O café-da-manhã na Itália

Os italianos adoram tomar o café-da-manhã no bar. É um hábito muito difuso de norte a sul do país. Essa é uma mania tão arraigada que conheço italianos que deixam de tomar o café-da-manhã com a família para irem ao bar tomar aquele cafezinho que só encontram ali! O café no bar vem acompanhado de jornal e papo com outros frequentadores e com o barista, que sabe de cor a preferência de cada um dos clientes habituais.  É assim  que muitos italianos gostam de começar o dia! E nas casas dos italianos o café-da-manhã não oferece tantas opções como estamos acostumados no Brasil, com frutas, sucos, bolos e  opções salgadas.  Aliás os italianos preferem alimentos doces para começar a giornata!

 

Nós brasileiros estamos acostumados com um café-da-manhã farto, com sucos, frutas, bolos e pão de sal ou pão na chapa.  Aqui na Italia é bem diferente, principalmente porque consomem-se alimentos doces pela manhã. Na foto brioche sfogliata e cappuccino

 

Os baritas quase enlouquecem pela manhã com tantos pedidos específicos e variações de cafés! Os mais consumidos são o expresso e o cappuccino

Café no bar

Nos bares a lista de opções, seja para os cafés que para os quitutes é grande, visto que a arte de panificação oferece delícias como focaccia, brioches, biscoitinhos e diversos tipos de pães.  Mas geralmente, os italianos optam por um croissant acompanhado de um cappuccino ou expresso. Muito pedido também é o macchiato (manchado), que é o café expresso com um pouquinho de leite, pois assim fica menos forte. Mas existe uma lista grande cafés e suas variações na hora de servir.  Quem já esteve num bar italiano pela manhã ja percebeu a confusão que é na hora de pedir: macchiato in tazza di vetro, cappuccino decaffeinato,  ou caffè lungo.  Não deixe de ler  como pedir um café na Itália para entender melhor. Para acompanhar o café,  brioche,  também chamado de  croissant, que pode ser vuota  (vazia, sem recheio) ou com recheio de Nutella, chocolate, creme de ovo ou pistache.  Geralmente no inverno muitos optam por um suco natural de laranja, aqui chamado de spremuta d’arancia.

 

cafe

Os italianos tomam o café-da-manhã no balcão

 

colazione

O cappuccino é uma das bebidas mais apreciadas pelos italianos no bar, obviamente junto com o café

 

Café em casa

A prima colazione  ou colazione genuína feita nas casas dos italianos é geralmente  constituída de torrada ou  pão e geleia e café da moka, a tradicional cafeteira italiana. É um cafe mais forte, intenso e baixo. As crianças geralmente comem cereais ou biscoito com uma taça de leite.  As crianças também consomem chocolate em pó ou mel junto ao leite. Outro produto consumido é yogurt, com cereais ou frutas.

 

Os costumes também variam de norte a sul do país, mas de forma geral, em casa, é o café da moka que todos tomam! E uma dica importante para quem adquire a maquininha de café: ela não precisa ser lavada com sabão, apenas com água

 

Gosto muito de variar, de vez em quando preparo misto quente e suco de laranja. E sempre tem um cafezinho

Como sou fã de café-da-manhã, sempre preparo à maneira brasileira e gosto de variar bastante. Diariamente gosto de preparar o café com frutas,  suco e pão, que às vezes é com presunto e queijo e outras com produtos doces, como geleia e creme de avelã.  Nos finais de semana sempre gosto de caprichar, com bolo de maça ou de chocolate e  às vezes faço ovos mexidos com pão.

 

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Ponte Vecchio

 

As fases 2 e 3 do coronavírus na Itália

Post atualizado em  9 de junho  2020

A fase 2 da emergência coronavírus começa hoje, 4 de maio, em toda a Itália. E o que efetivamente muda? É que a partir de agora passaremos a ter um pouco de liberdade. Além de que, chegou  o momento que teremos que conviver com o vírus, como explicou o Presidente do Conselho de Ministros  Giuseppe Conte. Desde o dia 8 de março o lockdown foi decretado na Itália e todo o país praticamente parou. Leia também A Itália em tempos de coronavírus para entender sobre as medidas que o governo impôs há quase  meses, com uma dura restrição de circulação para a população.  A curva de contágios finalmente começou a  diminuir mas não podemos afrouxar o cinto. O  país contabilizada pouco mais de 29 mil mortes.  Cerca de 81 mil pessoas estão internadas e os casos de contágios somam 212 mil.   A reabertura acontece de forma gradual. A partir de hoje as regras mudam e a fase 2 estabelece a reabertura das fábricas e empresas, com retorno de 4,4 milhões de trabalhadores e nos concede um pouco de liberdade. Agora  podemos sair de casa não apenas  para fazer compras ou por motivos de saúde, mas é possível realizar atividades esportivas, freqüentar os parques e visitar  parentes. Mas o governo insiste em pedir cautela e consciência, cada um precisa continuar fazendo a sua parte. Precisamos cooperar e manter o distanciamento social de no mínimo 1 metro para evitar novos contágios.

 

Desde o dia 14 de abril as livrarias foram liberadas para abrir as portas

O primeiro dia da fase 2 na Ponte Vecchio. As lojas encontram-se ainda fechadas

O Duomo foi reaberto hoje, com possiblidade de oração entre as 9 e 13 horas

As regiões têm autonomia para estabelecerem as medidas para a população, sempre respeitando o protocolo de segurança. Aqui na Toscana, desde o dia primeiro de maio foi liberado passeio de bicicleta. Estive hoje no centro para fotografar os locais mais turísticos de Firenze, que estavam bem vazios.

A primavera aqui é celebrada com muito entusiasmo pelos italianos. Pensei que o centro da cidade fosse estar lotado, mas as famílias preferiram passear nos parques da cidade. No centro, hoje à tarde, tinha pouco movimento

 

Ponte Vecchio vista da Ponte Santa Trinità

 

Piazza Santo Spirito

 

Lungarno degli Acciuaiuoli, perto do Museu delgi Uffizi

Fase 2 – O que reabre hoje:

Fábricas: as fábricas e as indústrias retomam as atividades. Cerca de  4,4 milhões de pessoas voltam  a trabalhar no país

Restaurantes: bares e restaurantes apenas com serviços de delivery. Bares e restaurantes reabrem a partir do dia primeiro de junho

Comércio:  continua fechado, exceto para gêneros alimentícios, higiene pessoal, quiosques, farmácias, tabacarias, livrarias, lojas de roupas para crianças e bebês, flores e plantas. Em breve abrirão as  oficinas e lojas de bicicletas

Visitas a parentes: são permitidas visitas  a parentes mas o governo pede que sejam limitadas.  Não é possível visitar amigos.

Sair da própria região: não é possível sair da região (Estado) de residência, a não ser  por motivo de trabalho ou necessidade urgente. É consentido sair da própria cidade mas é preciso justificar o motivo do deslocamento

Segunda casa: não é permitido ir para a segunda casa. Aqui na Itália o termo segunda casa é a casa de campo ou de praia. So é possível se a casa for na mesma região de sua residência.

