banqueiro Luca Pitti e passou a ser a maior residência privada de Firenze. Sobre o projeto, existem algumas dúvidas.  Muitos registros atribuem a obra ao arquiteto Luca Fancelli, colaborador de Filippo Brunelleschi. A família Pitti competia com os Medici e  queria um palácio maior que o da poderosa família, que habitava no Palazzo della Signoria, e que passa então a ser chamado de Palácio Vecchio. Em 1549, o palácio foi vendido aos Medici, tornando-se a residência da família grão-ducal. A corte se transfere ao palácio no governo de Ferdinando I,  filho de Cosimo e Eleonora di Toledo,  entre os anos de  1587 e 1609.

 

 

O Palazzo Pitti era o símbolo do poder consolidado dos Medici sobre a Toscana

Palazzo-Pitti

A fachada do prédio  é coberta por pedra forte,  típica da cidade. A construção original incluía apenas a parte central do edifício atual, com as 7 janelas centrais no primeiro andar.

 

O patio foi realizado por Bartolomeo Ammannati nos anos 60 dos anos 1500, com trabalho conhecido como “bugnato”, silhar em português, processo de alvenaria caracterizado por blocos de pedras

 

Com a ruína econômica da família Pitti, o palácio foi comprado por Eleonora de Toledo, esposa de Cosimo I de’ Medici em 1549.  Com saúde debilitada devido à tuberculose, Eleonora, que teve 11 filhos, considerou a área do palácio, aos pés de Boboli no Oltrarno, mais saudável tanto para ela quanto para os filhos, com a possibilidade de ter um grande espaço ao ar livre numa residência maior. O palácio passou por ampliações e modificações,  sendo que a mais importante foi realizada por Bartolomeo Ammannati no século 16, que construiu  o suntuoso pátio interno e  realizou também alterações no Giardino di Boboli. Com a extinção dos Medici, o ducado e o palácio passou para a dinastia dos Asburgo- Lorena, sucessores dos Medici a partir de 1737.

 

No pátio aconteceu o casamento de Ferdinando I e Cristina di Lorena  com um espetáculo grandioso de naumachia,  com  a encenação de uma batalha naval, com todo o pátio coberto de água

No pátio do palácio há uma linda gruta, é  a Grotta di Mosè.  Durante o Renascimento,  uma tendência era a construção de  grutas artificiais.

Gruta de Moisés

A Gruta  de Moisés é decorada com esculturas, fontes e afrescos.  Ao centro da caverna, na parede do fundo,  o grande Moisés, que dá nome ao lugar. Originalmente a gruta, ou caverna, era sóbria e não tinha decoração em seu interior, que foram encomendadas por  encomendadas por Cosimo II e Fernando II.

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O palácio passou por algumas ampliações com os sucessores da família  Medici, que foi extinta em 1737

 

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Escadaria monumental neo-classica realizada pelo arquiteto Luigi del Moro, provavelmente com esculturas de Giovanni Duprè

 

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No século 19 foi usado como base militar por Napoleão e  o palácio passou a ser residência de sua irmã Elisa.  Entre 1865 e 1871, época em que Firenze foi capital da Italia, o  palácio foi residência oficial dos reis. No início do século 20 foi doado ao povo italiano por Vittorio Emanuele III.

 

Os Museus 

O  Palácio Pitti, que é o maior de Firenze,  abriga 7 museus públicos com  importantes coleções de esculturas, pinturas, objetos de arte, figurinos e porcelanas, em um complexo monumental:

  • Galleria  Palatina: reúne  grande coleção de pinturas dos séculos 15 a0 17, que inclui a maior concentração de obras de Rafael no mundo, além de pinturas de Tiziano,  Pontormo, Filippo Lippi, Tintoretto, Caravaggio e Rubens.  As pinturas decoram as paredes com ambientes enriquecidos de esculturas, vasos e mesas de pedras semipreciosas, segundo o modelo típico das galerias do século 17.  Enriquecem o museu os belíssimos afrescos barrocos  e o mobiliário original;
  • Apartamentos Reais: eram os aposentados da família Savoia e os ambientes foram utilizados na época em que Florença foi a Capital da Italia, entre 1865 e 1871.
  • Museo del Tesoro dei Granducchi (Museo degli Argenti), funciona na ala do palácio que abrigava os quartos do apartamento de verão da família Medici. Objetos em prata, ouro, âmbar e marfim, vasos em pedras semipreciosas e cristais de rocha
  • Museo della Porcellana: grande coleção de porcelanas das familias Medici e Lorena
  • Giardino di Boboli: uma magnifica área verde em Florença com 45 mil m² de jardim alla italiana, com estátuas, fontes e  grutas
  • Museo della Moda: roupas e acessórios do século 18 a hoje.
  • Museo di Arte Moderna : pinturas e esculturas do século 18 até o inicio do século 20

