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O Museu dos Medici de Florença

O Museo de’ Medici de Florença é o primeiro e único espaço expositivo inteiramente dedicado à história dessa poderosa família que por cerca de 3 séculos governou Florença e a Toscana.  Com  elementos reais e virtuais, o museu conta principalmente a  história da família  a partir dos anos 1500 e dos Grão-duques da dinastia por meio de salas temáticas, retratos, medalhas, documentos, manuscritos e exposições temporárias, de coleções particulares e portanto, inéditos. O museu , localizado no Palazzo Sforza Almeni, foi inaugurado em junho de 2019.

 

Esse é o primeiro museu dedicado exclusivamente à história da família Medici, onde podemos conferir  coleção de pinturas, manuscritos, objetos pessoais e raridades pertencentes a alguns dos mais  ilustres membros da família

Participei de uma visita guiada organizada pela Toscana è,  associação que ajuda a divulgar as belezas do território toscano. Nossa visita foi conduzida pela competente guia Elena Petrioli, autora do blog Guarda Firenze,  e contou com a participação do diretor do museu, Samuele Lastrucci.

Com a guia Elena, Mad e Sandra e os  membros da  Toscana è Leonardo, Gloria, Marco e Erika

Palazzo Sforza Almeni  – o antigo palácio fica a poucos passos da Catedral Santa Maria Del Fiore

O museu está localizado no Palazzo Sforza Almeni, antiga residência do cavaleiro Sforza Almeni,  que foi conselheiro de Cosimo I de ‘Medici. Sforza Almeni foi  secretário de Cosimo por mais de 20 anos, de quem obteve  privilégios e recebeu muitas honras, como o título de Cavaleiro de Santo Stefano e a posse do edifício, confiscado da família Taddei, que havia se oposto ao regime dos Medici.   Almeni convocou os melhores artistas da época  para reestruturar o palácio,  como Vasari e Ammannati. O papel de secretário confidencial do duque era também muito perigoso e arriscado e aproveito para contar pra vocês uma curiosidade envolvendo o Grão-Duque:  Sforza Almeni pagou com a própria vida a revelação à Francesco I, filho de Cosimo,  de sua relação  amorosa com a jovem Leonora degli Albizi. Cosimo I não gostou nada que seu secretário revelasse ao filho sobre sua vida amorosa  e o assassinou com suas próprias mãos.

Brasão original,  do século 16  das familias Medici e Toledo,  no hall de entrada. Na esquina do prédio fica uma cópia

Família Medici
Um breve resumo sobre a poderosa família Medici, que governou Florença por  cerca de 3 séculos e foi uma das mais importantes do Renascimento italiano. Muito provavelmente a família Medici é originária do Mugello, norte de Florença, mas não existem evidências que comprovem a sua origem.  Os Medici não eram nobres, mas comerciantes de tecidos e banqueiros.
A dinastia começou com Giovanni di Bicci que se tornou o financiador do Papa João XXIII, e a partir desse momento os Medici se tornaram a maior e mais eficiente organização econômica e financeira da época. O processo de construção do domínio dos Medici sobre a cidade de Florença, entretanto, começou com Cosimo de’ Medici, conhecido como Cosimo “O Velho”, em 1434. O esplendor florentino  chegou com Lorenzo de’ Medici, conhecido como “O  Magnífico”, em meados do século XV.
O museu conta principalmente a história da família a partir do século 16,  quando Cosimo I tornou-se o primeiro Grão-Duque da Toscana, título que manteve até sua morte.
Os Medici nunca ocuparam cargos públicos, mas exerciam o poder através da criptomonarquia (“cripto” está para oculto), isso é, eles comandavam colocando no poder personalidades manipuláveis e favoráreis às suas ideias e interesses.

O Museo de’ Medici e a Fondazione Anna Maria Luisa apresentam um espaço inteiramente dedicado à família mais importante de Florença

 

 

A “Sala do Tesouro”, com a reconstrução tridimensional fiel da coroa grão-ducal, que foi perdida

No início do percurso uma sala com uma coleção de retratos, começando pelo casal Cosimo I e Eleonora di Toledo

Salas – Nas salas do museu, grande parte da história da família é contada através da exposição de obras de arte originais, documentos e relíquias, testemunhas diretas do domínio secular dos Médici em Florença.

Três grandes salas do museu são divididas por períodos e retratam os séculos 16, 17, até a primeira metade do século 18, quando faleceu a última herdeira da família.
A primeira sala  é dedicada à genealogia, com diversos retratos expostos por casais, sendo o primeiro o de Cosimo I e Eleonora di Toledo, filha do vice-rei de Nápoles.  A seguir encontramos Francesco I e Giovanna da Áustria. E aqui aproveito para contar sobre uma história de amor que marcou a Senhoria Medici: Francesco era amante de Bianca Cappello, ambos casados na época. Depois que ambos ficaram viúvos, finalmente se casaram. Mas o casal de amantes morreu em circunstâncias misteriosas até hoje não esclarecidas, numa das  vilas da família, a Villa de Poggio a Caiano, arredores de Florença. Depois disso, seu irmão Ferdinando I, que era cardeal,  casou-se com Cristina de Lorena.
Os últimos retratos da sala são os de Anna Maria Luisa de’ Medici, filha de Cosimo III. Anna Luisa foi a última herdeira dos Medici e morreu em 1743.

Afrescos da escola de Giorgio Vasari na pequena capela do Palazzo Sforza Almeni

Na Sala del Cinquecento. No século 16, o poder absoluto passou a ser de Cosimo I de’ Medici, do ramo cadete da família, que assumiu quando tinha apenas 18 anos, após o assassinato do Duca Alessandro, em 1537

Cosimo I de ‘Medici, Grão-Duque da Toscana, em retrato realizado por Agnolo Bronzino (1545 aproximadamente)

 

O Diretor do Museu dos Medici, Samuele Lastrucci

 

Ao centro da Sala del Seicento , escultura do busto de Ferdinando II realizada por Giovanni Battista Foggini

 

Modelo de um galeão da frota dos Medici. Vocês sabiam que  Ferdinando I tentou fundar uma colônia do Grao-Ducado no Brasil? A expedição, liderada pelo inglês Robert Thornton, desembarcou na Guiana e posteriormente no Brasil e quando retornou para a Itália, em 1609, Ferdinando I havia falecido e seu filho não teve interesse em dar continuidade à ideia de seu pai

 

A Sala del Settecento com os retratos dos últimos membros da família

 

Algumas reproduções de cartas e documentos da família

Em outubro de 2023 o Museo de’ Medici passou a funcionar na Rotonda del Brunelleschi

 

Museo de’ Medici

Via dei Servi, 12 – Firenze

Horário :  das 10 às 18 horas, diariamente

Valores do bilhete: 9,00 euros com guia de rádio

5, 00 euros com guia habilitada

15, euros  em companhia do diretor do museu (requer agendamento)

Email: museodemedici@gmail.com

 

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20 atrações grátis em Firenze

Dicas de Firenze

A Igreja de Santa Croce

Nonos da Itália 

A Basílica de Santa Maria Novella

 