Transporte público: o transporte público está funcionando é um dos pontos mais críticos deste recomeço. As regiões têm a tarefa de especificar regras para garantir seu funcionamento, com respeito ao distanciamento. Haverá parâmetros para que seja respeitada a distancia de segurança.  Os usuários do transporte deverão usar uma máscara e, em algumas regiões, até luvas descartáveis

A estação de Firenze Santa Maria Novella

Parques e jardins públicos: parques e jardins foram reabertos  hoje. A orientação é que  não haja  aglomeração de pessoas , a menos que sejam membros da mesma família.

Atividades motoras:  não há mais o limite de proximidade com a casa, que era de 200 metros.  Portanto, passa ser permitido usar o carro para se deslocar a um parque para fazer jogging ou outras atividades físicas ou esportivas.

Esporte individual: o treinamento a portas fechadas é permitido para esportes individuais

Escolas:  Aqui na Itália o primeiro semestre do ano letivo começa em setembro e as aulas terminam em junho.  Os estudantes não retornam às escolas e continuam a desenvolver as tarefas em casa para encerrarem o ano letivo. Provavelmente os estudantes voltarão à escola em setembro.  As universidades poderão  realizar exames e sessões de tese de graduação, mantendo as condições da distância.

Funerais e cemitérios: são permitidos funerais, mas com um máximo de 15 pessoas , com a utilização de máscaras. É consentido visita aos cemitérios,  mas sem aglomeração.

Turismo internacional:   ainda não foi divulgado até quando vai durar o fechamento das fronteiras. Segundo o Ministro do s Bens Culturais e do Turismo Dario Franceschini vai depender do andamento epidemiológico e das escolhos de outros países da União Européia.

Hotéis fechados em Firenze

Salões de beleza e centros estéticos, bares e restaurantes:  retorno  previsto para  o dia primeiro de junho

 

 

  

 

Atualizações:

As medidas  de contenção, que começaram  a ser relaxadas  desde a semana passada,  estão acontecendo gradativamente. O governo italiano anunciou no último dia 15/5  outras medidas que passarão a valer a partir de 18 de maio, com abertura completa das atividades e o distanciamento social é de 1 metro:

  • restaurantes , bares e cafeterias (que estavam funcionando com serviço de take-away). Serviço de buffet não é consentido
  • piscinas, academias, cabeleireiros e  centros estéticos (apenas com horário marcado)
  • lojas ,  museus, exposições e bibliotecas
  • escritórios de atendimento ao público
  • estabelecimentos balneares (praias a pagamento) e a distância exigida entre as sombrinhas é  de 1,5 m e nas áreas com praia livre a distância entre as pessoas tem que ser de 1 metro
  • retorno dos mercados ao ar livre, mas terão que ser cercados e o número de stands de vendas será reduzido
  • será possível deslocamento  dentro da própria região de residência
  • pessoas que resultam positivo ao teste de coronavírus  (casos sem necessidade de internação) precisam respeitar a quarentena e ficar em casa
  • missas voltam a ser realizadas em conformidade com os protocolos  contendo as medidas adequadas de distanciamento para evitar o risco de contágio.
  • será possível visitar amigos (durante os encontros, obrigatório o uso de máscaras e distanciamento interpessoal)

A partir de 3 de junho:

  • será consentido deslocamento entre as regiões
  • reabrem as fronteiros da União Européia  ( haverá uma subsequente medida para estabelecer as regras)

 

Para quem quiser imprimir, aqui o novo modelo de auto-certificação para deslocamentos.

A fase 3

A fase 3 começou  dia 3 de junho com relaxamento das medidas de restrições.  Desde o dia 3 de junho é possível circular livremente por todo o país,  por todas as regiões italianas, sem apresentar a  autocertificação.  Foram reabertas fronteiras para muitos países da União Européia e do Acordo de Shenghen, sem a necessidade obrigatória de quarentena.

Muitos restaurantes, hotéis e museus foram reabertos.

Museu dell’Opera del Duomo de Firenze

As regiões têm autonomia para decidirem por si mesmas quando recomeçar, estabelecendo datas diferentes de acordo com a situação das infecções por coronavírus no território.

Para mais informações sobre as fases 2 e 3,  consulte o site do governo  com todos os esclarecimentos detalhados.

 

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Parque de diversões que funciona sem energia elétrica

Existe um parque de diversões no Vêneto onde os brinquedos funcionam sem eletricidade e grande parte dos materiais utilizados são reciclados.  A ideia do parque surgiu a partir da inauguração da Osteria dei Pioppi,  fundada pelo senhor Bruno Ferrin há cerca de 50 anos: a Osteria e Parque ai Pioppi  é um parque construído a mão, onde tudo funciona sem energia elétrica e o ingresso é gratuito.

Eu e minha família estivemos no parque com a minha amiga Helen, conterrânea de Linhares, que mora pertinho de Treviso

O senhor Bruno Ferrin, que nasceu em 1937,  trabalhava numa padaria e tinha as tardes livres. Daí resolveu arriscar numa nova atividade. Em  15 junho de 1969 inaugurou junto à esposa Marisa Zaghis a Osteria dei Poppi, em meio a um bosque. Pensando nas famílias com crianças, teve ideia de montar um balanço.  Foi num ferro velho pedir ajuda para soldar os ganchos de ferro. O dono do local, vendo que o trabalho não valeria a pena disse que não havia tempo e sugeriu que Bruno tentasse fazer sozinho. Ele voltou pra casa determinado e se empenhou para soldar e montar sozinho o  balanço. “De repente aquela faísca se acende e você descobre uma paixão”, relata o senhor Bruno, que desde então,  nunca mais parou de construir brinquedos para o parque.

 

Todos as atrações são sem motor

Há alguns anos o senhor Bruno ganhou ajuda na realização do trabalho:  o neto Francesco, futuro herdeiro do parque.  Eles projetam, constroem e cuidam da manutenção, que é realizada toda segunda-feira, em todas as atrações.

Numa área de 300 mil metros quadrados no bosque de Montello, na província de Treviso,  freqüentado por  40 mil pessoas por ano , em cerca de 40 atrações. E para muitos brinquedos a regra é simples:  quanto maior  o esforço que você faz, maior a adrenalina!

Empurrando o carrinho da montanha-russa: quem quer se divertir precisa se esforçar

São mais de 40 atrações, como escorregadores, tobogãs,  montanha-russa, carrinhos e balanços.  CriançAs a partir dos 3 anos podem se divertir  nas gangorras , balanços e camas-elásticas.  Todas as atrações são divididas por faixas etárias, que são identificadas por cores diferentes.

Em cerca de 50 anos Bruno e a esposa Marisa transformaram  o local num espetacular parque de diversões onde não é necessária energia elétrica

 

O giro da morte, onde quanto mais voce pedala, mais a roda gira . Se tiver força suficiente para conseguir fazer a roda girar, você fica de cabeça pra baixo e roda dentro da gaiola.