 

Na Galeria Palatina, um dos primeiros ambientes é a Sala dell’Iliade e ao centro estátua realizada por Lorenzo Bartolini, que representa a caridade educadora

Nesta área do palácio, estão as salas dedicadas à 5 planetas onde os afrescocs se referem aos planetas.  Saturno, Giove,  Marte, Venere e Apolo.

Sala di Saturno.  Aqui encontramos  8 obras de Rafael Sanzio.  No teto, afrescos dedicados à Galileo Galilei

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Sala di Giove

 

Sala di Marte, Deus da Guerra, com obras de  Tintoreto, Rubens

 

Sala di Venere, com a Vênus de Canova

 

 

 

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Decoração – os salões são repletos de quadros e afrescos da Galleria Palatina

 

Obra realizada por Rafael em 1518. Retrato de Leão X

No espaço que abriga os Apartamentos Reais estão os  móveis de época do século 19. São 14 salas usadas pelo segundo Rei da Itália Umberto I e sua esposa Margherita di Savoia, que residiram no palácio entre 1865 e 1871.

 

 

No térreo e no mezanino fica o Museo degli Argenti, que contém uma grande coleção de objetos preciosos que pertenciam à família Medici.

 

A Galleria de Arte Moderna, que fica no último andar,  expõe uma bela coleção de pinturas e esculturas do neoclassicismo até a  década de 30. Reúne os maiores intérpretes da arte italiana no suntuoso ambiente que ja foi residência da família Lorena.

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Na Galleria d’Arte Moderna – Obras do Neoclassicismo e Romantismo

Sala Bianca –  O Salão dos Forestieri da época dos Médici foi transformado, por vontade do Grão-Duque Pietro Leopoldo, em um suntuoso salão de baile.   Este magnifico salão de Dança,  no período do pós-guerra, acabou se tornando um importante local para a moda internacional. Em 1951 aconteceu o primeiro desfile de moda italiano, organizado pelo marquês Giovanni Battista Giorgini na Villa Torrigiani, sua residência na época, com   importantes compradores norte-americanos. E sempre por iniciativa de Giorgini que em junho de 1952 os desfiles foram transferidos para a Sala Bianca do Palazzo Pitti, contribuindo para a internacionalidade da moda, divulgando o nome ‘Pitti’ em todo o mundo. Aliás, o maior evento de moda masculina do mundo acontece em Firenze, na Fortezza da Basso: Pitti Uomo.

 

A Sala Branca ou Salone dei Forestieri. Foi no elegante salão que aconteceu  um importante desfile de moda, organizado por Giovanni Battista Giorgini, no ano de 1952.

 

Todas as obras que podemos conferir no local é  graças ao legado de Ana Maria Luisa de Médici, a última herdeira da sua dinastia e que evitou que a coleção fosse saqueada, o que geralmente te acontecia às coleções privadas. O museu foi aberto ao público em 1833.

 

 

Num prédio separado, conhecido como Casino del Cavaliere, nos Jardins Boboli, fica o Museu da Porcelana, enquanto a Palazzina della Meridiana abriga o Museo della Moda e del Costume, fundado em 1983, que apresenta roupas, jóias e artefatos da moda contando a história do vestuário dos últimos 400 anos.

 

 

Este é o primeiro museu estadual da história da moda na Itália e um dos mais importantes do mundo, com  coleção que inclui mais de 6000 peças, e com modelos raros  do século 16  usados pelo Grão-Duque Cosimo I de ‘Medici e sua esposa Eleonora.

 

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Lindo esse ângulo dos jardins onde vemos Firenze e a cúpula do Duomo

Jardins de Boboli – Atrás do Palazzo Pitti ficam os maravilhosos Jardins de Boboli.  Essa é a maior área verde monumental de Florença, abrangendo uma área  de mais de  45 mil m2.