Florença menos conhecida – 2

Fico admirada quando escuto  algumas pessoas comentando que em um dia é possível conhecer as principais atrações de Florença! Talvez você consiga passar na frente da maioria delas, mas essa cidade, apesar de ser pequena,  guarda  muitíssimas preciosidades – seja no interior dos majestosos palácios que em suas ruas e praças!   E para quem busca uma Florença menos óbvia,  trago neste post outras 10 atrações. Já havia publicado ano passado Florença menos conhecida indicando 10 atrações. Espero que gostem:

 

O Museu degli Innocenti, o primeiro orfanato da Europa. A obra de arquitetura renascentista é um projeto de Brunelleschi

 

1- Museu degli Innocenti –   O museu surgiu  no ano de 1419  com a designação de hospital: Spedale degli Innocenti  e há seis séculos acolhe crianças abandonadas.  Desde a sua criação a instituição presta  assistência  à crianças  órfãs e filhos ilegítimos. Na época do Renascimento  muitos bebês foram deixados no hospital As crianças eram abandonadas  de forma anônima,   não se sabia o sobrenome da mãe e nem da família. Uma curiosidade ligada ao local é que quando as crianças podiam deixar o instituto elas recebiam os sobrenomes  Innocenti, degli Innocenti, Nocenti ou Nocentini. O museu fica na Praça della Santissima Annunziata

Dentre as obras de arte que podemos admirar no museu, está Madonna col bambino, realizada por Sandro Botticelli

 

2- Capelas Medici – As Capelas dos Medici, no Complexo de San Lorenzo, é o local dflocal que abriga o mausoléu da poderosa família Medici, os mecenas de Florença e da Toscana. Eles governaram a cidade entre os séculos 15 e 18 e são responsáveis por Florença ser mundialmente conhecida como Berço do Renascimento. O conjunto das capelas é constituído pela cripta, pela maravilhosa  Capela dos Principes, onde estão os túmulos de seis grão-duques da família Médici e pela Sacristia Nuova, que é outra capela funerária onde Michelângelo Buonarroti atuou como arquiteto e escultor.

 

 

3- Museu Bargello – o maravilhoso  Museu do Bargello, localizado no antigo Palazzo del Podestà, abriga algumas das mais importantes obras da escultura do Renascimento italiano em seus majestosos salões. Em 1865 tornou-se o primeiro museu nacional italiano dedicado às artes da Idade Média e do Renascimento e é um importante museu com obras de Cellini, Donatello, Luca della Robbia e Michelangelo. Suas coleções incluem esculturas, cerâmicas, medalhas, bronzes, tapeçarias e mobiliário, que pertenceram à família Médici e a colecionadores. Dentre os doadores mais relevantes, o antiquário francês Louis Carrand.

 

 

4- Igreja e Museu de Orsanmichele – Antigo celeiro, a igreja de Orsanmichele representa uma interessante síntese entre a arquitetura religiosa e a civil.  Além de igreja, no local funciona também um museu, na parte superior. Cada corporação fez uma homenagem  ao seu santo padroeiro e sua  fachada  conta com 14 estátuas, do período Gótico até o fim do Renascimento. Fica entre a Praça da Signoria e praça do Duomo.

 

Orsanmichele apresenta  uma das arquiteturas florentinas mais importantes do século XIV

 

5 – Basílica San Lorenzo –  conhecida como “A igreja da família Medici”, a Basilica de San Lorenzo foi por 300 anos a catedral da cidade. A igreja abriga muitas obras-primas de artistas famosos da cena artística e arquitetônica de Firenze.  Foi consagrada em 393 por Santo Ambrósio e  foi por três séculos a igreja mais importante de Florença.  Foi transformada de igreja romanica à basilica renascentista pelo arquiteto Filippo Brunelleschi. Em seu interior podemos admirar obras de Michelangelo, Donatello e Filippo Lippi. Fica perto do Mercado Central de San Lorenzo.

 

 

7- Igreja San Marco- O Museu de San Marco, que fica ao lado igreja da homônima, funciona num ex-convento  fundado em 1299 pelos monges beneditinos Silvestrini e que passou  para a ordem dos Dominicanos Observantes em 1436.  No anos sucessivos, com financiamento de Cosimo dei Medici e sob a direção do arquiteto Michelozzo, foi totalmente restaurado e reformado, além de embelezado com afrescos de Beato Angelico.  A visita a San Marco inclui os esplêndidos espaços arquitetônicos do convento e das celas, o claustro de Sant’Antonino, o Cenacolo del Ghirlandaio, o refeitório e a Sala Capitular. Abriga o maior acervo do mundo de obras de Beato Angelico que também viveu e trabalhou no convento por volta de 1440 para afrescar os espaços renovados por Michelozzo.

 

 

6-  Museu Davanzati –  O Museu Davanzati é um maravilhoso museu no centro de Florença onde  possível admirar e respirar a atmosfera medieval do século XIV. É o Museo della Casa Medioevale Fiorentina,  também conhecido como Palazzo Davanzati. Esta é uma típica residência nobre florentina, que foi preservada quase intacta e representa o momento de transição entre a casa-torre medieval e um prédio renascentista.

 

Como era uma residência em epoca medieval? O palácio Davanzati, construído em meados do século XIV, apresentava aos visitantes o verdadeiro estilo de uma casa medieval florentina

8 – Igreja Santissima Annunziata – A basílica de Santissima Annunziata tem uma história antiga. A igreja é da ordem dos Servitas e foi fundada em 25 de março de 1250. A igreja foi reconstruída entre 1440 e 1481 graças a Michelozzo que construiu o primeiro claustro e algumas modificações foram executadas por Leon Battista Alberti. A igreja é um excelente exemplo de decoração barroca em Florença com maravilhoso trabalho na cúpula realizado pelo artista Volterrano. A igreja fica na praça homônima e o ingresso é gratuito.

 

9 – Igreja de Santi Apostoli – Conhecida como o “Vecchio Duomo” de Florença, a  igreja de Santi Apostoli é uma das igrejas mais antigas da cidade e está localizada na Piazza del Limbo. Algumas curiosidades sobre a igreja. A  praça que abriga a igreja é chamada Limbo porque foi construída na área de um antigo cemitério de crianças que morreram antes de serem batizadas.  Segundo indica uma placa junto à porta,  teria sido fundada por Carlos Magno no ano 800 DC,   mas historiadores acreditam que sua fundação tenha acontecido alguns séculos depois. A igreja apresenta ainda traços estilísticos do início da Idade Média, tendo preservado a planta típica das primeiras igrejas cristãs . A fachada da igreja é simples e em estilo românico e foi realizada  no século 11. A igreja é ligada a uma das mais importantes tradições florentinas,  o Scoppio del Carro, ou “Explosão da Carruagem”, celebração com fogos de artifício que acontece no Domingo de Páscoa em frente ao Duomo de Florença.  Na  igreja estão custodiadas as pedras que,  segundo a tradição, foram trazidas por Pazzino de ‘Pazzi da Terra Santa depois da primeira cruzada, em 1101,  e que  simbolicamente são utilizadas até hoje para dar início à queima de fogos. Dentre as obras da igreja ,o tabernáculo em terracota vitrificada, realizado por Andrea della Robbia por volta de 1512.