Não existe ingresso a pagar mas é proibido fazer piquenique no local. As refeições são em companhia do senhor Bruno e família, que servem pratos tradicionais da cozinha vêneta na osteria,  um local simples  onde compartilhamos grandes meses com outros clientes da casa. Tudo a um precinho mais do que justo.

 

Osteria ai Pioppi

Via VIII Armata, 76

Nervesa della Battaglia, Treviso

 

 

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As belezas da Puglia, no sul da Itália

Nunca te vi, sempre te amei! Acho que posso começar a falar da Puglia assim!!!  Essa região, popularmente conhecida como o “salto da bota”,  me fascina  muito! Vejo sempre fotos e vídeos de lugares incríveis e a vontade de visitá-la aumenta ainda mais. São praias com águas cristalinas, plantações de oliveiras,  pitorescas vilas e construções típicas que atiçam nossa vontade de imergir nessa Itália mais autêntica!  Delimitada por dois mares, o Jônico e o Adriático, a costa da Puglia, ou Apuglia para nós brasileiros, tem mais de 800 quilômetros, é a mais longa da península itálica.  Como ainda não estive nessa linda região,  convidei Maria Cristina Recchia, autora do blog Vem Pra Puglia,  para dividir com a gente as belezas do local. Maria Cristina é paulista,  filha de puglieses e  vive em Polignano a Mare desde 2003. É casada com um polignanese e mãe de dois meninos, de 13 e 10 anos: “Aqui criei raízes. Sempre ouvi falar muito da Puglia, de suas tradições , contadas pelos  meus pais, mas em todos esses anos pude descobrir muitas outras”. Vamos agora conhecer a Puglia através do texto e fotos de Maria Cristina:

O mapa da Puglia, conhecida como o salto da bota. Polignano a Mare fica entre Bari e Monopoli (fonte internet)

 

Maria Cristina, autora do blog Vem Pra Puglia

 

Quando a Denya me convidou para escrever um texto sobre a Puglia, fiquei imensamente feliz porque amo falar sobre o “meu paraíso”. Moro desde 2003 em Polignano a Mare, uma linda e pequena cidade que muitas vezes é escolhida como base pelos turistas interessados em conhecer as “Terre di Bari” (na parte central da Puglia), ou seja, Bari (a grande cidade, o berço da Puglia com seus monumentos como Castelo Svevo, a Basilica di San Nicola e o seu popular centro histórico), Alberobello (com seus “trulli” casas em forma de cone construídas sem argamassa, pedra sobre pedra), Castellana Grotte (com um dos mais belos complexos de grutas da Itália), Monopoli (com seu grande centro histórico, suas inumeras igrejas e o porto), Conversano (com o museu dentro do Castelo Aragonese e o museu arqueológico), entre outras cidades mais próximas.

 

Quando se fala nas “Terre di Bari” é interessante falar inclusive de Matera (Capital Européia da Cultura em 2019 e Patrimônio da UNESCO desde 1993) pois, embora esteja localizada na Região da Basilicata, ela faz fronteira com a Puglia, e a maneira mais rápida para se chegar até ela é por Bari.  

Mas aproveitando esta ocasião, queria dedicar minhas palavras para a encantadora Polignano a Mare, que tem uma história muita antiga e que teve grande importância nos tempos do Império Romano com a passagem da Via Appia Traiana que favorecia o colegamento entre Benevento e o porto de Brindisi para embarques com destino a Terra Santa. 

Durante os séculos, Polignano foi alvo de muitas invasões e é difícil imaginar que uma cidade tão graciosa tenha sido palco de uma história de sofrimento.  

Mas virando esta página da história e chegando a uma época mais contemporânea, em Polignano nasceram muitos artistas e dentre eles teve um filho de grande importância para Itália: Domenico Modugno, grande cantor e compositor da música “Volare” (Nel blu dipinto di blu) que  no final do anos 50, se tornou a canção italiana mais conhecida no mundo. Na cidade foi colocada uma estátua em homenagem ao cantor com os braços abertos, exatamente como ele costumava interpretar suas canções.

Um dos cenários mais famosos de Polignano a Mare, além do mar azul, é a famosa Ponte Lama Monachile, construída sobre uma pequeníssima praia chamada Cala Porto, que divide 2 falésias, onde em uma delas encontra-se o centro histórico da cidade, com suas poesias, flores e terraços. 

Outro grande cenário é conhecer Polignano a Mare pelo mar e apreciar o centro histórico sobre as falésias e as numerosas grutas marinhas formadas pela ação do mar e do vento durante milênios. Minha sugestão é de não deixar de fazer um passeio de barco pela costa e admirar a cidade por outro ângulo.

 

Um aperitivo na Abbazia di San Vito, um passeio pelo Lungomare, uma visita no Museu de Arte Contemporânea di Pino Pascali e as prainhas de Polignano são atrações imperdíveis da cidade.

Eu não poderia deixar de mencionar aqui mais uma “obra de arte” Pugliese: a sua gastronômia! Variedades de laticínios, queijos, carnes, peixes, frutos do mar, o famoso “orecchiette” (tipo de macarrão), focaccia, frutas (como as cerejas, figos da índia e romãs), legumes e verduras, doces de amêndoas e sorvetes artesanais que fazem parte das tradições de uma cozinha típica e antiga que vive cotidianamente entre os habitantes. 

A grande produção de “olio extravergine d’oliva” (azeite) e vinhos como o Primitivo DOC são grande fonte da econômica Pugliese. Vale a pena visitar uma das tantas vinícolas da região para uma deliciosa degustação. 

Bem… a atmosfera que se vive nesta tranquila cidade e no resto da Puglia é mágica e sou orgulhosa de poder compartilhar, em poucas palavras, um pouquinho desta beleza e das suas delícias! 

Já escolheram seu próximo destino? Vem pra Puglia!

Quer contar também sobre a sua viagem à Italia ou dividir alguma experiência? Escreva para grazieateblog@gmail.com.