 

Do Palazzo Pitti: vista para o anfiteatro e a Fontana del Carciofo

palazzo-pitti

 

Palazzo Pitti

Aberto de terça à domingo, 9:15 às 18:50

Valor do bilhete: 10 euros (Palazzo Pitti: Galleria Palatina, Galleria d’Arte Moderna, Tesoro dei Granduchi, Museo della Moda e del Costume, Appartamenti Imperiali e Reali)

Jardim de Boboli : aberto diariamente a partir das 8:15  com horário de fechamento que varia de acordo com a época do ano

  • Os horários sofreram alterações devido à emergência Coronavírus

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A Igreja de San Lorenzo

A  Igreja de San Lorenzo, uma das mais antigas de Florença  e a preferida da família Medici, foi por 300 anos a catedral da cidade. Difícil imaginar que encontramos numa igreja com a simples fachada em pedra um interior tão rico, bonito e simétrico: a Basílica de San Lorenzo abriga muitas obras-primas de grandes nomes da cena artística e arquitetônica de Firenze. Consagrada em 393 por Santo Ambrósio, foi por 3 séculos a igreja mais importante de Florença, até ser substituída pela Igreja de Santa Reparata, que mais tarde se tornou a Catedral de Santa Maria del Fiore, o Duomo da cidade.

 

A Basílica de San Lorenzo, uma das mais antigas igrejas de Firenze, foi consagrada em 393 d.C e reconstruída por Brunelleschi no século 15

A fachada da igreja é inacabada porque na época o encarregado era  Michelangelo, que não conseguiu  terminá-la porque mudou-se para Roma quando foi contratado para pintar o teto da Capela Sistina. Muitos fatores complexos envolvem a fachada: disputa e ciúmes entre artistas, custos altíssimos e até mortes.

 

A Igreja de San Lorenzo e a estátua de Giovanni dalle Bande Nere, pai do granduca Cosimo I de’ Medici

A Igreja de San Lorenzo fica ao lado do mercado de rua homônimo e bem próxima ao Palazzo Medici-Riccardi, a primeira residência da família Medici em Firenze.

A igreja é dividida em três naves com colunas coríntias e arcos arredondados

Em 1059, houve a primeira ampliação da igreja românica, sendo que em 1419, quando os Médici decidiram expandir a estrutura e tansformá-la na igreja da família. Os trabalhos foram atribuídos à Filippo Brunelleschi, arquiteto responsável pela construção da cúpula da igreja Santa Maria del Fiore.   Com isso temos a primeira igreja considerada uma obra-prima do Renascimento.

 

Perto do altar, sob os últimos arcos da nave central, estão os dois púlpitos de bronze realizados por Donatello, o da esquerda dedicado ao tema da Paixão de Cristo e o direito à ressurreição

 

O arquiteto Filippo Brunelleschi transformou a antiga igreja românica em basílica renascentista

 

 

 

Na parte esquerda fica a Capela Martelli, com um sarcófago da família Martelli, realizado por  Donatello ou  por sua oficina, e a obra Anunciação Martelli, de Filippo Lippi ( cerca 1440).

A obra Anunciação Martelli, de Filippo Lippi, datada de 1440

 

Sacristia Velha

Realizada entre 1421 e 1428, a  Sacristia Velha é uma das obras-primas do artista Filippo Brunelleschi e a única concluída. Era a capela fúnebre particular da família Medici construída por Brunelleschi e decorada por Donatello entre 1428 e 1429.   A decoração foi realizada por Donatello após término dos trabalhos de Brunelleschi e a Sacristia Velha, por  incompatibilidade, marca o fim da amizade e colaboração entre os dois gênios do início da Renascença.

O brasão dos Medici na Sacristia Velha

O túmulo de Giovanni Bicci, fundador do banco dei Medici e  morto em 1429, foi colocado sob a grande mesa de mármore na parte central da capela, a sacristia tornou-se o mausoléu dos Medici.

Ao centro da sacristia, os túmulos de Giovanni di Bicci e Piccarda Bueri

A Sacristia Velha de San Lorenzo recebeu esse nome para distingui-la da “nova”, que foi construída um século depois por Michelangelo, e que encontra-se nas Capelas dos Medici.