 

Está localizada nas proximidades do local onde ficavam as antigas termas romanas em Borgo Santi Apostoli

 

10- Forte Belvedere –  Outro ponto panorâmico da cidade de Florença é o Forte de San Giorgio, no Oltrarno,  mais conhecido como Forte di Belvedere. Esta é uma das fortalezas de Florença e foi construído no topo dos Jardins Boboli para proteger a residência dos Medici do Palazzo Pitti.  Maravilhoso exemplo de arquiteta militar  do século 16, foi realizado por vontade  do Grão-Duque Ferdinando I entre 1590 e 1600.

Agora me conte, você já esteve nesses locais ou ja havia falar sobre eles?

Florença romana

Quando a gente caminha e admira toda a beleza de Florença costuma associar tudo o que vê principalmente ao Renascimento.  Embora poucos saibam, Florença nasceu bem antes da Idade Média e do Renascimento, períodos pelos quais é mundialmente famosa.   Apesar de testemunhos muito antigos, ainda de época etrusca, Florença foi fundada no século I antes de Cristo.  A data exata é uma dúvida, alguns historiadores atribuem à Julio Cesar no ano de 59 AC e outros à Augusto, o primeiro Imperador Romano, que a teria fundado entre os anos 30 e 15 AC.  A cidade foi chamada de Florentia, em homenagem à deusa Flora e ao período de sua fundação, em plena primavera, mês das flores.

Florentia foi fundada na margem direita do Rio Arno e havia uma ponte que ficava próxima ao local onde hoje encontramos a Ponte Vecchio

A cidade de Florentia tinha um traçado urbano típico romano, baseado no acampamento militar, chamado castrum. No acampamento fortificado  havia o fórum,  bem  ao centro da cidade,  o Capitólio, uma   fullonica, as termas e um anfiteatro,  que era sempre construído mais afastado, fora do centro.  Infelizmente  não ficou quase nada de época romana na cidade, é preciso saber exatamente onde ir para poder testemunhar o passado romano em Florença.  Muito acabou sendo  destruído  durante as obras de “Florença-Capital”, no século 19.

O traçado da colônia  seguia o  modelo clássico de urbanismo romano, desenvolvendo-se numa área retangular, orientada pelos pontos cardeais e rodeada por muralhas defensivas (imagem internet por Rachel Valle)

 

A delimitação das muralhas  na parte norte da cidade romana ficava na correspondência onde hoje encontramos o Duomo e o Batistério.  Existem dúvidas sobre a estrutura do Batistério e sua fundação, segundo uma tradição florentina,  em época romana, aqui ficava um Templo dedicado à Marte

Teatro romano
Parte do Palazzo della Signoria, ou Palazzo Vecchio, foi construído sobre o grandioso teatro de época romana.  O teatro romano era muito grande, provavelmente com capacidade para abrigar cerca de 15 mil pessoas e abrangia a  área que fica à esquerda de onde hoje fica o Palazzo Vecchio, parte da área do  Palazzo Gondi  até a praça San Firenze. O antigo teatro foi realizado aproveitando a inclinação  natural do terreno. Um dos poucos pontos da cidade onde podemos testemunhar os restos do teatro é no subsolo do Palazzo Vecchio. As escavações arqueológicas permitiram trazer à luz os restos de algumas partes do teatro romano, conservados  aqui no subterrâneo. Numerosas evidências arqueológicas emergiram das escavações realizada nos anos 80 para repavimentação da praça.

Um dos poucos locais onde podemos testemunhar os restos do teatro romano é no subsolo do Palazzo Vecchio. O teatro tinha capacidade para até 10.000 pessoas

Na área que atualmente corresponde à Praça da Signoria haviam um spa e uma fullonica, para lavagem e tingimento de tecidos

O antigo fórum romano

Em época romana, na praça da República existia o fórum, com o Templo dedicado à Tríade Capitolina. O fórum era  a praça mais importante de todas, era o centro político, administrativo, religioso e comercial das cidades romanas.  Exatamente onde fica a Coluna da Abundância delimitava o centro exato da cidade,  o ponto de união das duas estradas principais, o Cardo e o Decumano.

No local onde encontramos a Coluna da Abundância  marcava o ponto central da cidade. A coluna marca o cruzamento dos 2 eixos,  o ponto de união das duas estradas principais, o Cardo e o Decumano

 

Termas

Os romanos adoravam frequentar os  banhos públicos ou as termas. Esses edifícios eram locais que proporcionavam todo  tipo de entretenimento, com jardins adornados com estátuas onde se podia caminhar,  fazer ginástica, massagem e praticar esporte.   Alguns locais aqui em Florença, além dos banhos termais Capitolinos (perto do Campidoglio, na praça da Republica), haviam os banhos termais onde atualmente encontramos a Torre della Pagliazza, na Praça Santa Elisabetta,  e nas proximidades da piazza del Limbo, nas ruas delle Terme e Borgo Santi Apostoli.

Paralela à essa rua, temos a via delle Terme, que lembra os antigos banhos romanos, que aqui se localizavam. O edifício restaurado lembra com suas escritas o passado de época romana

 

Outro local onde ficavam os banhos termais é onde encontramos atualmente a Torre della Pagliazza , na piazza Santa Elisabetta

 

Anfiteatro

Outra área  muito interessante da Florença romana é, sem dúvida, a de Santa Croce, em particular a modo a  pequena Piazza dei Peruzzi, que tem a particularidade de ter palácios assentados sobre as ruínas do anfiteatro romano, o que lhes confere um traçado típico elíptico. E a poucos passos da praça Peruzzi fica a  Via Torta, que marca o perímetro do antigo anfiteatro.  Como acontecia nas cidades romanas, o anfiteatro fora construído mais afastado do centro, fora das muralhas e tinha capacidade para ate 20 mil pessoas.  As estruturas medievais  dessa área da cidade, que inclui a Piazza Peruzzi, via Bentaccordi e via Torta, seguem perfeitamente a curvatura elíptica do antigo anfiteatro.

O anfiteatro romano – A escolha do local foi nos limites da área urbana,  nas proximidades da atual Praça de Santa Croce

 

Quando foi feita a reestruturação  em Florença no século 19, algumas ruas foram nomeadas  conforme o que foi encontrado na época da renovação da cidade, como via Del Campidoglio, via delle Terme e Via del Capaccio, onde terminava o aqueduto que abastecia a cidade,  através de um sofisticado sistema de água que começava no Monte Morello

O aqueduto
O aqueduto romano de  Florentia partia das nascentes do Monte Morello e terminava o percurso na Via di Capaccio,  nas proximidades do atual Mercato del Porcellino.
Cemitério

As áreas do cemitério de Florentia eram ao longo das estradas principais. Uma das maiores necrópoles localizava-se ao longo do trecho da Via Cassia e os vestígios  vieram à tona no século 16 , durante as escavações da construção da Fortezza da Basso, nas proximidades da estação ferroviaria de Santa Maria Novella, e alguns séculos depois  com a construção da ponte ferroviária al Romito.