 

Arte em casa durante a quarentena

Em tempos de lockdown devido ao coronavírus, encontrar alguma atividade inusitada e estimulante para fazer em casa nem sempre é fácil. Alguns museus criaram uma iniciativa divertida: recriar obras de arte utilizando os objetos que temos à disposição em casa. E resolvi propor através do meu perfil Instagram @grazieateblog e muita gente aderiu à brincadeira.  Solicitei que recriassem, preferencialmente, alguma obra que podemos encontrar em Firenze, seja nos museus, nas praças ou igrejas.  Uma forma divertida e instrutiva de se distrair. E aqui está o resultado, com muitas fotos criativas que contou também com a participação de diversas famílias:

 

Por Benedetta Mazzocchi. Benedetta e o filho Adriano e o coelho Nevi

 

Dany Barcellos

 

Lorenzo Pieri,  em cena da obra Primavera de Botticelli

 

Bruno Pieri,  Giovane con Pomo, de Rafael Sanzio, na Galleria degli Uffizi

 

Obra de Rita, autora do blog O Porto Encanta. Participação da tartaruga Nikita

 

Giuditta Tani

 

Olivia Tani

 

Barbara Mingazzini

 

Francesca Azzini

Marco com os sobrinhos Ruggero e Emma. Fotos de Silvia Saluttari

 

Giovanna e a filha Stephanie Greer, interpretando o Duca e a Duquesa de Urbino, obra de Piero della Francesca

 

Cristina Rosa do blog Sol de Barcelona

 

Cristina e a filha Martina

 

Carina Costa

 

Zilda Pandolfi reproduziu numa pintura Flora, da obra Primavera, de Botticelli

 

A família Melani: Eleonora e Alessio com os filhos Jacopo e Alice

 

Gaia Bardelli em foto da mãe Francesca

 

Cosimo Bianchi faz o “Putto che suona”, de Rosso Fiorentino, no museu Uffizi de Firenze

 

Lapo Bianchi, Ragazzo morso da un ramarro, Caravaggio

 

Tina Wells, com o gato Mulder

 

Izabel Silvestre em Dama com Arminho

 

Sofia Silvestre

 

Izabel Silvestre e Fabio Oliveira, Duca e Duquesa de Urbino. O quadro pode ser visto na Galleria degli Uffizi

 

Rosa Esposito e a filha Lisa

 

Emma Russo

 

Sophie Visciano em  Moça com o Brinco de Pérola, de Vermeer

 

Palova Valenti

 

Duccio Gori interpreta Raffaello. Esse auto-retrato está exposto no Museu degli Uffizi de Florença

E o meu muito obrigada a todos que aceitaram participar dessa brincadeira!  Não deixem de conferir o excelente feed do Tussen Kunsten apenas com fotos feitas durante a quarentena, aqui vai o perfil Instagram: @tussenkunstenquarantaine.

 

O artista Rafael Sanzio

O grande artista Raffaello Sanzio está entre os mais famosos mestres do Renascimento.  Rafael, o artista de tantas madonas com semblante doce e traços perfeitos,  nasceu em 1483 na cidade de Urbino, na região das Marcas e em 2020 o mundo celebra  50o anos de sua morte. Rafael morreu no dia 6 abril, dia do seu nascimento, quando havia apenas 37 anos.

 

Raffaello Sanzio, um dos maiores intérpretes da beleza,  nasceu na cidade de Urbino em 1483. Este é o mais famoso auto-retrato do artista, realizado entre 1504 e 1506

Rafael ficou órfão de mãe aos 8  anos. Talvez seja por isso que, apesar de jovem, Rafael fosse capaz de transportar para suas telas uma forte carga emocional que muito provavelmente por esse motivo um dos temas favoritos tenha sido as madonas.

 

Obra “Madonna del Cardellino”, ou Madona do Pintassilgo, de 1506, no museu degli Uffizi. Foi realizada quando Rafael vivia em Firenze

Rafael Sanzio possuía uma incrível capacidade para desenho. Era o pintor da técnica, da execução impecável. Iniciou sua formação atuando com  seu pai,  o artista Giovanni Santi, que havia a sua própria bodega artística e era pintor da Corte de Urbino, onde trabalhava para Federico di Montefeltro. Entre os anos de 1491 e 1494 atuou na oficina do pai,  que foi seu grande incentivador. Ali começou a estudar  desenho e perspectiva, manifestando grande talento. Quando Rafael havia apenas 11 anos,   perdeu também o pai e passou a ser cuidado pelo tio.

 

Na Sala di Giove no Palazzo Pitti, a obra La Velata

 

La Velata (1515-1516), em exposição no Palazzo Pitti

Quando Rafael era adolescente mudou-se para Perugia, na Úmbria, uma cidade que foi muito importante para a sua formação como artista. O seu aprendizado aconteceu na bodega di Pietro Vannucci, conhecido como Il Perugino, um dos mais ilustres artistas do século 16.   Rafael demonstrou ser talentoso e antes mesmo de completar 18 anos recebeu encomendas para a realização de obras de importantes senhores da região. Foi nessa época que também conheceu Pinturicchio, outra figura importante no panorama artístico  do período.

Retrato de Maddalena Doni

 

Os retratos de Maddalena e do marido Agnolo Doni

Aos 21 anos resolveu  mudar-se para Florença, onde viviam Leonardo Da Vinci e Michelangelo. Em Florença, ele conheceu muitos artistas contemporâneos e a atmosfera da cidade contribuiu para  definir seu estilo único. Rafael viveu 4 anos na cidade e entre os anos de 1504 e 1508, as três maiores expressões do Renascimento viveram na mesma cidade.  Os anos florentinos foram muito importantes para o artista. Graças ao seu estilo e traços distintivos únicos em suas obras,  Rafael se destaca.

Elisabetta Gonzaga, esposa de Giudubaldo da Montefeltro. A obra foi provavelmente realizada entre 1503 e 1506

 

Em 1508 Rafael mudou-se para Roma com a  incumbência de afrescar os aposentos papais, à convite do papa Giulio II, que havia  iniciado um projeto de reforma do Vaticano e de toda a cidade de Roma, convocando grandes artistas,  dentre os quais  Michelangelo.  Mesmo após a morte do papa Giulio II, em 1513, Rafael continuou em Roma e também atuou para  seu sucessor, o papa Leone X, Giovanni de’ Medici, filho de Lorenzo, O Magnífico.  Ficou na cidade do Vaticano por quase 12 anos e realizou diversos desenhos e afrescos. Rafael foi também um arquiteto inovativo.  Depois da morte de Bramante, em 1514, assumiu as obras  da Basílica de São Pedro e das galerias do  Vaticano.  Além de trabalhos no Vaticano, atuou também  na decoração de Villa Farnesina e como arquiteto na Capela Chigi,  na Basílica de Santa Maria del Popolo em Roma,  sob encomenda do rico banqueiro sienese Agostino Chigi.

 

Desenhada por Rafael, a Capela Chigi, em Roma (foto divulgação)

 

Uma de suas mais famosas obras, a Madonna Sistina ( ou Madonna de San Sisto), realizado entre 1513 e 1514, fica na Pinacoteca dos Mestres Antigos, em Dresden, na Alemanha (foto divulgação)

 

Madonna della Seggiola

A obra Madonna della Seggiola (1514), em exposição na Galleria Palatina no Palazzo Pitti de Firenze

 

La Fornarina (1518-1519), exposta no Palazzo Barberini em Roma. Rafael retrata nessa obra Margherita Luti, amante e musa inspiradora, provavelmente o seu único amor verdadeiro

Além de ser um grande artista, Rafael também  foi um  bom empreendedor, pois conseguiu montar uma verdadeira equipe em sua oficina em Roma que era formada  por jovens aprendizes e também artistas consagrados. Dessa forma conseguiu realizar  vários projetos simultaneamente.

scuole Atene

A Escola de Atenas (1509-1511), nos Museus Vaticanos (foto reprodução)

Rafael morreu no dia 6 de abril em Roma, no auge de sua carreira. Ele foi enterrado no Panteão por sua própria vontade. Seus restos mortais estão próximos à obra Madonna del Sasso, obra encomendada pelo próprio Rafael e executada por seu aluno  Lorenzo Lotti, conhecido como Lorenzetto. “Aqui jaz Rafael;  enquanto viveu, a mãe natureza temia ser por ele vencida; agora que está morto, ela receia morrer também”.   Essa frase é de Pietro Bembo, em homenagem à criatividade divina do grande artista.