Donatello realizou as duas portas de bronze

 

Igreja de San Lorenzo

Piazza de San Lorenzo – Firenze

Horário: todos os dias da semana das 10h às 17h
Domingo: das 13h30 às 17h30

Os horários podem sofrer alterações dependendo da época do ano

Preço do bilhete: 4,50 €

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Arte em casa durante a quarentena

Em tempos de lockdown devido ao coronavírus, encontrar alguma atividade inusitada e estimulante para fazer em casa nem sempre é fácil. Alguns museus criaram uma iniciativa divertida: recriar obras de arte utilizando os objetos que temos à disposição em casa. E resolvi propor através do meu perfil Instagram @grazieateblog e muita gente aderiu à brincadeira.  Solicitei que recriassem, preferencialmente, alguma obra que podemos encontrar em Firenze, seja nos museus, nas praças ou igrejas.  Uma forma divertida e instrutiva de se distrair. E aqui está o resultado, com muitas fotos criativas que contou também com a participação de diversas famílias:

 

Por Benedetta Mazzocchi. Benedetta e o filho Adriano e o coelho Nevi

 

Dany Barcellos

 

Lorenzo Pieri,  em cena da obra Primavera de Botticelli

 

Bruno Pieri,  Giovane con Pomo, de Rafael Sanzio, na Galleria degli Uffizi

 

Obra de Rita, autora do blog O Porto Encanta. Participação da tartaruga Nikita

 

Giuditta Tani

 

Olivia Tani

 

Barbara Mingazzini

 

Francesca Azzini

Marco com os sobrinhos Ruggero e Emma. Fotos de Silvia Saluttari

 

Giovanna e a filha Stephanie Greer, interpretando o Duca e a Duquesa de Urbino, obra de Piero della Francesca

 

Cristina Rosa do blog Sol de Barcelona

 

Cristina e a filha Martina

 

Carina Costa

 

Zilda Pandolfi reproduziu numa pintura Flora, da obra Primavera, de Botticelli

 

A família Melani: Eleonora e Alessio com os filhos Jacopo e Alice

 

Gaia Bardelli em foto da mãe Francesca

 

Cosimo Bianchi faz o “Putto che suona”, de Rosso Fiorentino, no museu Uffizi de Firenze

 

Lapo Bianchi, Ragazzo morso da un ramarro, Caravaggio

 

Tina Wells, com o gato Mulder

 

Izabel Silvestre em Dama com Arminho

 

Sofia Silvestre

 

Izabel Silvestre e Fabio Oliveira, Duca e Duquesa de Urbino. O quadro pode ser visto na Galleria degli Uffizi

 

Rosa Esposito e a filha Lisa

 

Emma Russo

 

Sophie Visciano em  Moça com o Brinco de Pérola, de Vermeer

 

Palova Valenti

 

Duccio Gori interpreta Raffaello. Esse auto-retrato está exposto no Museu degli Uffizi de Florença

E o meu muito obrigada a todos que aceitaram participar dessa brincadeira!  Não deixem de conferir o excelente feed do Tussen Kunsten apenas com fotos feitas durante a quarentena, aqui vai o perfil Instagram: @tussenkunstenquarantaine.

 

O artista Rafael Sanzio

O grande artista Raffaello Sanzio está entre os mais famosos mestres do Renascimento.  Rafael, o artista de tantas madonas com semblante doce e traços perfeitos,  nasceu em 1483 na cidade de Urbino, na região das Marcas e em 2020 o mundo celebra  50o anos de sua morte. Rafael morreu no dia 6 abril, dia do seu nascimento, quando havia apenas 37 anos.

 

Raffaello Sanzio, um dos maiores intérpretes da beleza,  nasceu na cidade de Urbino em 1483. Este é o mais famoso auto-retrato do artista, realizado entre 1504 e 1506

Rafael ficou órfão de mãe aos 8  anos. Talvez seja por isso que, apesar de jovem, Rafael fosse capaz de transportar para suas telas uma forte carga emocional que muito provavelmente por esse motivo um dos temas favoritos tenha sido as madonas.

 

Obra “Madonna del Cardellino”, ou Madona do Pintassilgo, de 1506, no museu degli Uffizi. Foi realizada quando Rafael vivia em Firenze

Rafael Sanzio possuía uma incrível capacidade para desenho. Era o pintor da técnica, da execução impecável. Iniciou sua formação atuando com  seu pai,  o artista Giovanni Santi, que havia a sua própria bodega artística e era pintor da Corte de Urbino, onde trabalhava para Federico di Montefeltro. Entre os anos de 1491 e 1494 atuou na oficina do pai,  que foi seu grande incentivador. Ali começou a estudar  desenho e perspectiva, manifestando grande talento. Quando Rafael havia apenas 11 anos,   perdeu também o pai e passou a ser cuidado pelo tio.