 

 

Florença no tempo das casas-torres

Havia uma grande quantidade de casas-torres no cenário da Florença do século 13. A torre era não apenas a habitação, mas também símbolo da força das famílias nobres e indicador da posição econômica. Na Idade Média a vida política era conturbada e existiam muitos conflitos violentos, onde famílias nobres e suas facções se desafiavam pelo poder, como os guelfos e ghibelinos, e a casa-torre garantia  segurança para as famílias, que podiam se refugiar durante os ataques dos inimigos. Eram as casas de nobres ou mercantes  ricos, já que esse tipo de construção era muito cara e acessível apenas à uma parte  da população.

Na Idade Média  haviam cerca de 150 casas-torres em Florença.  Era a habitação principalmente de ricos mercadores florentinos, uma espécie de forte defensivo

Algumas torres, sobretudo aquelas pertencentes à mesma família ou à famílias aliadas,  estavam ligadas por uma passagens de madeira, uma espécie de ponte,  oferecendo dessa forma uma melhor comunicação em caso de confronto.

Em época medieval o cenário era bem diferente do que encontramos hoje em dia

Em Florença existiam cerca de 150 casas-torres, com altura entre 50 e 70 metros, e atualmente poucas ainda estão de pé.  Algumas dessas torres foram destruídas ao longo dos anos durante as guerras internas.  No século 19, quando  foi criado o novo plano urbanístico da cidade, muitas foram demolidas ou incorporadas em construções de um período posterior.

Atualmente restam cerca de 50 torres, que estão camufladas no tecido urbano moderno

No centro de Florença encontramos ainda inúmeras torres que sobreviveram a guerras civis, demolições e renovações, sendo que algumas foram incorporadas em palácios e em edifícios, e nem todas são reconhecíveis imediatamente. Quando começaram a surgir os municípios, no século 13,  as torres foram cortadas, como forma de mostrar que o poder das famílias nobres havia acabado e o palácio começou a  simbolizar o poder de uma família, e não mais a torre.

Come eram as casas-torres?
As casas-torres serviam como abrigo e ao mesmo tempo eram instrumento de controle e  vigilância territorial.  As torres apresentavam uma estrutura  compacta e eram geralmente   desprovidas de aberturas, com exceção de algumas lacunas, que em italiano é chamada de “feritoia”,  que significa uma pequena abertura feita na  estrutura fortificada.

A Torre de Manelli, na Ponte Vecchio

As aberturas para o exterior eram limitadas não apenas  por uma questão de defesa contra ataques inimigos mas também devido ao clima,  já que  naquela época, o único tipo de aquecimento era o fogo e evitava-se ao máximo  contato com o exterior para não diminuir a temperatura interna. Por esse motivo as casas eram muito  escuras.  E por segurança, as entradas localizavam-se não no nível da estrada, mas no topo, no primeiro ou no segundo andar, acessíveis por escadas móveis de madeira ou por meio de passagens acessíveis  pelo interior dos outros edifícios.  Para maior segurança,  haviam as escadas de madeira nessas min-fortalezas que eram removidas à noite.

A Torre dei Belfredelli, no Oltrarno. As casas-torres levavam o nome das famílias as quais pertenciam

As construções eram adequadas para a defesa em um período anterior ao desenvolvimento da artilharia, quando a defesa era realizada principalmente com arremessos

Em caso de ataque, eram colocadas tábuas nos pisos superiores que ligavam as casas-torres mais próximas entre si para facilitar a fuga dos habitantes em caso de necessidade

As construções eram adequadas para a defesa em um período anterior ao desenvolvimento da artilharia, quando a defesa era realizada principalmente com arremesso, portanto, a ação de cima era necessária. Eram construídas em tijolo ou em pedra e  apresentavam janelas estreitas. Dependendo da atividade do proprietário, o porão da torre podia servir de depósito de materiais utilizados para o trabalho e no térreo eles desenvolviam suas atividades. No andar superior, chamado nobre, ficavam os dormitórios e, devido ao risco de incêndio, a cozinha ficava no andar mais alto.

Uma curiosidade, a cozinha ficava sempre  na parte mais alta da casa devido ao cheiro e ao risco de incêndio

 

No Davanzati tinha até banheiro, algo muito raro. Sim, é verdade que em época medieval as “necessidades” eram despejadas nas ruas

Museu Davanzati

E para quem quiser saber como é uma casa-torre,  pode visitar o Museo della Casa Medioevale Fiorentina, conhecido também como Palazzo Davanzati,  uma típica residência nobre florentina de época medieval, preservada quase intacta. Adoro esse museu e o recomendo, principalmente para quem viaja com crianças.

Um poço numa antiga casa-torre, no Palazzo Davanzati

 

Casa-torre

O edifício que abriga o Museu Casa de Dante não é uma construção de época medieval, mas uma reprodução do início do século 20

Gostou de saber sobre as casas-torres de Florença? Nao deixe de conferir o post sobre San Gimignano,  a Manhattan da Idade Média.

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Arte contemporânea no Oltrarno, em Florença

Florença ganha um novo espaço para a arte contemporânea, o Spazio FAF – Female  Artisans in Florence – uma iniciativa idealizada por quatro  mulheres artesãs provenientes de diversas partes do mundo. E a internacionalidade é um ponto crucial desse projeto, que é de cooperação entre culturas, com promoção de  atividades sociais e culturais, uma vitrine onde as mulheres poderão divulgar seus trabalhos e projetos, apresentar ideias e discutir assuntos ligados à vida profissional e pessoal, com workshops, laboratórios, reuniões e também realizar atividades físicas e praticas como yoga e meditação.

 

Spazio FAF,  um ateliê localizado no Oltrarno que surgiu graças à ideia de 4 artesãs: Jane, Giulia, Jacqueline e Ayako.  Espaço de compartilhamento e multidisciplinaridade

As quatro  mulheres idealizadoras do projeto desempenham uma multiplicidade  papéis,  conciliando tarefas de casa, com  os afazeres de mãe, artesã e  empreendedora.

 

O Spazio FAF  é um ateliê dedicado à arte, onde existe cooperação,  respeito, troca de ideias,  apoio e motivação entre a idealizadoras, compartilhando experiência e ampliando a rede de contatos

 

O Spazio FAF é um projeto que já nasce com um calendário repleto de eventos , que vai desde lições de canto à worshop de serigrafia. Com um fio condutor sustentável ao longo de suas obras, as artesãs compartilham valores éticos em relação à reciclagem e ao reaproveitamento de materiais.  Todas as peças são únicas, realizadas manualmente e são orgulhosamente “made in Italy”.

As idealizadoras do projeto. Ayako Nakamori, pintura em tecido com produção de bolsas e acessórios , Giulia Castagnoli, estampas gráficas aplicadas à mão em roupas e acessórios   Jacqueline Harberink, porcelana e Jane Harman, madeira e restauração

 

No momento o espaço abriga as exposições da artista contemporânea ucraina Olga Ermol e da fotógrafa Arianna Signorini, com retratos maravilhosos!