 

Obra óleo em madeira Ressureição de Cristo, uma das primeiras pinturas do artistas, no Masp de São Paulo (foto divulgação)

 

As obras de Rafael estão presentes em várias cidades italianas, como Roma e Florença, Perugia, Città di Castello e Milão. Muitos museus internacionais também possuem algumas pinturas do mestre, inclusive encontramos a a obra Ressureição de Cristo no Masp.  A maioria de suas obras encontram-se em Firenze e em Roma. No Museu Uffizi existe uma sala dedicada ao pintor, onde estão  preservadas algumas obras muito significativas, como a Madonna del Cardellino e  muitas importantes obras de Rafael estão expostas também na Galleria Palatina do Palazzo Pitti.

 

Ritratto  di giovane con pomo, do acervo da Galleria Palatina, no Palazzo Pitti

 

 

500 anos da morte de Rafael Sanzio – Devido aos 500 anos de sua morte, foi anunciada em Roma a  mostra “Raffaello 1520-1483” na Scuderie Del Quirinale,  com mais de 100  obras ligadas à carreira do artista , provenientes do Uffizi, Louvre, e do Vaticano. A exposição, organizada por 3 anos, foi interrompida devido à emergência do coronavírus. A data de encerramento está prevista para 2 de junho, mas muito provavelmente será prorrogada.

A Galleria degli Uffizi de Firenze e o Mibac – Ministério dos Bens e Atividades  Culturais da Itália –  organizaram tours virtuais  para apresentar as obras de Rafael através de suas redes sociais.

 

Leone X  entre os cardinais Giulio de’ Medici e Luigi de’ Rossi Firenze, realizado em 1518

 

Transfiguração de Cristo, último trabalho realizado por Rafael antes de sua morte. trabalho pode ser admirado na Pinacoteca do Vaticano

 

Por ocasião do 500º aniversário da morte do artista, 10 tapeçarias feitas com desenhos de Rafael, representando os Atos dos Apóstolos,  ficaram expostos por uma semana  em fevereiro deste ano, na Capela Sistina de Roma (foto reprodução)

 

Rafael está enterrado no Panteão, em Roma

Urbino, a cidade de Rafael

Rafael nasceu em Urbino, na região das Marcas,  em 1483, uma cidade onde se respirava a atmosfera artística do Renascimento e onde atuavam  grandes artistas. Hoje, a casa onde nasceu transformou-se  num museu dedicado a ele, um lugar onde o artista é contado a 360 ° e onde você pode contemplar algumas de suas primeiras obras.

Urbino é um dos centros artísticos e turísticos mais importantes da Itália e foi construída para ser a cidade ideal do Renascimento

 

Urbino tem uma atmosfera descontraída e um ritmo envolvente. A cidade é bem pequena e tranquila, tem pouco mais de 15 mil habitantes. Cheia de ladeiras, com lojinhas de artesanato, barzinhos e restaurantes, seu fascínio está, principalmente, em seu cenário renascentista preservado por séculos. Urbino é um dos centros artísticos e turísticos mais importantes da Itália e foi construída para ser a cidade ideal do Renascimento.

 

Palazzo Ducale de Urbino

 

Obra Santa Caterina d’Alessandria, de Raffaello Sanzio. Santa Caterina é a padroeira dos universitários. A obra faz parte da mostra permanente da Galleria  Nazionale delle Marche, dentro do Palazzo Ducale

 

 

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Aldravas italianas

 

Receita da panzanella toscana

A panzanella é um prato  simples da “cozinha pobre toscana” que surgiu a partir do  reaproveitamento do pão dormido. Sua preparação é rapida e  não requer cozimento. Os principais ingredientes da panzanella, que pode ser considerada um prato único, são o pão velho (para permanecer fiel à receita original, seria melhor usar o pão toscano), tomate, pepino, cebola roxa, manjericão, sal, pimenta, vinagre e óleo. No Brasil é possível substituir o pão toscano pela pagnota.

A panzanella é um prato fresco, muito comum no verão, porque ingredientes como manjericão e pepino são mais comuns de serem encontrados da estação do calor

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O principal ingrediente da panzanella é o pão toscano, que é  sem sal, com a crosta crocante e o interno macio

A panzanella é um dos pratos típicos da Toscana  e pode ser servida como uma salada, como entrada ou prato principal, dependendo da variação. Algumas pessoas acrescentam croutons, atum, alcaparras, alcachofras ou azeitona preta.
panzanella

A panzanella é um dos meus pratos preferidos no verão! Rápido e fácil de preparar

A panzanella é um prato rústico principalmente da estação de verão aqui na Itália e que pode ser consumido durante todo o ano no Brasil pela facilidade de encontrar os ingredientes.   Existem versões bem diferentes para a preparação e essa é a receita tradicional toscana, que é super simples, fácil de preparar e deliciosa!

Ingredientes
300 g de pão dormido (cerca de 3 dias)
1 pepino
2 ou 3 tomates maduros ou 20 tomatinhos cereja
manjericão fresco
1 cebola roxa pequena (se preferir, use apenas 1/2)
Sal
pimenta-do-reino
Azeite extra-virgem de oliva
Moda de preparo:
1- corte o pão em rodelas grandes ou em pedaços. Encha uma tigela com água filtrada e deixe amolecer por cerca de 20 minutos.  Depois esprema bem com as mãos para tirar toda água e coloque os pedaços (ou “farelos”) em uma saladeira
2- descasque a cebola e corte-a em rodelas bem finas. Se preferir, coloque numa tigela com água fria por alguns minutos para tirar o ardido da cebola crua
3- Corte os tomates em cubos e descarte as sementes
4 – Corte o pepino em rodelas bem fininhas ou em cubinhos
5- Acrescente os tomates, o pepino, a cebola e as folhas de manjericão no pão e misture
6- Regue com bastante azeite e tempere com sal e pimenta a gosto
7- Se preferir, deixe alguns minutos na geladeira antes de servi-la
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Por que o Ano Novo florentino é comemorado dia 25 de março?

Em Florença, o Capodanno, isso é, o Ano Novo,  é também comemorado no dia 25 de março, data da  Anunciação da Virgem Maria. Essa é uma  tradição secular que surpreende a todos com desfile do cortejo histórico pelas ruas do centro para celebrar a data, que vigorou na cidade até 1750.