 

Na Sala di Giove no Palazzo Pitti, a obra La Velata

 

La Velata (1515-1516), em exposição no Palazzo Pitti

Quando Rafael era adolescente mudou-se para Perugia, na Úmbria, uma cidade que foi muito importante para a sua formação como artista. O seu aprendizado aconteceu na bodega di Pietro Vannucci, conhecido como Il Perugino, um dos mais ilustres artistas do século 16.   Rafael demonstrou ser talentoso e antes mesmo de completar 18 anos recebeu encomendas para a realização de obras de importantes senhores da região. Foi nessa época que também conheceu Pinturicchio, outra figura importante no panorama artístico  do período.

Retrato de Maddalena Doni

 

Os retratos de Maddalena e do marido Agnolo Doni

Aos 21 anos resolveu  mudar-se para Florença, onde viviam Leonardo Da Vinci e Michelangelo. Em Florença, ele conheceu muitos artistas contemporâneos e a atmosfera da cidade contribuiu para  definir seu estilo único. Rafael viveu 4 anos na cidade e entre os anos de 1504 e 1508, as três maiores expressões do Renascimento viveram na mesma cidade.  Os anos florentinos foram muito importantes para o artista. Graças ao seu estilo e traços distintivos únicos em suas obras,  Rafael se destaca.

Elisabetta Gonzaga, esposa de Giudubaldo da Montefeltro. A obra foi provavelmente realizada entre 1503 e 1506

 

Em 1508 Rafael mudou-se para Roma com a  incumbência de afrescar os aposentos papais, à convite do papa Giulio II, que havia  iniciado um projeto de reforma do Vaticano e de toda a cidade de Roma, convocando grandes artistas,  dentre os quais  Michelangelo.  Mesmo após a morte do papa Giulio II, em 1513, Rafael continuou em Roma e também atuou para  seu sucessor, o papa Leone X, Giovanni de’ Medici, filho de Lorenzo, O Magnífico.  Ficou na cidade do Vaticano por quase 12 anos e realizou diversos desenhos e afrescos. Rafael foi também um arquiteto inovativo.  Depois da morte de Bramante, em 1514, assumiu as obras  da Basílica de São Pedro e das galerias do  Vaticano.  Além de trabalhos no Vaticano, atuou também  na decoração de Villa Farnesina e como arquiteto na Capela Chigi,  na Basílica de Santa Maria del Popolo em Roma,  sob encomenda do rico banqueiro sienese Agostino Chigi.

 

Desenhada por Rafael, a Capela Chigi, em Roma (foto divulgação)

 

Uma de suas mais famosas obras, a Madonna Sistina ( ou Madonna de San Sisto), realizado entre 1513 e 1514, fica na Pinacoteca dos Mestres Antigos, em Dresden, na Alemanha (foto divulgação)

 

Madonna della Seggiola

A obra Madonna della Seggiola (1514), em exposição na Galleria Palatina no Palazzo Pitti de Firenze

 

La Fornarina (1518-1519), exposta no Palazzo Barberini em Roma. Rafael retrata nessa obra Margherita Luti, amante e musa inspiradora, provavelmente o seu único amor verdadeiro

Além de ser um grande artista, Rafael também  foi um  bom empreendedor, pois conseguiu montar uma verdadeira equipe em sua oficina em Roma que era formada  por jovens aprendizes e também artistas consagrados. Dessa forma conseguiu realizar  vários projetos simultaneamente.

scuole Atene

A Escola de Atenas (1509-1511), nos Museus Vaticanos (foto reprodução)

Rafael morreu no dia 6 de abril em Roma, no auge de sua carreira. Ele foi enterrado no Panteão por sua própria vontade. Seus restos mortais estão próximos à obra Madonna del Sasso, obra encomendada pelo próprio Rafael e executada por seu aluno  Lorenzo Lotti, conhecido como Lorenzetto. “Aqui jaz Rafael;  enquanto viveu, a mãe natureza temia ser por ele vencida; agora que está morto, ela receia morrer também”.   Essa frase é de Pietro Bembo, em homenagem à criatividade divina do grande artista.