Spazio FAF – Oltrarno 

Atualização: 

Desde setembro de 2025 a nova sede fica na via Santo Spirito,  28, r, a poucos passos da ponte Santa  Trinità

Curiosidades sobre o Davi de Michelangelo

A  monumental obra de mármore  realizada pelo artista  Michelangelo, o Davi,  é um dos  maiores símbolos do Renascimento. Com cerca de 4 metros de altura e pesando mais de 5 toneladas,  o herói bíblico  foi representado pelo gênio renascentista de uma forma diferente das retratadas precedentemente: Michelangelo realizada a escultura de Davi antes de enfrentar seu inimigo.

Accademia

A obra impressiona pela perfeição!  A escultura apresenta Davi nu, contemplativo e concentrado,  com seu olhar desafiador que fixa o inimigo, com seus músculos que exalam tensão, segurando na mão direita uma pedra e do lado esquerdo  uma funda pendurada. Até as veias de seus braços e costelas são evidentes.  Foi realizada entre os anos de 1501 e 1504, e encontra-se na Galleria dell’Accademia de Florença.

 

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Quem era  Davi – Davi é um personagem bíblico que nasceu em Belém,  na Judeia, provavelmente em 1040  AC. Foi um guerreiro e Rei do povo de Israel,  que reinou durante 40 anos, entre 1006 e 966 a. C. O Davi cortou a cabeça do Golias e liberou Israel dos filisteus

O Davi representado por  Michelangelo é um homem seguro,  contemplativo e  determinado, que segura uma pedra enquanto encara  Golias.  Representa a força intelectual, o personagem usa a mente, a estratégia, para enfrentar um inimigo muito maior e ameaçador.   Apesar de ser bem menor que Golias,  Davi era hábil  e usou uma funda  para derrotá-lo, acertando a cabeça do gigante.

Michelângelo tinha 25 anos quando começou a esculpir a estátua e o trabalho durou cerca de 3 anos.  O Davi é também era chamado de O Gigante

 

 

Medidas:

  • peso: 5,6 toneladas
  • Altura: 4,07 metri (a base mede 1,07 m)

O Davi foi realizado em apenas um bloco de  mármore branco de Carrara,  de cerca  5 metros e a escultura mede 4,10m.  Outros dois artistas já haviam falhado pois tiveram dificuldades técnicas para esculpir o bloco antes de Michelangelo, portanto, havia grande expectativa para ver o trabalho terminado. O mármore usado não era de qualidade, era poroso, com veios.

Davi

O lado direito do Davi é todo ação: é possível ver as veias de seu braço e de sua mão segurando a pedra. Davi nesse momento , antes do ataque, é pura adrenalina, com suas pupilas dilatadas

 

Michelangelo

Colocação da estátua

A obra foi encomendada ao artista em 1501 pela Opera del Duomo de Florença e da Arte della Lana. A encomenda a Michelangelo fazia parte de um programa que incluía 12 esculturas  para serem colocadas nos contrafortes da catedral.

 

A escultura  deveria ficar originalmente em um  dos contrafortes externos do Duomo,  do lado direito

A escultura  deveria ficar em um  dos contrafortes do Duomo, mas foi adquirida pela República de Florença e colocada na Piazza della Signora, em frente ao Palazzo Vecchio, onde permaneceu por mais de 350 anos.  No final do século 19 foi novamente transferida para a Galleria dell’Accademia, que foi construída para abrigar a famosa obra. Quando Michelangelo estava terminando de esculpir o “gigante”, a prefeitura pediu  à Opera de Santa Maria del Fiore que convocasse um encontro com os maiores artistas e intelectuais florentinos da época para avaliar uma nova colocação. A comissão decidiu que a escultura deveria ser colocada na entrada do Palazzo Vecchio, como um emblema da força e independência dos florentinos.

Transporte do Davi do Duomo até a Piazza della Signoria (internet site Muse Firenze)

O trajeto do Duomo até a Piazza della Signoria é de mais de 600 metros e foi feito em 4 dias. Durante o percurso, pela via Calzaiuoli, algumas pessoas que não eram apoiadores da República chegaram a apedrejar a obra. Sobre a forma de transportar o Davi , colocado em uma estrutura de madeira, Vasari descreveu que fizeram um “castelo de madeira fortíssimo”.  As rodas do carro eram toras de madeira; esse foi um trabalho minucioso e delicado.

 

O documento conservado no arquivo da Opera de Santa Maria Del Fiore (foto divulgação site Nove.Firenze internet)

 

No dia 25 de janeiro de 1504 uma comissão decidiu onde colocar o Davi e  dentre os participantes estavam Leonardo da Vinci, Filippino Lippi, Perugino, Botticelli e Andrea della Robbia. A obra foi apresentada ao público oficialmente em 8 de setembro de 1504 e ficou na praça da Signoria até o ano de 1873.  Alguns anos depois, em 1910, foi colocada uma cópia do Davi.

 

A Tribuna de Davi na Galleria dell’Accademia

A Tribuna  de Davi–  O Davi ganhou posição privilegiada na Galleria dell’Accademia na segunda metade do século 19. O arquiteto Emilio De Fabris foi contratado para construir uma tribuna, posicionada no final de um corredor.  Em 1873 o Davi foi transportado da praça da Signoria até o museu, numa operação que  durou  5 dias. A  obra foi colocada dentro de um enorme engradado e atrelada em uma carroça de madeira construída de forma complexa, que seguia pelas ruas do centro sobre trilhos até o museu.  O Davi, no entanto, ficou 9 anos embalado à espera da conclusão das obras do museu.  O Davi é a mais requisitada obra-prima da Galleria dell’Accademia e abriga o maior número de esculturas realizadas por Michelangelo.

 

Algumas  curiosidades:

    • Proporção –   quem já teve oportunidade de ver de perto certamente reparou uma ligeira desproporção. Na verdade, as mãos e a cabeça são maiores do que as outras partes do corpo.  É que essa escultura foi realizada  para ocupar um dos contrafortes da catedral Santa Maria del Fiore, decorando a área externa do Duomo de Florença, o que significa que o espectador deveria observá-la  de baixo para cima
    • Posição da obra –  O Davi foi colocado na Piazza della Signoria , na entrada do Palazzo Vecchio, até 1873, e quando foi transferido para a Galleria dell’Accademia, construída especialmente para receber a obra. O trajeto da praça até o museu durou 4 dias.
    • A representação –  O Davi de Michelangelo não está com a cabeça de Golias a seus pés. Michelangelo escolheu representá-lo antes do ataque.  A obra  representa a força intelectual: apesar de ser bem menor que Golias,   o  Davi  usa a mente,  concentra a sua energia de forma  estratégica para enfrentar um inimigo muito maior do que ele.
    • Material – Michelangelo aceitou  usar um mármore defeituoso que havia sido recusado por outros 2 artistas, Agostino di Duccio e Antonio Rossellino. Ele encontrou dificuldade técnica porque o mármore  apresentava veios.
    • Blefe – Michelangelo não permitia visitas enquanto trabalhava em sua obra. Quando a obra estava sendo finalizada, ele recebeu visita de  personalidades importantes , dentro os quais os Soderini, o gonfaloniere , ou prefeito de Florença  na época. Soderini comentou que o nariz estava muito grande. Imaginem um comentário desses com Michelangelo, que era melindroso e orgulhoso e  tinha um caráter forte  e nada fácil!  Mas ele não podia responder mal e pra não estragar as relações com o governo florentino. Michelangelo teve uma ideia: sem ser notado,  recolheu fragmentos e um pouco  pó de mármore do chão e voltou para os andaimes – imaginem que a obra tem pouco mais de 4 metros. Ele lá de cima soprou o pó de mármore e fingiu que estava acertando. Quando ele terminou Soderini disse:  Agora está perfeito! E ele respondeu: “pois eu não mexi em nada”!
    • Danos e ataques –  Além de ataques no percurso do transporte até a praça da Signoria o Davi sofreu outros ataques. Em 1527 a escultura sofreu sua primeira agressão violenta quando em um protesto político e perdeu o braço esquerdo.  Giorgio Vasari o recuperou e o braço foi restaurado, mas é possível ver as fraturas por onde partiu. O dedo médio da mão do Davi foi perdido, não se sabe em qual ocasião, e foi restaurado em 1813. Em 1991 um artista italiano de nome Piero Cannata conseguiu entrar com um pequeno martelo e esmagou o segundo dedo do pé esquerdo da escultura.

A Praça da República de Florença

A Praça da República, a Piazza della Repubblica, é uma das principais praças do centro de Florença  desde a época romana. É um ponto de encontro animado, colorido e cheio de vida! A “Praça do carrossel” já abrigou o gueto hebraico  e o Mercado Velho, que funcionaram no local até o século 19. A praça, considerada o miolinho de Florença e circundada por elegantes cafeterias, foi construída sobre as ruínas do fórum romano.

O Arco do Triunfo desenhado pelo aquiteto  Vincenzo Micheli e realizado em 1895. O arco traz a seguinte frase: “L’antico centro della città da secolare squallore a vita nuova restituito”

 

A praça da República foi construída entre 1885 e 1895, após a demolição da antiga Piazza del Mercato Vecchio

 

Considerada o centro da cidade há séculos, a Praça da República passou a sediar o mercado na Idade Média.A praça desde aquela época era ponto de encontro e de comercio e seu aspecto era bem diferente do que vemos hoje, pois existiam as casas-torres, os arranha-céus medievais.  

Na praça existe uma maquete para deficientes visuais

 

Antigo gueto – Construído por vontade de Cosimo I de ‘Medici em 1571, o gueto hebraico passou a ocupar essa área central da cidade, englobando a Piazza della Repubblica , na época o Mercato Vecchio, via Roma, via del Campidoglio e via Brunelleschi.  Era uma espécie de cidade murada, acessível por duas portas, e que continha duas sinagogas. Os judeus permaneceram  no local até meados do século 18, época em que receberam autorização para se mudar para outras áreas da cidade. O gueto foi demolido entre 1885 e 1895.

A praça hoje é animada por artistas de rua e shows improvisados

O aspecto atual de formato retangular com grandes edifícios do século 19 é o resultado da modernização urbana e das intervenções realizadas quando Florença foi proclamada capital da Itália, em 1865.  E nessa mesma época as antigas muralhas  que cercavam a cidade foram  demolidas para dar lugar para as avenidas, pois a cidade devia ter uma aparência mais imponente e majestosa.  Foram demolidas as construções, as torres, igrejas e bodegas.

No século 19 quando Florença foi eleita a capital da Itália aconteceu uma importante reestruturação  na praça (Foto da internet, sem autoria)

A inauguração da praça contou com a presença de Vittorio Emanuele II, que deu então o nome à praça.   Ao centro da praça  havia estátua do rei a cavalo, que foi transferida em 1932 para a Piazza Vittorio Veneto,  onde se encontra.

Cafés – Cafés históricos circundam a praça. Aqui encontramos o  elegante  Paszkowski, inaugurado em 1846, que fica ao lado de outra refinada cafeteira, o  Caffe  Gilli , fundado em 1897.  Do lado oposto encontramos o   Giubbe Rosse, fundado em 1897, que no início do século 20 tornou-se um ponto de encontro de escritores e artistas italianos e estrangeiros.

 

Impossível não associar a praça ao carrossel  retrô, que  pertence à família Picci. Está  presente na praça desde o início do século 20. E não só as  crianças se divertem, os adultos também são admitidos

 

A Colonna della Dovizia ou dell’Abbondanza

A última intervenção da praça é a Coluna da Abundância representa de fato, o centro exato da cidade,  ponto onde se cruzavam  as duas estradas  das principais ruas da antiga cidade romana,  Cardo e  Decumanus. No século 15  havia uma estátua de Donatello representando a Dovizia,  mas a obra foi destruída no século 18. Para substituir a obra de Donatello,  foi colocada a obra de Giovan Battista Foggini em 1721, a Coluna da Abundância.  Antigamente haviam na coluna duas correntes de ferro presas, uma mais no alto com um sino, que tocava na abertura e no fechamento do mercado, e outra para maias baixa , para o pelourinho, onde eram expostos os comerciantes desonestos, golpistas e devedores.

 

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As Rampas do Poggi de Florença

As Rampas do Poggi de Florença,  Le Rampe Del Poggi,   foram reinauguradas na primavera de 2019  após  quase um século desativadas. Graças a um novo sistema hídrico, as cascatas voltaram a embelezar  o   Oltrarno.

As Rampas do Poggi em todo  o esplendor original com suas fontes e cascatas. A obra tem uma superfície de 6700 metros quadrados,  distribuídos em 3 níveis

 

O sistema das rampas  é parte integrante do complexo arquitetônico-paisagístico do Viale dei Colli, projetado e construído pelo arquiteto Giuseppe Poggi

As Rampas do Poggi,  nas proximidades da Torre de San Niccolò, ligam o lungarno ao Piazzale Michelangelo.  A obra foi realizada entre 1872 e 1876 pelo arquiteto Giuseppe Poggi, encarregado do novo projeto de revitalização urbana. Ele foi o responsável pelo novo plano urbanístico quando Firenze tornou-se a capital do Reino da Itália, em 1865. O plano previa importantes transformações urbanas graças às quais, pela primeira vez,  criou-se um sistema verde urbano de dimensão europeia, com  jardins públicos destinado e dedicado não apenas às classes privilegiadas mas para toda a comunidade. O arquiteto Poggi projetou os viales, as grandes avenidas de Firenze e é dele também o projeto do Piazzale Michelangelo.

A Torre de San Niccolò, que é aberta à visitação entre os meses de junho e setembro. Proprorciona uma vista linda não apenas de Florença, mas também das Rampas

As grutas e piscinas foram limpas e toda a superfície decorada foi recuperada após a restauração

 

As Rampas ficaram desativadas por quase um século e  voltaram à vida graças à uma grande obra de restauração financiada pela Fundação CR Firenze (Art Bonus), onde foram gastos 2,5 milhões de euros. A arquitetura original foi restaurada e o jogo mágico de fontes e cachoeiras foi reativado.