Ano Novo florentino: até 1750, a data de 25 de março era considerada como o início do calendário civil e é celebrada até os dias de hoje. Essa tradição antiga existe há mais de 250 anos

 

Para os florentinos, a Anunciação era um feriado civil, religioso e primaveril, tanto que um velho provérbio   diz: “Para a Anunciação, a andorinha chegou; e se não  chegou, ela está  pelas ruas ou está doente”.

Anunciação de Cestello, de Botticelli, obra em exposição na Galleria degli Uffizi

Em outras cidades italianas e européias, desde 1582, no entanto, o calendário gregoriano já havia sido adotado, estabelecendo o início do ano em 1º de janeiro.  Mas Florença, fortemente ligada à doutrina mariana, decidiu não abandonar o hábito de celebrar o primeiro de ano em 25 de março. Foi apenas através de um decreto emitido pelo Grão-Duque Francesco III  no ano de 1749,  que definiu para 1º  de janeiro o início do ano civil também para  Florença.

 

A piazza della Santissima Annunziata que a abriga a homônima igreja

 

Basílica della Santissima Annunziata

Para as celebrações do ano novo os florentinos costumavam ir até a Basílica della Santissima Annunziata, onde existe um afresco muito venerado que segundo a tradição foi terminado por um anjo. Segundo a lenda, o pintor Fra Bartolomeo, que estava trabalhando na obra, não conseguia realizar o rosto da Virgem e pela exaustão, acabou adormecendo. Ao acordar, descobriu que a mão de um anjo havia finalizado a pintura e por esse motivo passaram a chamar a obra “Anunciação Milagrosa”, considerada até por Michelangelo como uma obra de arte “divina”.

Firenze ainda celebra a data de 25 de março com um cortejo histórico que vai até a igreja della Santissima Annunziata, o principal santuário mariano de Florença , centro das celebrações, onde está o afresco com a imagem milagrosa  da Virgem da Anunciação .

 

 

 

Procissão – a procissão do cortejo histórico começa no Palagio di Parte Guelfa e segue até a Basílica de SS. Annunziata, seguindo uma tradição antiga camponeses peregrinavam para homenagear Maria. A procissão leva um bouquet de lírios brancos à capela da Santíssima Annunziata. A celebração entrou para o calendário oficial de festividades da cidade desde o ano 2000.

 

 

A Loggia dei Lanzi em Firenze

Disponível para visitantes a qualquer hora do dia e da noite, a Loggia della Signoria, também chamada Loggia dei Lanzi, é um extraordinário museu a céu aberto bem no coração pulsante de Firenze! O espaço abriga  esculturas realizadas por Cellini e Giambologna e integra a Piazza della Signoria, a praça mais famosa e importante da cidade.

 

A Loggia dei Lanzi é uma galeria de esculturas ao ar livre com obras originais que podem ser apreciadas a qualquer hora do dia ou da noite

A elegante loggia foi construída entre 1376 e 1382 com o objetivo de sediar assembléias e  cerimônias públicas da República de Firenze.  Depois de 2 séculos, por vontade de Cosimo I de’ Medici, tornou-se  um espaço expositivo, onde as pessoas podiam admirar as obras de arte.

 

A Loggia dei Lanzi fica na Piazza della Signoria,  nas proximidades do pátio da Galleria degli Uffizi

Durante o século 16  a loggia perdeu sua função original e tornou-se um  museu à céu aberto.

Entre os arcos, no interior de painéis, destacam-se as esculturas das Virtudes teológicas e cardeais, criadas a partir de um desenho de Agnolo Gaddi, sobre um fundo de esmalte azul

loggia dei lanzi

É chamada de Loggia dei Lanzi  porque os Lanzichenecchi, antes de se dirigirem à Roma, acamparam sob seus arcos no ano  de 1527.   É também conhecida como Loggia  dell’Orcagna,  a quem foi erroneamente atribuída a autoria do projeto, que foi executado pelos arquitetos Benci di Cione e Simone Talenti.

Dois leões em pedra como vigias sentinela na entrada da loggia

Quase todas as obras representam um tema mitológico e fazem associações ao período vivido  na cidade de Florença. Era uma  forma de enviar mensagens ao povo de poder e triunfo.

Na loggia podemos admirar  estátuas do período romano e obras-primas do século 16

Uma das obras mais extraordinárias do espaço é Perseus com a cabeça da Medusa, realizada pelo ourives Benvenuto Cellini.  Perseus, triunfante, mostra a cabeça do monstro decapitada e segura a espada  com a outra mão. A obra  maneirista representa um manifestação política: afirmação do poder de Cosimo I’ de Medici. A escultura de bronze é rica em detalhes que a tornam única e o artista trabalhou 9 anos para poder realizá-la. Uma curiosidade: atrás da obra, no cabelo de Perseus, tem esculpido  o rosto de Cellini.

 

Cellini, um dos maiores ourives renascentistas, criou este trabalho sob encomenda de Cosimo I de ‘Medici em 1545. A escultura foi exposta apenas em 1554

 

O Rapto das Sabinas, obra-prima de Giambolonha, finalizada em 1583

 

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A estátua tem 4,10 m e foi esculpida em um único bloco de mármore, o que exigiu grande precisão técnica para o êxito de equilibrar  todo o peso da obra, que representa o conceito da  estilo de uma figura serpentina , isto é, uma figura  em forma de serpente.

O Rapto das Sabinas mostra um homem jovem  pegando à força uma mulher sob o olhar desesperado de um senhor. Esse é um dos episódios lendários ligados às origens de Roma,  que após  sua fundação precisava ser povoada e contava com poucos habitantes,  que eram em sua maioria  homens. Rômulo, o primeiro rei de Roma, organizou uma festa e convidou os sabinos, que viviam num povoado próximo.  Durante o evento, em um momento combinado,  os jovens romanos atacaram e raptaram as mulheres solteiras presentes.

 

A primeira estátua realizada em 360 graus,  isto é, que pode ser admirada de qualquer ângulo, oferecendo pontos de vista diferentes ao espectador

 

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Outra escultura do artista flamingo Giambolonha, Hércules e o Centauro. A obra  de mármore mostra o corpo do centauro dobrado pela força de Hércules

 

Em mármore :  Menelau que segura o corpo de Patroclos,  cópia  de uma obra original grega, presente do Papa Pio V à Cosimo de’ Medici

 

Hércules e o Centauro

 

O Rapto de Polissena é uma escultura em mármore realizada por  Pio Fedi. Foi esculpida entre 1855 e 1865 e é a única obra moderna entre as obras renascentistas

Depois da construção do museu degli Uffizi, que fica na parte de trás da Loggia, Bernardo Buontalenti, em 1583,  reestruturou o terraço criando um espécie de jardim suspenso, de onde era possível ver a praça e assistir às cerimônias e espetáculos.