 

Obra óleo em madeira Ressureição de Cristo, uma das primeiras pinturas do artistas, no Masp de São Paulo (foto divulgação)

 

As obras de Rafael estão presentes em várias cidades italianas, como Roma e Florença, Perugia, Città di Castello e Milão. Muitos museus internacionais também possuem algumas pinturas do mestre, inclusive encontramos a a obra Ressureição de Cristo no Masp.  A maioria de suas obras encontram-se em Firenze e em Roma. No Museu Uffizi existe uma sala dedicada ao pintor, onde estão  preservadas algumas obras muito significativas, como a Madonna del Cardellino e  muitas importantes obras de Rafael estão expostas também na Galleria Palatina do Palazzo Pitti.

 

Ritratto  di giovane con pomo, do acervo da Galleria Palatina, no Palazzo Pitti

 

 

500 anos da morte de Rafael Sanzio – Devido aos 500 anos de sua morte, foi anunciada em Roma a  mostra “Raffaello 1520-1483” na Scuderie Del Quirinale,  com mais de 100  obras ligadas à carreira do artista , provenientes do Uffizi, Louvre, e do Vaticano. A exposição, organizada por 3 anos, foi interrompida devido à emergência do coronavírus. A data de encerramento está prevista para 2 de junho, mas muito provavelmente será prorrogada.

A Galleria degli Uffizi de Firenze e o Mibac – Ministério dos Bens e Atividades  Culturais da Itália –  organizaram tours virtuais  para apresentar as obras de Rafael através de suas redes sociais.

 

Leone X  entre os cardinais Giulio de’ Medici e Luigi de’ Rossi Firenze, realizado em 1518

 

Transfiguração de Cristo, último trabalho realizado por Rafael antes de sua morte. trabalho pode ser admirado na Pinacoteca do Vaticano

 

Por ocasião do 500º aniversário da morte do artista, 10 tapeçarias feitas com desenhos de Rafael, representando os Atos dos Apóstolos,  ficaram expostos por uma semana  em fevereiro deste ano, na Capela Sistina de Roma (foto reprodução)

 

Rafael está enterrado no Panteão, em Roma

Urbino, a cidade de Rafael

Rafael nasceu em Urbino, na região das Marcas,  em 1483, uma cidade onde se respirava a atmosfera artística do Renascimento e onde atuavam  grandes artistas. Hoje, a casa onde nasceu transformou-se  num museu dedicado a ele, um lugar onde o artista é contado a 360 ° e onde você pode contemplar algumas de suas primeiras obras.

Urbino é um dos centros artísticos e turísticos mais importantes da Itália e foi construída para ser a cidade ideal do Renascimento

 

Urbino tem uma atmosfera descontraída e um ritmo envolvente. A cidade é bem pequena e tranquila, tem pouco mais de 15 mil habitantes. Cheia de ladeiras, com lojinhas de artesanato, barzinhos e restaurantes, seu fascínio está, principalmente, em seu cenário renascentista preservado por séculos. Urbino é um dos centros artísticos e turísticos mais importantes da Itália e foi construída para ser a cidade ideal do Renascimento.

 

Palazzo Ducale de Urbino

 

Obra Santa Caterina d’Alessandria, de Raffaello Sanzio. Santa Caterina é a padroeira dos universitários. A obra faz parte da mostra permanente da Galleria  Nazionale delle Marche, dentro do Palazzo Ducale

 

 

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Por que o Ano Novo florentino é comemorado dia 25 de março?

Em Florença, o Capodanno, isso é, o Ano Novo,  é também comemorado no dia 25 de março, data da  Anunciação da Virgem Maria. Essa é uma  tradição secular que surpreende a todos com desfile do cortejo histórico pelas ruas do centro para celebrar a data, que vigorou na cidade até 1750.

Ano Novo florentino: até 1750, a data de 25 de março era considerada como o início do calendário civil e é celebrada até os dias de hoje. Essa tradição antiga existe há mais de 250 anos

 

Para os florentinos, a Anunciação era um feriado civil, religioso e primaveril, tanto que um velho provérbio   diz: “Para a Anunciação, a andorinha chegou; e se não  chegou, ela está  pelas ruas ou está doente”.

Anunciação de Cestello, de Botticelli, obra em exposição na Galleria degli Uffizi

Em outras cidades italianas e européias, desde 1582, no entanto, o calendário gregoriano já havia sido adotado, estabelecendo o início do ano em 1º de janeiro.  Mas Florença, fortemente ligada à doutrina mariana, decidiu não abandonar o hábito de celebrar o primeiro de ano em 25 de março. Foi apenas através de um decreto emitido pelo Grão-Duque Francesco III  no ano de 1749,  que definiu para 1º  de janeiro o início do ano civil também para  Florença.