 

As Rampas do Poggi apresentam um verdadeiro espetáculo de água com cascatas, fontes e plantas

 

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A elegante via Tornabuoni de Florença

A Via Tornabuoni, que vai da Ponte Santa Trinità até a Piazza Antinori, é uma das ruas mais luxuosas do centro de Florença.   É uma rua muito elegante desde o período do Renascimento, quando passou por um processo de profunda transformação com a construção de inúmeros palácios nobres, que levam o nome das  famílias abastadas que eram suas proprietárias. A rua abriga lojas de grifes renomadas e luxuosas.

A Via Tornabuoni, referência de rua elegante desde o Renascimento

via-tornabuoni
Aqui começa a via Tornabuoni, nas proximidades da Ponte Santa Trinita, no Lungarno Corsini. As boutiques Ferragamo, no Palazzo Spini Ferroni,  à esquerda e a loja Ermenegildo Zegna à direita, com localização privilegiada.

O   imponente Palazzo Spini Ferroni, sede da Salvatore Ferragamo e sede do Museu Ferragamo

 

Praça de Santa Trinita –  Um dos pontos mais charmosos da rua é a  Piazza Santa Trinita,  dominada pela igreja homônima. Ao centro da praça  há um obelisco de mármore proveniente das Termas de Caracalla de Roma,  doado em 1560 pelo papa Pio IV à Cosimo I, que o ergueu para lembrar a vitória de Montemurlo (em 1537), que marcou o início de seu longo governo.

 

Ao centro da praça a Coluna da Justiça, uma imponente coluna em granito, doada pelo Papa Pio IV  em 1560 para Cosimo I, o primeiro grão-duque de Firenze

Em 1555 Cosimo I conseguiu conquistar a cidade de Siena e tornou-se, em 1569, com a nomeação do papa Pio V, grão-duque da Toscana.  Por esse motivo foi escritoa na coluna ainda hoje visível: “COSMUS MED MAGN DUX ETRURIAE”.  Em 1581, a estátua foi  adicionada  ao topo do obelisco,  obra de Tadda, representando a Justiça. A partir  desse momento, o monumento foi renomeado de Coluna da Justiça.

A Coluna da Justiça , obelisco de mármore no centro da praça

 

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Até 1911 a praça recebia a referência de Via Tornabuoni e foi graças ao pedido do Marquês Filippo Corsini que a praça recebeu seu nome atual

 

Igreja de Santa Trinita– A Igreja de Santa Trinità  , com fachada em estilo barroco  do final do século 16,  conserva um verdadeiro tesouro artístico em uma de suas capelas : “Adoração dos Pastores”, na Capella Sassetti, realizado por  Domenico Ghirlandaio.

 

A fachada da igreja de Santa Trinita. A igreja é de 1200, enquanto a fachada é barroca e foi construída por Bernardo Buontalenti no final dos anos 1500

 

Obra de Domenico Ghirlandaio.  Afrescos da Cappella Sassetti, realizados entre 1482 e 1485, no interior da igreja Santa Trinità

 

Antica Torre Tornabuoni, uma residência de época que faz parte da Associação Italiana de Casas Históricas.  Atualmente no local  funciona um hotel e alguns escritórios.  A torre, edificada em 1260,  possui  dois terraços que nos  proporcionam uma vista  deslumbrante!  Do Duomo Terrace localizado a 25 metros de altura,  avistamos  a Catedral, o campanario de Giotto, o Palazzo Strozzi e a igreja de Santa Maria Novella, enquanto do Arno Terrace localizado a 30 metros de altura,  temos uma vista  linda do Oltrarno.

 

Palazzo Bartolini Salimbeni – “Criticar é mais fácil do que imitar”.  Essa frase (Carpere promptius quam imitari) está escrita no palácio realizado pelo arquiteto Baccio d’Agnolo entre 1517 e 1520.  Ele foi muito criticado por ter construído o edifício “alla romana”, um estilo bem diferente do que até então podia ser visto na arquitetura residencial florentina.  Mais tarde, o palácio foi copiado, marcando uma verdadeira reviravolta na edificação maneirista. Atualmente o palácio abriga da coleção particular de Roberto Casamonti dedicada aos grandes mestres que revolucionaram a arte de 1900 e do nosso século. 

 

O palácio Bartolini Salimbeni, que era uma das mais ricas famílias de Florença. O arquiteto do prédio foi criticado na época da construção, mas depois foi copiado

 

Na Via Tornabuoni encontramos grifes como Prada, Ferragamo, Zegna, Dior, Fendi, Gucci, Céline, Loro Piana, Montblanc, Saint Laurent , Tods e Hermès

O Palazzo Strozzi, um dos mais imponentes da rua, fica na esquina entre as ruas Tornabuoni, Strozzi e praça Strozzi, um santinho descolado e  agradável onde estão a loja Louis Vuitton, o bar Colle Bereto e o Odeon Bistro. O acesso ao pátio, que é aberto ao público, dá-se por 3 divinos portões  e os outros andares são visitados quando acontecem mostras temporárias. É uma das mais significativas construções renascentistas da cidade.

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O Palazzo Dudley,  cuja denominação oficial é Palazzo del duca di Nortumbria.  Foi construído em 1613.  O andar térreo foi durante muitos anos sede da marca Gianfranco Ferrè e atualmente  abriga uma loja da  Cos.

O Palazzo Dudley

 

O prédio foi construido por Robert Dudley, conde de Warwick e amigo de Ferdinando I de’ Medici

 

A Via Tornabuoni ganha linda decoração durante as festividades de final de ano

No século passado a via Tornabuoni tornou-se uma verdadeira sala de estar da Europa com seus prédios históricos e lindas lojas mobiliadas com móveis de época,  por onde circulavam pessoas de classe e elegância. Esta era uma área da cidade  frequentada por personalidades da arte, política e da  aristocracia  florentina.

 

E para um pitstop, alguns dos locais para comer ou beber alguma coisa na Via Tornabuoni são o Procacci, com o panino trufado, o bistrô Obicà e a Cantinetta Antinori, um restaurante da família do conhecido vinho

 

Entre o Palazzo Strozzi e a igreja dos Santos Michele e Gaetano encontramos esta linda  loggia do Palazzo Corsi-Tornabuoni

 

Chiesa dei Santi Michele e Gaetano – A igreja de Santi Michele e Gaetano é uma das surpresas que Florença reserva para quem, ao se aventurar pelo centro histórico em busca de vestígios renascentistas, também se dispõe a olhar para as outras almas da cidade negligenciada pelo turismo de massa. Na Piazza Antinori, na entrada da via Tornabuoni, destaca-se a fachada barroca em pedraforte, com estátuas em mármore branco e escadaria, em estilo romano. A primeira pedra foi lançada em 1604. Matteo Nigetti acompanhou os anos os trabalhos  e foi sucedido em 1633 pelo arquiteto da corte Gherardo Silvani, auxiliado por seu filho Pierfrancesco. A igreja fica na praça Antinori.