 

Foto feita do Palazzo Vecchio

 

A Itália em tempos de coronavírus

  • post atualizado em 26 de abril.  Você confere as novas medidas no final do texto:

Desde que os casos do novo coronavírus Covid-19 começaram a crescer no Brasil as mensagens de amigos e leitores do blog passaram a ser mais frequentes. Todos querem saber como está a situação na Itália, onde 60 milhões de pessoas estão fechadas em casa.  Como o país está enfrentando essa pandemia?

 

Todo mundo em casa!  Em poucas palavras, é isso que determina o mais recente decreto estabelecido pelo Presidente do Conselho de Ministros Giuseppe Conte. Nessas últimas semanas, as decisões têm sido tomadas de forma gradativa.  Inicialmente o decreto, em vigor desde o  dia 8 de março era   limitado à região da Lombardia e mais 14 províncias.  Contendo novas medidas, esse último anunciado  domingo passado passou a valer em todo o território italiano, considerado “zona protegida”. Portanto,  de 10 de março até o dia 3 de abril, toda a Itália em quarentena. Isolamento social: precisamos ficar em casa para evitar novos contágios. #iorestoacasa (eu fico em casa)  é a hashtag do momento.  Proibição absoluta de sair de casa para os que resultam positivo para o vírus. Escolas e universidades encerraram as atividades desde o dia 4 de março. Museus e  cinemas  foram fechados, estão proibidas atividades esportivas e até as missas foram suspensas, assim como cerimônias de casamentos e funerais não podem ser realizados.  Os rituais para o funeral não incluem missa, é possível apenas um  pequeno ritual de enterro. Podemos sair apenas para irmos ao supermercado, farmácia ou por algum motivo de urgência.  É necessário apresentar uma declaração que assinamos para justificar o deslocamento. Se algum cidadão for flagrado passeando ou não for capaz de justificar o motivo da saída corre o risco de levar uma multa  de 206 euros e até 3 meses de prisão. Não  é permitido visitar familiares e amigos.  As estradas estão sendo  controladas e nada de viagens. Cada um deve ficar onde está, independente se você mora em Milão e quer passar esse período de quarentena com a tua mamma que vive em Nápolis.  Alguns escritórios e repartições estão funcionando. Mas quem pode, trabalha de casa. Lojas, bares e restaurantes estão fechados, inicialmente até 25 de março.   Alguns restaurantes entregam em domicílio. Cabeleireiros e centros estéticos também. Muitas fábricas e indústrias estão abertas mas, como em qualquer ambiente, precisam impor aos seus colaboradores de manter entre eles  a distância de 1 metro. Os supermercados estão bem abastecidos (salvo em alguns locais onde falta, por exemplo, papel higiênico), mas grandes e demoradas filas foram criadas na porta dos estabelecimentos devido ao número limitado de pessoas que podem entrar contemporaneamente. É possível fazer pedidos de compras pela internet  mas aqui em Firenze a próxima entrega não chega antes do dia 25, portanto, daqui a quase 2 semanas! Sobre esse assunto tenho em casa talvez a pessoa mais bem-informada da cidade, rs. Posso confiar tranquilamente à meu marido a questão das compras de supermercado.  Lazer? Praticamente nada. Algumas cidades estão fechando seus parques públicos devido aos frequentadores não respeitarem  a distância de segurança. Aqui em Firenze foi assim. Em todo o país os serviços  de transporte público são garantidos, mas foram reduzidos.  Muitas companhias aéreas também cancelaram voos com chegada e partida da Itália.

A Itália, o segundo país com mais casos de coronavírus,  tomou providências diferentes daquelas  adotadas pela China, país onde o surto teve origem e que desde o início impôs a quarentena em algumas cidades onde foram registrados os primeiros surtos e conseguiu diminuir a curva epidêmica.  Não sou médica, nem matemática e nem especialista de saúde pública, mas a minha opinião é que não tomamos providências imediatas quando os casos começaram a aparecer aqui na Itália. Fechar as fronteiras e proibir voos da China? Fechar escolas e universidades? Cancelar shows e manifestações em locais aglomerados?  Decretar quarentena? Só pra vocês terem uma noção sobre a desorientação do modo de se comportar, assim que foram suspensas as aulas, que foi uma das primeiras medidas para evitar o contágio, muitas famílias reservaram viagens para estações de esqui e até para o exterior.  Desdenhamos da pandemia desconhecendo o inimigo, que é rápido, silencioso e invisível. Tosse, febre e dificuldade para respirar são os principais sintomas, mas não é em todos os infectados que se manifesta dessa forma. Os casos começaram a aparecer sempre carregados de incertezas.  E ainda continuamos sem conhecer o denominador. Talvez o que também assusta tanto quando falamos em coronavírus é que não sabemos quem foi contagiado.  Uma coisa é saber o número de pessoas positivas depois que se submetem ao teste, outra coisa é não saber e nem imaginar quem está infectado e que pode ser transmissor.  Muitos pacientes apresentam poucos sintomas – que em alguns casos são  como os da gripe – sem contar que pessoas assintomáticas podem transmitir o vírus.  As medidas aqui na Itália começaram a ser tomadas de acordo com a evolução da questão. Ficamos um pouco sem saber como agir. No início, desconhecendo o problema,  alguns governantes até incentivaram o convívio sem julgamentos e sem preconceito, contra o terrorismo psicológico nos primeiros dias de fevereiro: vamos abraçar um chinês! Além disso, até mesmo iniciativas culturais com museus abertos gratuitamente para todos, para ajudar a enfrentar o medo que estava deixando as cidades sempre com menos turistas.  E  num espaço muito curto de tempo, o jogo virou impondo regras  bem diferentes: nada de socialização,  todo mundo em casa! Ainda não temos respostas para muitas perguntas que envolvem o assunto. Mas uma coisa é certa: é preciso frear os contágios e para isso precisamos nos  isolar.

Não vou entrar nos problemas econômicos. Em relação aos números negativos desse baque acho que nem o Ministro da Economia tem condições de quantificar.  Coloquem nessa conta o abalo emocional da situação.  Pode parecer fácil, mas não estamos de férias trancados em casa.  É uma sensação estranha que mexe com nosso emocional. Agora temos tempo à disposição. Ah, esse mesmo tempo do qual somos tão escravos e que tanto almejamos!  O sagrado tempo. E que agora é só nosso…  mas afinal,  do que importa se não podemos escolher o que fazer com esse tempo? Tenho dois filhos, de 7 e 11 anos. Moro num apartamento, portanto, as brincadeiras se limitam entre os quartos e a sala. Passamos esse período entre  leitura, filmes, jogos eletrônicos, brincadeiras em família e tarefas de casa que foram passadas pelas professores através de mensagens e plataformas divulgadas pela escola. Não é fácil explicar que só sairemos de casa dentro de algumas semanas. A primavera vai anunciar sua chegada e nós estaremos aqui, em casa, imaginando os parques e jardins que se colorem, sem poder contemplar toda a beleza de perto.  Mas vai passar. Essa é a frase que hoje pintamos em casa,  a partir de uma mobilização nacional onde as crianças colocam faixas penduradas na janela com um arco-íris e a frase:  “andrà tutto bene“.