 

A piazza della Santissima Annunziata que a abriga a homônima igreja

 

Basílica della Santissima Annunziata

Para as celebrações do ano novo os florentinos costumavam ir até a Basílica della Santissima Annunziata, onde existe um afresco muito venerado que segundo a tradição foi terminado por um anjo. Segundo a lenda, o pintor Fra Bartolomeo, que estava trabalhando na obra, não conseguia realizar o rosto da Virgem e pela exaustão, acabou adormecendo. Ao acordar, descobriu que a mão de um anjo havia finalizado a pintura e por esse motivo passaram a chamar a obra “Anunciação Milagrosa”, considerada até por Michelangelo como uma obra de arte “divina”.

Firenze ainda celebra a data de 25 de março com um cortejo histórico que vai até a igreja della Santissima Annunziata, o principal santuário mariano de Florença , centro das celebrações, onde está o afresco com a imagem milagrosa  da Virgem da Anunciação .

 

 

 

Procissão – a procissão do cortejo histórico começa no Palagio di Parte Guelfa e segue até a Basílica de SS. Annunziata, seguindo uma tradição antiga camponeses peregrinavam para homenagear Maria. A procissão leva um bouquet de lírios brancos à capela da Santíssima Annunziata. A celebração entrou para o calendário oficial de festividades da cidade desde o ano 2000.

 

 

A Loggia dei Lanzi em Firenze

Disponível para visitantes a qualquer hora do dia e da noite, a Loggia della Signoria, também chamada Loggia dei Lanzi, é um extraordinário museu a céu aberto bem no coração pulsante de Firenze! O espaço abriga  esculturas realizadas por Cellini e Giambologna e integra a Piazza della Signoria, a praça mais famosa e importante da cidade.

 

A Loggia dei Lanzi é uma galeria de esculturas ao ar livre com obras originais que podem ser apreciadas a qualquer hora do dia ou da noite

A elegante loggia foi construída entre 1376 e 1382 com o objetivo de sediar assembléias e  cerimônias públicas da República de Firenze.  Depois de 2 séculos, por vontade de Cosimo I de’ Medici, tornou-se  um espaço expositivo, onde as pessoas podiam admirar as obras de arte.

 

A Loggia dei Lanzi fica na Piazza della Signoria,  nas proximidades do pátio da Galleria degli Uffizi

Durante o século 16  a loggia perdeu sua função original e tornou-se um  museu à céu aberto.

Entre os arcos, no interior de painéis, destacam-se as esculturas das Virtudes teológicas e cardeais, criadas a partir de um desenho de Agnolo Gaddi, sobre um fundo de esmalte azul

loggia dei lanzi

É chamada de Loggia dei Lanzi  porque os Lanzichenecchi, antes de se dirigirem à Roma, acamparam sob seus arcos no ano  de 1527.   É também conhecida como Loggia  dell’Orcagna,  a quem foi erroneamente atribuída a autoria do projeto, que foi executado pelos arquitetos Benci di Cione e Simone Talenti.

Dois leões em pedra como vigias sentinela na entrada da loggia

Quase todas as obras representam um tema mitológico e fazem associações ao período vivido  na cidade de Florença. Era uma  forma de enviar mensagens ao povo de poder e triunfo.

Na loggia podemos admirar  estátuas do período romano e obras-primas do século 16

Uma das obras mais extraordinárias do espaço é Perseus com a cabeça da Medusa, realizada pelo ourives Benvenuto Cellini.  Perseus, triunfante, mostra a cabeça do monstro decapitada e segura a espada  com a outra mão. A obra  maneirista representa um manifestação política: afirmação do poder de Cosimo I’ de Medici. A escultura de bronze é rica em detalhes que a tornam única e o artista trabalhou 9 anos para poder realizá-la. Uma curiosidade: atrás da obra, no cabelo de Perseus, tem esculpido  o rosto de Cellini.

 

Cellini, um dos maiores ourives renascentistas, criou este trabalho sob encomenda de Cosimo I de ‘Medici em 1545. A escultura foi exposta apenas em 1554

 

O Rapto das Sabinas, obra-prima de Giambolonha, finalizada em 1583

 

loggia-lanzi

A estátua tem 4,10 m e foi esculpida em um único bloco de mármore, o que exigiu grande precisão técnica para o êxito de equilibrar  todo o peso da obra, que representa o conceito da  estilo de uma figura serpentina , isto é, uma figura  em forma de serpente.