 

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A Igreja dei Santi Michele e Gaetano, com fachada barroca em pedraforte florentina, projetada por Gherardo Silvani. Um dos maiores exemplos do barroco em Florença

 

A Igreja dei Santi Michele e Gaetano fica na Piazza Antinori. Interior em cruz latina com  nave única

 

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A Conspiração dos Pazzi

A família Medici enfrentou muita ira, inveja e revolta e foi alvo de algumas conspirações.  Dentre todas, a mais famosa é a Conspiração dos Pazzi,  que resultou na morte de Giuliano, irmão de Lorenzo “O Magnífico”, e aconteceu dentro da Catedral Santa Maria del Fiore no dia 26 de abril de 1478,  no Domingo de Páscoa.  Houveram anteriores tentativas falidas contra a família, como envenenamento,  plano que foi substituído pela Conspiração dos Pazzi,   trágico episódio que marcou a história de Florença e da Itália.

 

A Conspiração foi organizada pelos Pazzi e outras personalidades de destaque. Lorenzo milagrosamente conseguiu escapar da emboscada refugiando-se na Sacristia das Missas

 

Os conspiradores  tentaram eliminar os dois irmãos com espadas e punhais durante a missa pascal, no Duomo de Florença, no coração da cidade

Lorenzo havia 20 anos quando seu pai Piero Il Gotoso morreu, no ano de 1469. Ele passou a ser a figura mais importante nesse período, em pleno Renascimento, e apesar de não ocupar oficialmente nenhum cargo público,   passou a comandar a cidade. Lorenzo, apelidado de “O Magnífico”,  sempre foi precoce, culto e bem educado. Apesar da pouca idade,  demonstrava segurança e determinação.

Lorenzo, O Magnifico, por Giorgio Vasari (Galleria degli Uffizi), fonte internet

 

Interior da Catedral de Santa Maria del Fiore

 

Conspiração  dos Pazzi

No domingo de Páscoa do dia 26 de abril de 1478, os dois irmãos saíram da residência, o Palazzo atualmente conhecido como Palazzo Medici Riccardi e dirigiram-se à catedral. Durante a missa eles não se sentaram  lado a lado, mas a alguns bancos de distância. No momento da Eucaristia, quando os fiéis estavam ajoelhados,  um grupo de conspiradores atacou com  espadas e punhais os irmãos Lorenzo e Giuliano.  A intenção era matá-los contemporaneamente. Giuliano foi atingido  com golpes de espada  e morreu, tendo sido a única vítima do ataque. A  intenção dos conspiradores era que a história tivesse um desfecho muito diferente, mas Lorenzo conseguiu se salvar graças a Francesco Nori, que acabou morrendo para defender o amigo. Depois de ferido, ele se abrigou na sacristia da catedral.

Giuliano de’ Medici (1478 aproximadamente), realizado por Sandro Botticelli, Accademia Carrara de Bergamo. Morreu os 25 anos  (fonte: internet)

 

A conspiração não teve o êxito esperado porque Lorenzo sobreviveu. O encarregado de golpeá-lo era  Giovanni Battista  da Montesecco, porém, desistiu na última hora, pois era um homem ligado à igreja e não pretendia derramar sangue em lugar sagrado. Foram então contratados para a tarefa os padres Stefano Bagnone e Antonio Maffei  para tirar a vida de Lorenzo, mas não tinham maestria com espada.  Mesmo ferido,  Lorenzo saiu da sacristia e foi em direção ao Palazzo della Signoria, hoje Palazzo Vecchio,  com a população à seu lado. Em sinal de apoio à Lorenzo, os florentinos gritavam “Palle, Palle, Palle’” em referência ao brasão dos Medici com as esferas, desencadeando uma verdadeira perseguição aos autores e envolvidos. Após a conspiração, Lorenzo ganhou maior apoio da população e passou a  governar com mais poder e influência política, embora nunca ter ocupado cargos oficiais.

 

Obra de Stefano Ussi, La congiura dei Pazzi (século 19)

 

O final para os conspiradores foi trágico:  foram condenados à morte, alguns enforcados,  esquartejados vivos e queimados em praça pública. Alguns envolvidos foram torturados, enforcados e pendurados nas  janelas do Palazzo della Signoria.  Praticamente todos os membros da família Pazzi foram presos ou exilados,  tiveram seus bens confiscados e o nome proibido de figurar nos documentos oficiais e todos os brasões das famílias foram cancelados da cidade.

Giuliano foi assassinado por Francesco de’ Pazzi e Bernardo Bandini, que fugiu da cidade e conseguiu se refugiar em Constantinopla, mas acabou sendo encontrado.  Ele foi executado em 1479 em Florença e seu corpo pendurado na forca foi retratado por Leonardo da Vinci (fonte internet)

Quem eram os conspiradores?

Rivais políticos da Senhoria Medicea,  a família Pazzi tramou o  atentado  contra  os irmãos  a fim de acabar com a hegemonia da família Medici em Florença.  O ataque aos dois irmãos Medici  foi uma conspiração  internacional que contou inclusive com o apoio do Papa Francisco della Rovere, chamado de Sisto IV, e  de  seu sobrinho Girolamo Riario , Senhor de Ímola.  O Papa havia concordado de participar da conspiração mas  não era favorável ao assassinato. Foi seu próprio sobrinho que o desobedeceu.  Lorenzo e o Papa Sisto haviam tido alguns desentendimentos e o pontífice havia tirado dos Médici a administração de suas finanças, passando-a aos Pazzi. Participaram também da conspiração a família Salviati (Francesco Salviati era arcebispo de Pisa) e o rei de Nápoles Fernando de Aragão.  Recentes estudos comprovam também o envolvimento do duque de Urbino Federico da Montefeltro, que era gonfaloniere da Igreja. Todos os conspiradores nutriam forte ressentimento contra os Medici e além da inimizade, caso a conspiração tivesse bom êxito, eles poderiam obter vantagens políticas.

Sacristia delle Messe

No interior da catedral, perto do altar, fica a Sacristia das Missas, onde se refugiou Lorenzo o Magnifico.  É um ambiente ricamente decorado com obras realizadas por grandes artistas do Renascimento, como Giuliano da Maiano, Antonio del Pollaiolo e Alessio Baldovinetti. A Sacristia das Missas é geralmente fechada ao público mas mostro pra vocês fotos exclusivas que realizei.

Lorenzo se salvou graças à prontidão de seu amigo Agnolo Poliziano, que levou Lorenzo para a sacristia barricando a porta e resistindo com alguns amigos até que os conspiradores escapassem

Entre 1436 e 1468 o ambiente foi decorado e ganhou painéis de madeira com incrustações com figuras de santos e cenas do Evangelho,  realizados com novos princípios de perspectiva. 

Na sacristia estão os primeiros exemplos desta técnica na madeira na Itália

A pia de mármore, obra de Andrea Cavalcanti, conhecido como Buggiano

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