E como estão sendo tratados os casos que resultaram positivo? Ainda não existe uma vacina contra o vírus, mas existe tratamento. Muitos pacientes podem se tratar em casa, e os que apresentam outros sintomas, como   insuficiência respiratória, precisam de internação em UTI com equipamentos de respiração assistida e os hospitais estão sobrecarregados. Médicos e enfermeiros estão empenhando-se com longos turnos de trabalho em hospitais lotados. Alguns estão usando as redes sociais para alertar a população: “estamos combatendo como se fosse uma guerra, é preciso que as pessoas fiquem em casa para evitar os contágios”.  Outro assunto que está causando surpresa nos brasileiros é que a notícia que está sendo difundida é que os hospitais estão  escolhendo  os pacientes a serem tratados.  Diante da delicada situação, o SIAARTI (Sociedade Italiana de Anestesia, Analgesia, Reanimação e Terapia Intensiva), divulgou um documento informando que, se necessário,  os médicos precisarão selecionar os pacientes a serem atendidos de acordo com as chances de sucesso no tratamento e de sobrevivência, devido a “um enorme desequilíbrio entre as reais necessidades clínicas da população e a disponibilidade real de recursos intensivos”.  Além dos casos de coronavírus, os hospitais lidam com emergências de todo tipo, como cirurgias de urgência.  Não há leitos para todos os pacientes. Esse é o maior desafio: conseguir vaga e equipamento para internar os pacientes e disponibilizar as maquinas de respiração.  E uma notícia boa é que desembarcaram ontem na Itália 9 profissionais vindos da China. São especialistas no tratamento do coronavírus, que trouxeram também equipamentos respiratórios e milhares de máscaras. Que fique claro: o desafio maior  será conseguir cuidar e dar assistência aos infectados que precisam de internação: o problema se agrava quando número de doentes é maior do que a capacidade que temos nos hospitais!

E a mensagem que deixo para quem está no Brasil é a seguinte: é preciso prevenção, é preciso ser consciente e ter senso de responsabilidade e de coletividade. Não é momento de histeria e nem de pânico, mas de atenção, de racionalidade.  Pessoas jovens e saudáveis correm menos riscos, mas idosos e pessoas com doenças prévias são vulneráveis. Isso de forma alguma  justifica ignorar as medidas de prevenção.  Todos precisamos colaborar! E para evitar a proliferação do vírus, além de cuidados de higiene,  é preciso evitar locais com grande concentração de pessoas e  evitar contato com idosos, que precisam ficar o máximo de tempo possível em casa.  Sei que é difícil pedir que as pessoas se socializem menos, sobretudo conhecendo  a nossa cultura, mas façam um sacrifício por um período e deixem de lado festinhas, shows, cinemas e locais muito cheios. Procure manter distância das pessoas, mesmo de conhecidos,  e tenha muito cuidado ao usar transporte público. E para os chegam de viagem internacional, isolamento domiciliar de 14 dias.   Não é preciso ter pânico, mas é necessário seguir as recomendações de higiene e de bom comportamento.

Agora sejamos sinceros, você  já deve até  ter pensado, há poucos dias,  que o problema desse vírus, que surgiu lá do outro lado do mundo, não era um problema seu. Aí o vírus começou a se proliferar na Itália, continuando a não ser problema seu. Mas agora ele está em todo lugar. E o problema é tanto meu quanto  seu. Assim como é do Trump, do Bolsonaro e de todos os habitantes desse Planeta.  De todos, afinal, estamos todos na mesma ciranda. Será que agora ficou claro?

 

Busque informações em sites oficiais, como o do Ministério da Saúde que traz dicas e informações de como se comportar em caso de suspeitas da doença. Quem desejar monitorar os casos de Coronavirus em tempo real, aqui vai um mapa que está sendo atualizado constantemente, clique aqui

 

Fase 2 

O Presidente do Conselho dos Ministros, Giuseppe Conte, anunciou na noite de 26 de abril as novas medidas que passarão a valer a partir de 4 maio.  Pode ser que alguma medida informada seja modificada. As decisões são tomadas de acordo com o andamento dos casos.  Conte iniciou o pronunciamento dizendo que teremos que conviver com o vírus e respeitar a distância de segurança, que é de ao menos 1 metro: “Graças aos sacrifícios feitos por todos até agora nós estamos conseguindo controlar a difusão da pandemia. Vocês manifestaram todos, de norte a sul, força, coragem,  senso de responsabilidade  e de comunidade. Agora começa  para todos a fase de convivência com o vírus. Tempo que ser conscientes que nessa nova fase, a  fase 2, pode ser que a curva do contagio suba em algumas áreas do país. Esse é um risco e devemos enfrentá-lo. Na fase 2 será ainda mais importante manter a distancia de segurança, de ao menos 1 metro.”

Muitas fábricas reiniciam as atividades amanhã, 27 de abril.

O bônus de 600 euros que foi concedido para trabalhadores autônomos ou temporários será renovado automaticamente.

As escolas continuam fechadas ate o final do ano letivo (aqui na Itália termina em  junho). Muito provavelmente abrirão em setembro, mês que começa  o ano letivo aqui na Itália.  Os alunos seguem fazendo atividades em casa. Haverá um  grande esforço para que possa ser realizado o “esame di maturità“, exame do curso do ensino medio, com as devidas condições de segurança.  Algumas prefeituras estão analisando a possibilidade de retornar em meados de maio.

A partir de 4 de maio:

  • é possível visitar parentes, mas  utilizando máscaras (necessário auto-certificação)
  • viagens apenas dentro da própria região
  • viagens para outras regiões apenas por motivos de trabalho ou visitas médicas (necessário auto-certificação)
  • o acesso a parques e jardins públicos será permitido, mas mantendo  sempre a distância de segurança
  • para atividades esportivas, necessário mante distância de dois metros. Atletas profissionais poderão retornar ao treinamento a portas fechadas para disciplinas individuais. Não aos esportes coletivos, provavelmente após o dia 18 de maio. Para atividades esportivas a distância mínima é de 2 metros.
  • será possível realizar cerimônias fúnebres, com participando de no máximo 15 pessoas (missas ainda não são permitidas)
  • bares e restaurantes:  serviços de  take-away serão permitidos. Os alimentos  devem ser consumidos em casa
  • as máscaras devem ser vendidas por no máximo 50 centavos de euro

 

A partir de 18 de maio:

  •  Reabertura de museus, bibliotecas, exposições  e locais culturais
  • Reabertua de lojas
  • Esporte: treinamento para equipes. Sobre o campeonato de futebol da série A,  será necessário avaliar se existem condições para terminar a temporada.

 

A partir de 1º de junho:

  • Reabertura de bares, restaurantes, cabeleireiros e centros estéticos.

 

 

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