O Rapto das Sabinas mostra um homem jovem  pegando à força uma mulher sob o olhar desesperado de um senhor. Esse é um dos episódios lendários ligados às origens de Roma,  que após  sua fundação precisava ser povoada e contava com poucos habitantes,  que eram em sua maioria  homens. Rômulo, o primeiro rei de Roma, organizou uma festa e convidou os sabinos, que viviam num povoado próximo.  Durante o evento, em um momento combinado,  os jovens romanos atacaram e raptaram as mulheres solteiras presentes.

 

A primeira estátua realizada em 360 graus,  isto é, que pode ser admirada de qualquer ângulo, oferecendo pontos de vista diferentes ao espectador

 

loggia-lanzi

Outra escultura do artista flamingo Giambolonha, Hércules e o Centauro. A obra  de mármore mostra o corpo do centauro dobrado pela força de Hércules

 

Em mármore :  Menelau que segura o corpo de Patroclos,  cópia  de uma obra original grega, presente do Papa Pio V à Cosimo de’ Medici

 

Hércules e o Centauro

 

O Rapto de Polissena é uma escultura em mármore realizada por  Pio Fedi. Foi esculpida entre 1855 e 1865 e é a única obra moderna entre as obras renascentistas

Depois da construção do museu degli Uffizi, que fica na parte de trás da Loggia, Bernardo Buontalenti, em 1583,  reestruturou o terraço criando um espécie de jardim suspenso, de onde era possível ver a praça e assistir às cerimônias e espetáculos.

 

Foto feita do Palazzo Vecchio

 

As tradicionais molduras de madeira de Firenze

Florença nos olhos e a arte nas mãos. Este é o slogan do nosso grupo de blogueiros Tuscany Bloggers,  com quem estive recentemente para mais uma visita à uma atividade histórica da cidade.  Dessa vez visitamos a Cornici Maselli, atividade histórica que realiza molduras em madeira desde os anos 50.

Tenho muita admiração pelos artesãos e adoro visitar as bodegas do centro de Florença, ricas de história, beleza, arte e tradição. Na Cornici Maselli verdadeiras esculturas artísticas realizadas em madeira

Essa é um antiga tradição florentina do artesanato artístico, com apreciadores do mundo inteiro, que se encantam com a habilidade dos escultores que trabalham a madeira, criando verdadeiras obras de arte.  O pequeno ateliê oferece serviços de qualidade impecável na realização de molduras feitas à mão, de todos os tipos e formatos, desde a produção de molduras artísticas personalizadas,  reproduções e restaurações. Na bodega é possível também encontrar molduras coloridas e modernas, sempre realizadas à mão, com design contemporâneo. Depois de pronta, a moldura pode ganhar o tom dourado. A técnica de douramento já era conhecida pelas civilizações antigas e a criada pelo Maselli é realizada  com os mesmos, ferramentas e  método do passado. As molduras dourada criadas na loja são inspiradas nos trabalhos  artísticos italianos e europeus desde o século 16.

Gabriele Maselli é o Presidente da Associação das Atividades de Firenze e filho do fundador Paolo Maselli, que inaugurou em 1955 sua loja de gravuras antigas e molduras artesanais

Gabriele Maselli, especializado em douramento e restauração de molduras, adquiriu do pai a paixão e iniciou nessa atividade em 1979. E essa tradição continua em família, pois Tommaso, filho de Gabriele, atua junto ao pai na bodega. Ele está estudando restauração e aprimorando a técnica.

 

Tommaso, 19 anos, nasceu nesse ambiente e desde criança  começou a criar  suas obras trabalhando a madeira. Lindo de ver a atividade de família que prossegue com a nova geração

 

O douramento ou douração é um processo de decoração de superfícies que utiliza uma camada bem fina de ouro, a “folha de ouro”, muito utilizado nas tradicionais molduras de madeira

 

E Firenze é uma cidade rica de lugares cheios de magia, que reune mestres com muita habilidade, realizando molduras feitas à mão de todos os tipos e formatos (foto Michela Ricciarelli)

 

Gabriele com suas criações. Os Pinoquios são realizados em cipreste

Gabriele cria Pinóquios de diversos tamanhos em madeira de cipreste. Ele quis homenagear o “pai” do simpático bonequinho, Carlo Coloddi, que nasceu  bem pertinho da bodega, na Via Taddea. A Bodega D’Arte Maselli participou da restauração de obras do Duomo de Firenze e no Museu Uffizi.